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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cadê o calundu da Dilma?

Presidenta Dilma Rousseff abriu Assembleia Geral da ONU

Fátima Oliveira

– Viu Dilma em Nova Iorque? Estava lépida e fagueira nos palcos da ONU. Nada de calundu. Aliás, essa coisa que Dilma vive de calundu, é um mito. E discriminatório até demais. Também achei que a Newsweek foi com muita sede ao pote ao apelidar a presidenta de “Dynamite Dilma”. A reportagem não é de todo ruim, mas escorregou. É um problema da mídia mundial a dificuldade de lidar com mulheres poderosas, ainda mais se governam um país! Nem era pra tá mesmo de calundu, depois de ser a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral da ONU. Nem eu, né Estela? 
Reprodução/Newsweek - Chamada de 'Dilma dinamite', presidente estampa capa da prestigiada revista norte-americana

– E aí, como foi o café búlgaro-mineiro na escola?
– Viiiiiiiiiiiiiiixe a meninada gostou às pampas... Uma trabalheira que valeu à pena... Você precisava ver as meninas todas pimponas e os meninos meio encolhidinhos. Eles só se soltaram na hora do café. Acredita Estela?
– Como assim, Dindinha?
– Simples Estela. Dilma é um espelho para as meninas. Não duvide! Desde a semana passada que na escola não se falava em outra coisa. Na segunda-feira a diretora, Dona Nem, pediu que eu fosse lá dar umas palavrinhas antes do início das aulas, pela manhã e à tarde. Você sabe que aqui a meninada ainda “forma” no pátio antes do início das aulas, como antigamente. Cantam o Hino Nacional e só depois vão pras suas salas. É o horário dos avisos também.
– ...
– Pois muito que bem, eu fui lá dar umas palavrinhas sobre o que nossa presidenta foi fazer em Nova Iorque. E, claro, enchi a bola das meninas e quetais... E falei que a Fazenda Matinha de Dona Lô patrocinaria um café búlgaro-mineiro logo após o discuro da presidenta Dilma Rousseff na ONU. Ah, foi muito legal explicar o que era um café búlgaro-mineiro. A meninada ficou na maior animação do mundo, só você vendo... Cê sabe, foi quase um feriado. Mas contou como atividade escolar. O turno da manhã e da tarde foram para a escola só pela manhã.
– E o que mais?
– Do café ou do discurso da presidenta?
– De tudo, oxê!
– Bem, na escola foi tudo muito cedo. Dilma discursaria às nove horas da matina, horário de Nova Iorque. Aqui, menos uma hora, ou seja, oito da manhã. Os meninos formaram e cantaram o Hino do Maranhão, o
Hino da Independência, o Hino da Proclamação da República, o Hino da Bandeira e o Hino Nacional e seguiram para o auditório. Então já estava quase na hora.
– Sabe que de todos os hinos o que eu mais gostava de cantar era “Salve lindo pendão da esperança”... A gente dizia “Salvelim” rsrsrssr... Também adoro o Hino do Maranhão...
– É bonito mesmo. E emociona. Minha professora de Canto Orfeônico no Ginásio, não esquço nunca, dizia: “Temos de aprender a letra toda! Honrar o professor Antônio Batista Barbosa de Godóis, que fez o poema; o  maestro Antônio dos Reis Raiol, que fez a partitura;  e o maestro Assis Republicano, que elaborou as variações para orquestra e canto! O hino é de 1911"...
–  Que memória, Dindinha! Aprendi tudo isso, mas nem lembrava!
–  Tem mais! Dona Lúcia Parga, dizia: 
O hino maranhense lembra:
. Na primeira estrofe, a batalha de Guaxenduba, contra os franceses;
. Na segunda, a expulsão dos franceses e a vitória do direito a favor dos portugueses;
. Na terceira, o passado de glórias do Maranhão e seus heróis;
. Na quarta, os dois primeiros versos lembram a expulsão dos holandeses e os dois últimos a adesão do Maranhão à Independência do Brasil;
. Na quinta, o poeta pede que o futuro dê ao Maranhão, por toda a vida, as mesmas glórias do passado”...
– ...
– Mas, voltando ao café... No telão foi apresentada, rapidamente, pela diretora a Agenda da Presidenta em Nova Iorque. Ela ressaltou como era importante, sobretudo para as meninas, termos uma presidenta da República; uma demonstração de que qualquer menina poderia sonhar em dirigir o país um dia... Bacana mesmo a fala dela. Nem parecia aquela que não votou em Dilma... Lembra a
briga de Gracinha com Dona Nem, logo após as eleições? 
– Hem-hem, estou lembrada. Ela, Dona Nem, até deu uma sapituca, caiu durinha no chão, que a saia ficou levantada, assim disse Cesinha, testemunha ocular do fato, porque mesmo não tendo votado em Dilma queria ir pra posse no ônibus que levou as mulheres da Chapada, não foi? E o cardápio, Dindinha?
– Espera Estela!Tu só pensas em comer, c’os diachos! Quero dizer ainda que foi uma cerimônia muito bonita. De sentido. Muito mesmo. Acho mesmo que as meninas de nossa escola jamais esquecerão aquele dia. Encerrada a fala da presidenta, todo mundo bateu palmas. E fomos tomar nosso café. O cardápio você já sabe, mas pra matar a sua ansiedade, vou repetir: “bureka vegetariana (com saladinha de vegetais tenros) e bureka com recheio de carne moída; pão de queijo feito em casa; e também umas coisinhas do sertão: bolo frito, chapéu de couro, salada de frutas e suco de frutas da época. E claro, também café, leite e chás. Ah, fizemos também uma queimadinha de leite com canela, que ficou um brinco! Não deu pra quem quis e, olhe, fizemos 30 litros de leite, menina!  Pegou bem. Depois do queijo, do pão de queijo, da goiabada com queijo, da canjiquinha, do bambá de couve, há coisa mais mineira do que queimadinha de leite? 
– Nooooooooooooossa, faz tanto tempo que não bebo queimadinha de leite!
– Vou fazer uma pra você hoje à noite, está bem? Parece que vai esfriar um pouco aqui na chapada e queimadinha de leite é boa mesmo é no frio, não é?
Eis que chega Pedro com as crianças, que estavam pescando no açude da Matinha de Dona Lô desde cedo da manhã, carregando uma fieira de mandi. Ao vê-lo Dona Lô, incontinenti, murmurou: “Viiiiiiiiiiiixe, acabou-se o sossego, santíssima!”
– E aí sogrinha, que tal almoçarmos mandi frito no azeite de coco?
– Não é má ideia Pedro. Mandi frito, acompanhado de arroz com feijão verde e uma saladinha de alface, pepino e tomate, é iguaria sem igual... Vá levando essa peixaria lá pra cozinha e fale com Maria Helena. Isso ela dá conta de fazer sozinha...
– Há outros peixinhos. Veja: umas quatro piranhas, boas de caldo. Dá pra fazer um
caldinho de piranha... E duas curimatás bem grandes, prontas para assarmos na telha...
Caldo de Piranha(Caldo de piranha)

