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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Gracinha “inticando” com Dona Nem “pucardi” de Dilma


Dilma Vana Rousseff 


Dilma Rousseff com a filha Paula

Dilma Rousseff com o neto Gabriel
Fátima Oliveira

Gracinha estava em casa quando chegou Dona Nem, a professora diretora do Grupo Escolar da Chapada do Arapari, que foi coleguinha de brincar de Dona Lô e se formou professora pelos esforços da mãe e da avó dela e de Donana, que a vida toda deu os livros de Dona Nem, desde “pequitita”.
De vez em quando ela aparece em Dona Lô. Hoje veio trazer doces de casca de laranja-da-terra, especialidade da família dela, desde nem sei de quando. É que esse doce é de muita ciência. Nem todo mundo consegue fazê-lo, de tão trabalhoso que é. Precisa ter “mão boa”, mesmo! "Se num tiver mão boa", como diz Gracinha, “disunera” o doce!
Na casa de Dona Nem há três pés de laranja-da-terra que são joias especiais. Ela e suas irmãs fazem doces de laranja-da-terra em compota e cristalizado. Também fazem “Tirinhas de laranja cristalizadas”, com laranja comum. Só delícias!
Todo ano antes do Natal ela brinda a Casa de Donana com três regalos, ou seja, os três tipos de doce. É uma tradição, desde sua avó, que, conforme Gracinha, também fazia o mais saboroso “Arroz doce de maracujá” que ela já comeu na vida!
Ao recebê-la, Gracinha agradeceu os mimos em nome da dona da casa e disse-lhe que Dona Lô viajara. Nada planejado. De repente precisou ir. E só regressaria depois do Natal, a tempo de viajar para posse de Dilma em Brasília.
Espantada e querendo saber se não haveria almoço de Natal na Casa de Donana, Dona Nem inquiriu também: “E Dona Lô viajou pra onde?”
– Foi pro dentista dela, lá num sei onde. Ela “inté” disse, mas esqueci o “diacho” do nome do lugar! Ah, imagina se não haverá almoço de Natal! Como diz Dona Lô: receber reisado e almoço de Natal aqui em Casa de Donana, são tratos certos. Já se faz há tantos que elas se realizam sozinhas, assim como no piloto automático. “Sacomé”, né mesmo? Não é “pucardiquê” Dona Lô precisou ir numa diligência que não acontecerão. Pode vir que são coisas certas, viu professora? Eu e Estela com sua família estaremos aqui recebendo todo mundo. Com a hospitalidade de sempre da casa.
– Hem-hem... Estranho.
– Estranho “pucardiquê”?