– Viiixe, peixe demais moço! Vamos almoçar mandi frito. Se tiver uns grandinhos até posso fazer um ensopado de mandi com pirão... Mas os pequenos, vamos fritar, não é? Congele as piranhas pra fazer em sua casa. Podemos jantar as curimatás. Vou fazer um esforço de fazê-las na telha... E chega! Comida demais, né Pedro? Vim pra Matinha pra descansar um pouco e você quer que eu me entone na cozinha?
(Curimatá na telha)
– Dindinha, lembra que Donana fazia
“Mandi em conserva na panela de pressão”? Uma delícia! Desde que ela morreu, nunca mais comi. Uma vez pedi para Gracinha fazer, mas ela disse que não gostaria de fazer porque era a cara de Donana...
– E é! E dá muito trabalho. Fica para outra oportunidade.
– E as políticas?
– Hoje não falaremos de política, viu Pedro?
– Pucardiquê?
– Passei a semana toda só pensando em política. Aliás, desde o dia 17, quando a presidenta viajou pra Nova Iorque. Acompanhei a agenda dela ao pé da letra...
– E aí? Salva alguma coisa?
– Alguma coisa? Deixe de laquera, sô! A mulher foi bem demais da conta. Muito mais do que aqui. Estela você viu os discursos dela na “Abertura da Reunião de Alto Nível sobre Doenças Crônicas Não – Transmissíveis” e no “Colóquio de Alto Nível sobre Participação Política de Mulheres”?
– De fato Dindinha, foram muito bons. Mas eu, particularmente, sinto falta de ela nunca ter dito algumas coisas que disse lá por aqui. Por exemplo: que saúde da mulher é prioridade do governo dela, porque até agora fora a
Rede Cegonha, não há muita sinalização. Ações pontuais, como ela disse: “Estamos facilitando o acesso aos exames preventivos, melhorando a qualidade das mamografias e ampliando o tratamento para as vítimas de câncer”. 
– ...
– O Governo Dilma nem toca em
atenção integral à saúde da mulher. Entendo que a sinalização necessária é a saúde integral. Mas, quem sabe, depois dos aplausos de Nova Iorque a coisa entre nos eixos... Mas não tenho muita esperança, não! Depois de, praticamente, um ano de governo, podemos dizer que foi feita a opção de não triscar em nada que amargue na boca do Vaticano. Dá pra perceber que a terminologia direitos reprodutivos foi proscrita do Ministério da Saúde! Só se fala em saúde materna. Melhorou um tiquinho porque até tentaram ressuscitar o conceito de saúde materno-infantil? Ou não foi?. – ...
A presidente Dilma Rousseff, durante seu primeiro discurso na ONU, na manhã desta segunda-feira (19). (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)A presidente Dilma Rousseff, durante seu primeiro discurso na ONU, na manhã desta segunda-feira (19). (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