Dilma Rousseff com a filha Paula e a mãe Dilma em sua Cerimônia de Diplomação
– É que estão dizendo que Dona Lô foi para a diplomação da Dilma... Foi dia 17, não foi? O mesminho dia em que ela viajou. Deve ter ido no primeiro vôo que passa pra Brasília, não foi? – E se foi, “qualé” o pó?! Ela vive às suas próprias custas e não tem de dar saber a Seu Ninguém de sua vida, pois não?
– Nada! Não se avexe não, Gracinha! Só pra saber mesmo... Se ela foi é porque foi convidada, né não? Aí o padre estava certo de dizer que Dona Lô e ela, a Dilma, foram colegas... Que tal?
– ...
– Mas claro que sim! Pois a diplomação dos eleitos não é uma cerimônia abeeeeeeeerta. Isto é, não é aberta ao grande público. É só para convidados. Se bem que pra mim é muito importante, tanto quanto a posse. Sem diplomação não pode haver posse, né não?
Gracinha ficou olhando Dona Nem de cima a baixo, sem entender onde ela queria chegar. Ela andava meia afastada das coisas de Dona Lô. Dizem que é amiga do padreco, e até outras coisas “os povo” fala, pensou. Falam também que ela não votou em Dilma. Votou naquele outro... Mas, “cala-te, boca Gracinha! Fica aí bispando pra ver onde ela vai chegar”...
– Hem-hem... E a cultura é sempre festa de posse, de diplomação não, onde vai mais só a família de quem se elegeu...
–...
– Falando em família, “cê” viu que a Dilma convidou os dois ex-maridos para a diplomação dela?
– “Queta”, siá! Isso é coisa de mulher poderosa, eheheheh... Sabe o que acho? Que Dilma é gente muito boa. Muito mais do que a gente pensa. Sabe “pucardiquê”? Eu num dou conta de ser amiga de um ex-marido, mas não dou mesmo! Você vê que o tal pai de Cesinha, nem falo. E faz muitos anos. Num dou nem bom-dia, nem boa-tarde e muito menos boa-noite! Por mim, ele pode ir pras profundas dos infernos e esturricar no fogo do inferno! E ainda acho é pouco!
– ...
– Pense numa pessoa de coração bom, mas tão bom que até é amiga de dois ex-maridos? É a Dilma! Demais, não? Tem de ser admirada. É uma qualidade isso. E que qualidade!
– Caaaaalma Gracinha! Há gente mais civilizada que você, minha nega! E ela, Dilma, é amiga de dois ex-maridos! Eita “mudenidade”! Aliás, é “mudernidade” demais pro meu gosto, também. Sim, pode não ser uma qualidade como você acha que é... Sei lá! É pra gente pensar.
E Gracinha, bem antenada, ficou se roendo de raiva, pois pensou: “Se vale pra todo mundo, por que não vale pra Dilma, hein sua caninana?” Só pensou, mas não disse nadica de nada. Imaginou que Dona Nem apareceu só pra fuxicar. Claro que ela sabia que Dona Lô não estava em casa! A vontade que tinha era de perguntar se era verdade o quê “os povo” falava que Dona Nem era “quenga” de padre... Mas deixou pra lá.
Todavia resolveu dar uma alfinetadinha, de leve: “Hem-hem... Se bem que eu acho que agora mais do que antes, ela tem de gostar muuuuuuuuuuuuuuuito deles dois”...
– ...
– Sabe “pucardiquê”? Se tivesse com “qualiquer” deles, não seria presidenta. De jeito, maneira! Nunca, nunquinha!
– “Quêquisso”, mulher?! Vôte!