– Enfim, ela foi até bem na Reunião de Alto Nível sobre Doenças Crônicas não Transmissíveis, da Organização das Nações Unidas. Soube ocupar bem os espaços. Além do que, realmente, tinha o que mostrar, como ela declarou:   “O Brasil defende o acesso aos medicamentos como parte do direito humano à saúde. Sabemos que é elemento estratégico para a inclusão social, a busca da equidade e o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde”.

– O que importa muito Estela, segundo entendo, é que agora a ficha dela caiu... Menina, fiquei espantada com o “enfoque de gênero” dos discursos de Dilma em Nova Iorque! Um espanto! Olhe só: disse que tem se empenhado, e é verdade, só não havia falado abertamente, que para “aumentar a participação feminina nas instâncias decisórias” havia “muito a ser feito”. E arrematou bem: “Fui eleita a primeira mulher presidente do Brasil 121 anos depois da proclamação da República e 68 anos depois da conquista do voto feminino. Somos 58% dos eleitores, mas apenas 10% do Congresso Nacional”.

– Quem sabe tenhamos, até o fim do governo paridade de gênero nos ministérios... rsrsrsrsrsrsrsrs....  Se eu fosse ela, a cada ministro manga-podre que caísse, colocaria uma mulher no lugar...
– Só se o nosso Matusalém da política se aposentar...
– Fala de Sarney, Dona Lô?
– Escute Pedro, não se faça de besta! Ô canseira! E há outro Matusalém na política brasileira?
– Vocês não acham que é freje demais só porque Dilma abriu essa reunião da ONU? Aliás, Dona Lô estou concordando um bocado com Sandro Vaia, com o conteúdo do artigo dele do dia 23 passado...  Fiz até uma cópia, que tenho aqui comigo. Escute um pedacinho:
“Li muitos posts marcados por uma certa euforia ingênua, meio no estilo daquele sentimento da ‘pátria de chuteiras’ tão comum nas copas do Mundo, pelo fato, inclusive, de ser a primeira mulher a abrir uma Assembléia Geral na história da organização.
A euforia é compreensível, embora a simbologia do fato esteja absolutamente atrelada ao cruzamento da coincidência de que, pela primeira vez, o país a quem cabe, por tradição, abrir a assembléia, esteja sendo dirigido ocasionalmente por uma mulher.
Portanto, é um ineditismo atrelado ao outro, o que num mundo onde as mulheres têm alcançado cada vez mais posições de comando, não deveria chegar a surpreender. O fato é que Dilma não estava lá por ser mulher, mas por ser presidente do Brasil.
Dado que cada vez menos a diferença de gênero tem importância determinante na política global, o que há de importante a discutir é o conteúdo do discurso".
(
Mulher na ONU - Sandro Vaia).
– Sandro o quê, Pedro?
–  Vaia! É jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada” (editora Barcarolla), sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez...
 – É um despeitado! Mais um machista perebento. Merece uma vaia colossal. Dilma é uma mulher que é presidenta do Brasil. Ademais, ele está mais por fora do que qualquer coisa. Até as crianças daqui desse mato sabem por que o Brasil fala na Abertura da Assembleia Geral da ONU. Pode perguntar que eles vão responder certinho: “Tradição da ONU mesmo, desde 1947, quando o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha (1894-1960) foi o primeiro orador da primeira Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas...”– Calma Dona Lô, não se afubele!
– Olhe Pedro, diferença de gênero tem cada vez mais importância na política, oxente! E chega, Pedro: Dilma brilhou em Nova Iorque. Fez bonito! Disse tudo o que precisava. Com todas as letras. Sem meias palavras, que ela não é disso. Nunca foi! "Dilma na ONU repreende China e EUA e reconhece Palestina", como escreveu Paulo Henrique Amorim. Depois, vamos ver aqui, o que os discursos vão adensar a prática de governo. Ou não? E vamos cuidar dos nossos peixes... Tá na hora!  Hoje é sábado e estou dando umas férias para as conversas políticas, está bem?



Fazenda Matinha de Dona Lô, 25 de setembro de 2011

Íntegra do discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura da Assembleia-Geral da ONU

 
A presidente Dilma Rousseff é cumprimentada na chegada ao Hotel Waldorf Astoria, onde ficará hospedada (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)A presidente Dilma Rousseff é cumprimentada na
chegada ao Hotel Waldorf Astoria, em Nova York,  no domingo (Foto: Roberto Stuckert Filho /
Presidência)


Agenda da presidenta Dilma em Nova Iorque (17 a 22 de setembro de 2011) 17.09.2011: 23h - Partida para Nova Iorque (Estados Unidos)
Base Aérea de Brasília (DF)

18.09.2011[Horário local de Nova Iorque (Estados Unidos): menos 1h em relação a Brasília]
06h30 - Chegada a Nova Iorque (EUA)
Aeroporto John F. Kennedy

19.09.2011[Horário local de Nova Iorque (Estados Unidos): menos 1h em relação a Brasília]
09h - Abertura da Reunião de Alto Nível sobre Doenças Crônicas Não -Transmissíveis
Sede da Organização das Nações Unidas (ONU)
15h - Colóquio de Alto Nível sobre Participação Política de Mulheres

20.09.2011[Horário local de Nova Iorque (Estados Unidos): menos 1h em relação a Brasília]
13h30 - Reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
Hotel Waldorf Astoria
14h - Cerimônia de lançamento da parceria para governo aberto
15h45 - Encontro com o presidente do México, Felipe Calderón
19h30 - Jantar por ocasião da entrega à Presidenta da República do Prêmio por Serviço Público oferecido pelo Instituto Woodrow Wilson The Pierre Hotel

Presidenta recebe em Nova York o Prêmio por Serviço Público, oferecido pelo Instituto Woodrow Wilson. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

21.09.2011[Horário local de Nova Iorque (Estados Unidos): menos 1h em relação a Brasília]
08h30 - Audiência concedida ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon
Sede da ONU
09h - Abertura do Debate Geral da LXVI Assembleia-Geral das Nações Unidas
12h30 - Almoço privado
Hotel Waldorf Astoria
14h45 - Encontro bilateral com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron
15h45 - Encontro bilateral com o presidente da França, Nicolas Sarkozy
16h45 - Encontro bilateral com o presidente do Peru, Ollanta Humala
17h30 - Encontro bilateral com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos
20h00 - Jantar em homenagem à Senhora Presidente da República, na Residência Oficial da Representante Permanente do Brasil junto à ONU,  Embaixadora Maria Luíza Ribeiro Viotti  (123 East, 79 Street)

22/09/2011 [Horário local de Nova Iorque (Estados Unidos): menos 1h em relação a Brasília]
08:00h - Reunião de Alto Nível sobre Segurança Nuclear ONU, Plenário da Assembleia Geral