– “Quêquisso” coisíssima nenhuma! Marido pode ser o “mais mió de bom”, acha sempre um jeito de atrapaiá. Dum jeito ou de outro. Inda mais sendo político. Não aceita de jeito maneira ficar por baixo da mulher. É um carrancismo dos homens contra as mulheres, isso vem desde os “troncos véios”. Difícil demais de “dismudar”. Ainda vai nascer o bonito que aceite. Ô raça! “Homem é arrumação do ‘satanico’: quando num mata, aleija!”
– Deixe de ser “intiqueira”!
– Intiqueira, eu? Háháhá... Ô Dona Nem, minha leitura é pouca, bem pouquinha, mas eu dou conta de ler tudo o que me cai nas mãos. O Cesinha copiou do computador uma “reportagem” dada pelo pai da filha de Dilma, o segundo marido. E eu li. Pois olhe, vou lhe dar a minha cópia! Coisa de admirar mesmo! Lendo aquilo ali a gente conhece o caráter de nossa presidenta. Se eu já admirava a Dilma, depois que li aquilo, ela cresceu muito mais em meu conceito. Ali é mulher conceituada!
– E você acha que não li essa entrevista, não? Pois li! O Cesinha teve o cuidado de ir lá em casa e deixar uma cópia. Eita menino danado! E quando chegou lá em casa foi logo dizendo: “Professora, quero lhe pedir que leia isso pra ficar conhecendo melhor a nossa presidenta”.
– ...
– Gostei de ler. E, falando com sinceridade, depois que li achei impossível alguém depois de ler o que li não admirar a Dilma. Você tem razão Gracinha. É extraordinário que uma mulher consiga ser amiga de dois ex-maridos. Falando franco, Dilma é a primeira mulher que conheço que dá conta de tal façanha! Pois é uma façanha! O dr. Carlos Araújo, ele é advogado, o segundo marido da Dilma, o pai da filha dela, até contou que tanto ele quanto a Dilma são amigos do primeiro marido dela, o... Ah, lembrei: Cláudio Galeno Linhares, jornalista. Oh, dois maridos de nomes com a letra “C”!
– ...
– Ele, o segundo marido, o Carlos, disse que quando o primeiro marido, o Cláudio, voltou do exílio, em 1976, foi morar na casa do casal, Dilma e Carlos, em Porto Alegre, com a mulher e os filhos! Que coisa, não? Quer dizer, tudo amigo, amigo!
– É que Dilma, e aí está a prova, é mulher indo e voltando, civilizada até demais da conta, para usar a palavra da senhora. Mas “pucardiquê” a senhora passou as “inleições” todinha indo de casa em casa com o padre falando que Dilma não prestava que era “prumode” “os povo”, “os pessoal” num dar o voto nela?
–...
– Mulher, pra senhora, que é uma professora, foi feio demais sair falando por aí de outra mulher! Eu, que quase não tenho leitura, assim compreendo. Dona Lô sempre diz que uma mulher deve dar cobertura para outra, sempre! E acho que esse é um “ensino” certo, “pucardiquê” tudo no mundo é pra ferrar a mulher. É uma “disgrota” total, a senhora bem sabe.
– Ah, Gagá, já passou! Ela se elegeu e é a presidenta. Não vamos desencavar defunto, não! Está bem? Pra mim encerrou. De verdade. Eu me enganei. Ou melhor, fui enganada. Estou até com vontade de ir pra Brasília com as mulheres de Dona Lô, sabia?
E Gracinha, que estava enxugando um prato, se alvoroçou tanto com o que ouviu que o prato fez “plaft”, espatifando-se no chão...