A presidente Dilma Rousseff, durante discurso sobre energia nuclear, na Reunião de Alto Nível sobre Segurança Nuclear da ONU. (Foto: AP)A presidente Dilma Rousseff, durante discurso
sobre energia nuclear, na Reunião de Alto Nível  sobre Segurança Nuclear da ONU. (Foto: AP)


Obama, puxa cadeira para a presidenta Dilma sentar durante cerimônia da ONU
Dilma Rousseff se encontrou com Barack Obama em um hotel em Nova York


A presidente Dilma Rousseff durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York (Foto: Reuters)A presidente Dilma Rousseff durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York (Foto: Reuters)
Discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura da Assembleia Geral da ONU

“Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser,
Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo,
Senhoras e senhores,

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.
É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.
Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.
Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.

Senhor Presidente,
O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações.
Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.
Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.
Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.
Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.
Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.
O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise – a do desemprego – se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta.
Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.

Senhor Presidente,
É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.
Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.
Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.
O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política.
Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.
As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.
Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.
Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.
Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.
Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.
A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial.
O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.

Senhor Presidente,
O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.
Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.
Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.
Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança; e que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.
É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.
Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.

Senhor Presidente,
Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar “Primavera Árabe”. O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.
É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.
Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.
Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento.
O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.
Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.

Senhor Presidente,
A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.
O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.
O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.
No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.
O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.

Senhor Presidente,
Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.
Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.
O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.
Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser.

Senhor Presidente,
O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.
Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012.
Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam.

Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,
O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.
O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.
No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.
Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.
Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.

Senhor Presidente,
Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.
Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.
Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.
E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.
Muito obrigada.”


FONTE: Blog do Planalto

HINO DO ESTADO DO MARANHÃO
Letra de Antônio Baptista de Godois
Música atribuída a Antônio dos Reis Raiol


I
Entre o rumor das selvas seculares,
Ouviste um dia no espaço azul, vibrando,
O troar das bombardas nos combates,
E, após um hino festival, soando.
Estribilho
Salve pátria, Pátria amada!
Maranhão, Maranhão, berço de heróis,
Por divisa tens a glória
Por nume, nossos avós.
II
Era a guerra, a vitória, a morte e a vida
E, com a vitória, a glória entrelaçada,
Caía do invasor a audácia estranha,
Surgia do direito a luz dourada.
III
Quando às irmãs os braços estendeste,
Foi com a glória a fulgir no teu semblante
E sempre envolta na tua luz celeste,
Pátria de heróis, tens caminhado avante.
IV
Reprimiste o flamengo aventureiro,
E o forçaste a no mar buscar guarida;
Dois séculos depois, disseste ao luso:
- A liberdade é o sol que nos dá vida.
V
E na estrada esplendente do futuro.
Fitas o olhar, altiva e sobranceira,
Dê-te o porvir as glórias do passado
Seja de glória tua existência inteira.


FONTE: Tá lubrinando - escritos da Chapada do Arapari

12 comentários:

  1. Glicirene Almeida Costa27 de setembro de 2011 08:56

    Muito massa! Estou morrendo de inveja das meninas do Grupo Escolar da Chapada do Arapari! E que café búlgaro-mineiro!

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  2. Arrrrrrrrrrrrrrrrrrrrre ééééégua! Que café búlgaro-mineiro arretado! Eu amo Queimadinha de leite com canela!

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  3. Estou boquiaberta e morrendo de inveja das meninas da Chapada do Arapari

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  4. Carla Teixeira Rolim27 de setembro de 2011 12:16

    Dona Lô, mulher gostei! Dos louvores e das críticas. O café búlgaro mineiro foi nota dez

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  5. Maria Aparecida Feitosa27 de setembro de 2011 12:19

    Dona Lô, amiga, dê um cheiro em Estela, por mim. Ela foi perfeita ao dizer:
    "– O Governo Dilma nem toca em atenção integral à saúde da mulher. Entendo que a sinalização necessária é a saúde integral. Mas, quem sabe, depois dos aplausos de Nova Iorque a coisa entre nos eixos... Mas não tenho muita esperança, não! Depois de, praticamente, um ano de governo, podemos dizer que foi feita a opção de não triscar em nada que amargue na boca do Vaticano. Dá pra perceber que a terminologia direitos reprodutivos foi proscrita do Ministério da Saúde! Só se fala em saúde materna. Melhorou um tiquinho porque até tentaram ressuscitar o conceito de saúde materno-infantil? Ou não foi?."