Chapada do Arapari, 20 de dezembro de 2010

Carlos Araújo O depoimento do companheiro de Dilma

Carlos Araújo


02/10/2010 - 14:51
Às vezes surgem sopros de jornalismo na velha mídia que, por unusuais, acabam passando despercebidos. Hoje me chamaram a atenção para essa entrevista de O Globo com Carlos Araújo, que por trinta anos foi marido de Dilma Rousseff e pai de sua única filha. Saiu na mesma edição de domingo sobre o aborto, uma reportagem que lembrou o velho O Globo de anos atrás.
Uma bela entrevista, com perguntas secas, respostas objetivas e tocantes.
Doente, com enfisema, Carlos tem a companhia da ex-sogra dona Dilma Jane, mãe de Dilma. Quando Dilma teve câncer, passou dez dias com ela.


'Em casa nunca teve murro na mesa'
Entrevista ao jornal O Globo
O advogado Carlos Araújo, de 72 anos, é só elogios à ex-mulher, Dilma Rousseff; inclusive sobre seu temperamento forte
ENTREVISTA
Carlos Araújo


No casarão às margens do lago Guaíba, em Porto Alegre, as únicas reminiscências dos tempos de militância e da luta armada do casal Vanda e Max são quadros na parede com fotos do comunista Mao Tsé-Tung. A casa foi dividida pelos dois por 30 anos. Hoje, está tomada por fotos da filha dos dois, Paula, e pilhas de cartazes de propaganda da campanha da agora ex-mulher de Max, que, na verdade, se chama Carlos Araújo: Dilma Rousseff, a Vanda.
A rotina do advogado de 72 anos, que se levanta às 3h para ir ao escritório, onde defende causas de operários, em nada se parece com o glamour da vida de Dilma em Brasília. De hábitos simples, Carlos sofre de enfisema.
Vive acompanhado de dois cachorros e, atualmente, da ex-sogra, dona Dilma Jane, e de uma tia da candidata, dona Arilda. Apesar do tubo de oxigênio na sala e da proibição de fumar, não foi desautorizado pelos médicos a tomar uma cervejinha diária, “não muito gelada”.
Há dez dias, ele relembrou sua história com a ex-mulher, que acompanha da sala com dois telões de LCD — um para o noticiário e outro para os jogos de futebol.Carlos diz que não ajuda na campanha por causa da doença, que o impede de suportar o clima seco de Brasília. A última vez que visitou a ex-mulher foi quando ela teve câncer, no ano passado. Ficou com ela uns 10 dias no início do tratamento. Em setembro, voltaram a se encontrar, quando ela esteve no Rio Grande do Sul: — Não faço nada na campanha. Gostaria muito de estar em Brasília, na retaguarda, ajudando em algo. Mas não posso.
Após a separação, no fim da década de 90, Dilma comprou um apartamento no mesmo bairro para que os dois continuassem próximos, por causa de Paula. Dilma não se casou novamente.
Carlos tem uma namorada, que diz dar-se muito bem com Dilma.
— Presidente tem essa coisa da primeira-dama. Se um dia a Dilma precisar, estarei a seu lado — diz Carlos.
Viveram 30 anos juntos e até hoje Carlos tem admiração inequívoca pela ex-mulher. O temperamento forte dela não é negado por ele. Mas “aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa”, diz ele sobre a fama da ex-ministra em Brasília. Em entrevista ao GLOBO, Carlos relembra o passado e diz acreditar na vitória de Dilma.
Maria Lima* e João Guedes


PORTO ALEGRE
O GLOBO: Quando e onde o senhor conheceu Dilma?
CARLOS ARAÚJO: Em 1969, no Rio, numa reunião. Ela era da Colina, e meu grupo não tinha nome. Com a fusão, virou o Var-Palmares. Ela tinha 19 anos e eu, 30. Na segunda reunião, já estava apaixonado. Um mês após, estávamos morando juntos.
Ela era linda, um espetáculo! Esse negócio que falam de amor à primeira vista, né?
O que mais chamou sua atenção em Dilma?
CARLOS: Ela ser tão jovem e tão entregue à luta política.
Uma inteligência muito forte e pujante. E sua beleza.
Que música marcou a relação?
CARLOS: Rita, do Chico Buarque. Namorávamos, às vezes, no apartamento em que a gente ia, mas a gente não podia ficar por questão de segurança. Namorávamos em praças, bairros mais retirados. De vez em quando ali por Ipanema, Jardim de Alá.
Mas ela já era casada (com Claudio Galeno Linhares)…
Cláudio Galeno de Magalhães Linhares

CARLOS: Mas só formalmente, o casamento já estava se desfazendo, não conviviam mais, viviam foragidos. Quando nos conhecemos, ela falou para o marido que íamos viver juntos. Eu e o marido dela ficamos amigos, militamos juntos. Ele foi para o exterior, se casou, teve filhos. Em 76, voltou e veio morar na minha casa. Eu o abriguei por um bom tempo.
Moraram os três nesta casa?
CARLOS: Eu e Dilma morávamos aqui. Ele veio com a mulher e os filhos.
Não tinha ciúmes?
CARLOS: Podia ter ciúmes de outra situação, não dele, cada um já tinha seu rumo. Sou um bom ex-marido. Falo bem da Dilma, não é? Não falo mal.
Nesses 30 anos de convivência, em que momentos ela era mais brava e mais delicada?
CARLOS: Não existe pessoa mais ou menos brava. Dilma sempre teve temperamento forte, é da personalidade dela. O que tirava ela do sério era deslealdade, falta de companheirismo, a pessoa não ter palavra, dar bola nas costas. Não sei como ela faz lá (em Brasília). Aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa.
Quem mandava na casa?
CARLOS: Nossos parâmetros não eram esses, de quem manda, não manda. Éramos companheiros.
Não era nosso estilo um mandar no outro. Foi uma bela convivência. Tivemos uma vida boa juntos, tenho recordação boa, não é saudade.
Como foram as prisões?
CARLOS: A dela foi em São Paulo. Ela foi presa sete meses antes de mim. Eu estava no Rio.
Como ficou sabendo?
CARLOS: Quando ela foi presa, a primeira coisa que fiquei sabendo foi seu nome verdadeiro, que não sabia durante o ano que vivemos juntos. Naquele tempo, eles publicavam o nome, de onde era, filho de quem, logo em seguida. Soube que ela se chamava Dilma porque vi lá: filha de fulano, mineira. Até então, a única coisa que sabia dela era que era mineira. Pela regra de segurança, ninguém sabia nada de ninguém. Ela também não, sabia que eu era Carlos.
Se encontraram na prisão?
CARLOS: Fui para São Paulo. Antes, ficamos incomunicáveis. Era uma loucura! Tinha cartazes nas ruas, aeroportos, rodoviárias, com nossos nomes e foto escrito “procurados”. Depois que fui preso, passei por um lugar por onde ela já tinha passado, na Rua Tutoia, na tortura.
Depois fui para o Dops e para o presídio. Ela já estava no presídio, mas não nos vimos. Três meses depois, ia ser transferido para o Rio, me botaram num camburão e eu vi, de longe, que ela estava no outro camburão.
Íamos ser ouvidos no Rio e fomos para a frente do juiz. Nos abraçamos rapidamente e logo nos separaram. E só fomos nos ver de novo um ano depois, no presídio de Tiradentes, em São Paulo, onde tínhamos direito a receber visita da família juntos.
Três anos depois ela foi solta e o senhor não…
CARLOS: Sim. Ela foi a Minas, visitar os pais e veio morar nesta casa, com meus pais. Depois que fui solto, moramos juntos 30 anos.
O senhor foi para o presídio da Ilha da Pólvora..
CARLOS: Eu ficava na prisão e ela aqui. Não dava para fugir de lá, era uma ilha pequena. A gente não ficava na casa da pólvora. Só à noite. A prisão era a ilha.
Naquele momento, achava que ela ia chegar tão longe?
CARLOS: Ninguém achava, né? Não fazia parte dos projetos: ah, quero ser presidente! Não tinha ambição nenhuma. Ela queria se formar em economia e fazer política.
(Quando Lula a escolheu) Acho que ela estava no lugar certo na hora certa. E o Lula escolheu muito bem. Que presidente pode contar com uma pessoa como a Dilma, confiar cegamente que não vai ter bola nas costas? Ela tem o sentimento profundo da lealdade.
Foi difícil para ela passar por essa transformação? Plástica, cabelo, voz…
CARLOS: Não foi nenhum sacrifício.
Fui até enfermeiro dela quando fez a plástica. Dilma nunca se preparou para ser presidente e teve que encarar. A plástica foi bem, não foi aquela coisa exagerada, ela assimilou bem, acho que gostou.
E o guarda-roupa, o senhor acha que melhorou?
CARLOS: Está bom. Melhorou.
Antigamente, a Dilma era como eu. Sou atirado nas cordas. Ela também era meio atiradona mas, depois de um certo momento, ela tomou gosto. Gostou de se pintar. Gostou de se arrumar bem, de ir no cabeleireiro toda a semana, fazer as unhas.
O senhor é confidente dela?
CARLOS: Não. Sou amigo. Minha vida com a Dilma é uma vida não-política. Quando o Lula acenou para ela, ela veio conversar comigo e Paula. O que vocês acham? Ela não tinha dúvida, queria conversar. Disse que estava em condições, que ia se preparar da melhor forma possível.
Não titubeou, nem tinha receio.
Pelo menos, não revelou.
Aí veio a doença…
CARLOS: Nos pegou desprevenidos.
Quando ela falou a primeira vez, ficamos muito emocionados, sensibilizados, preocupados.
Mas ela disse: tudo indica que é benigno. Ela disse que tudo indicava que não era maligno, mas sentia energia de enfrentar a situação mesmo que fosse o pior. A gente só pensou em dar carinho e ser solidário.
Temeram pela campanha?
CARLOS: Não. Mesmo porque quando vieram os resultados, que era benigno, que era curável rapidamente, com equipe de bons médicos… Não era maligno.
Ela fez quimioterapia para cortar aquele quisto, para não se tornar maligno.
O que o senhor sente ao ver na internet que a Dilma é uma perigosa ex-terrorista?
CARLOS: É a baixaria dos que apoiavam a ditadura para prejudicá-la, para ganhar no tapetão.
O que ela tem de perigosa? A Dilma nunca pegou em armas.
Não era o setor dela.
E qual era o setor dela?
CARLOS: Era o mais político, de organizar movimentos, preparar o pessoal, fazer propaganda.
Desde quando pegar em armas é terrorismo? A gente tem orgulho do que viveu, era uma jovem corajosa, desprendida, entregando sua juventude, sua dor. Foi para a luta achando que ia morrer.
Muita coisa que fizemos foi equivocado politicamente, tudo bem. Mas isso é outra coisa.