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  6. Dona Lô, aprendo muito com você

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  7. Cida, a Estela está certa no comentário dela.
    E Dona Lô é uma mestra. Sabe separar o joio do trigo

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  8. Não gostei, mas socializo:

    DILMA NA ONU
    Mulheres à frente
    Por Carlos Brickmann em 26/09/2011 na edição 661

    Muita festa jornalística pela primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU. Muito barulho por pouco: o fato novo foi que uma mulher se elegeu presidente do Brasil. Dilma não abriu a Assembléia Geral por ser mulher, mas por ser presidente do Brasil. E, se for para levar o assunto a fundo, Lula foi o primeiro ex-operário a abrir a Assembléia Geral. E Fernando Henrique, o primeiro, para usar sua própria definição, mulatinho com um pé na cozinha. Itamar Franco foi o primeiro cavalheiro de topete; Fernando Collor, o primeiro carioca de nascimento com carreira política em Alagoas. E José Sarney, com aqueles inacreditáveis cabelos furta-cor, foi o primeiro Sarney a abrir a Assembléia Geral da ONU.

    Como já se disse frequentemente neste país, menas, menas. O discurso de Dilma teve muitas platitudes. Parece que ela é a favor da paz, contra a guerra, a favor do desenvolvimento econômico, contra a arrogância das grandes potências, contra jogar bombas atômicas uns nos outros etc., etc. Houve assuntos em que definiu posições, como no caso do Oriente Médio. No meio, abriu campo para os defensores da geração de eletricidade a partir da energia nuclear, no Brasil – exatamente no momento em que até os alemães, líderes tecnológicos no setor, não apenas abandonam a construção de usinas atômicas como determinam o fechamento das já existentes. E, como de hábito, teve muito mais espaço na imprensa brasileira do que na estrangeira.

    Mas voltemos à questão de gênero. Itamar Franco sempre usou roupas modestas, sem se preocupar muito com o tema. Fernando Henrique, Fernando Collor e Lula tinham mais cuidado com a elegância, com ternos de grife, gravatas escolhidas, penteados cuidadosos. Sarney usava seus famosos jaquetões, que combinavam com a cor dos bigodões naquele dia. E ninguém jamais se preocupou em analisar a vestimenta dos presidentes.

    Mas Dilma é mulher. E a imprensa foi ouvir consultoras de moda sobre as roupas que escolheu. Francamente, senhoras e senhores! Quer dizer que, porque a presidente é mulher, é preciso discutir moda e cabelos? É preciso discutir o equilíbrio das cores e o tamanho das mangas com a mesma ênfase com que se discute aquilo que disse? Já não bastam as entrevistas em que perguntam se ela sabe cozinhar? Os discursos da presidente são peças políticas, a presença da presidente é política; não tem sentido analisá-la como se fosse um concurso de miss. A imprensa inteira achou inadequados os comentários do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi a respeito da chefe de governo da Alemanha, Angela Merkel; mas acha correto comentar, a cada evento, a aparência da chefe de Estado e de governo do Brasil. Ou seja, a crítica a Berlusconi não é pela mistura de política e aparência; é apenas por ser depreciativa e grosseira.

    Presidente é presidente, seja homem ou mulher. Tratar de maneira diferente os presidentes, só por questão de gênero, é mau jornalismo. E, mais ainda, provincianismo.

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/-mulheres-a-frente

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  9. Dona Lô é minha ÍDALA!

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  10. Estela e Dona Lô estão certas

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  11. É, dona Lô sabe fazer as coisas. Tem moral e autoridade para dizer como vão as coisas no governo. Vutou em Dilma e fez campanha para ela. Se intrigou até com o padre do lugar.
    Mas ao mesmo tempo sabe fazer a disputa política, defendendo Dilma quando necessário, não entregando-a na bandeja para os inimigos.

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  12. Fiquei fascinada por Dona Lô, como ela vê e toca a vida

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