* Enviada especial
FONTE: www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-depoimento-do-companheiro-de-dilma

LARANJA-DA-TERRA – conhecida em algumas regiões como laranja-cavalo e em outras como laranja-azeda ou laranja-bigarada, tem cor amarelo-forte com tons avermelhados, forma achatada e não é muito grande. De sabor ácido e polpa suculenta, pode ser consumida em forma de suco, mas a melhor maneira de prepará-la é a compota, tipo de doce em que a casca também pode ser usada.

DICAS CULINÁRIAS
● para tirar o amargor do doce de laranja-da-terra, junte 1 colher (sopa) de sal à calda na hora em que começar a ferver; e
● para que o doce de laranja-da-terra fique mais gostoso, rale a laranja levemente com ralo fino em lugar de descascar.

DOCE DE LARANJA-DA-TERRA EM CALDA (OU COMPOTA DE LARANJA-DA-TERRA)
Ingredientes:
12 unidades de laranja da terra grandes, nem muito verdes, nem maduras (de preferência use as laranjas mais grossas e de cor verde)
2 e 1/2 kg de açúcar comum ou cristal (a quantidade varia a gosto de 2 a 2 e meio quilos, dependendo da espessura e tamanho das laranjas)


Modo de fazer: (passo a passo)
1) Com a laranja ainda inteira, com um descascador de batatas ou uma faca bem amolada ou ainda um ralador, descasque ligeiramente as laranjas ou rale um pouco (eu pefiro o descascador de batatas a ralar) - esse processo irá permitir que o sumo saia da laranja.
2) Corte a laranja descascada em 4 partes iguais, retire o miolo e jogue fora.
3) Lave as laranjas e ponha em um caldeirão de inox ou alumínio. Cubra bem com água fria e coloque no fogo até cozinhar o suficiente - teste com um garfo o cozimento, ou seja, até o garfo atravessá-la com facilidade ao ser espetado.
4) Retire do fogo e substitua a água por outra fervente.
5) Agora vem o processo demorado que é a retirada do amargo do doce, que pode variar de algumas horas até 5 a 6 dias, dependendo do método que você utilizar. Vamos passar 3 métodos:
- Primeiro método - algumas horas. Depois de cozidas as laranjas, mantenha no fogo um outro caldeirão de água e vá trocando as águas da laranja. Troque, deixe um pouco no fogo, jogue fora e troque de novo, sem deixar ferver para não continuar o cozimento delas. Ou seja, você deixa em fogo brando as laranjas e vai trocando as águas, sempre na mesma temperatura.
- Segundo método - 2 a 3 dias. Após cozinhar as laranjas, deixe esfriar totalmente e depois jogue fora a água. Cubra com água fria e leve a ferver. Depois tire do fogo, deixe esfriar e vá repetindo a operação.
- Terceiro método - vários dias.
Depois de cozidas, deixe esfriar e jogue fora a água. Cubra com água fria e deixe por 24 horas. Troque a água no dia seguinte e vá repetindo a operação.
Você deve retirar o amargo, mas não totalmente. Deixe deixar um leve amargor, senão a laranja perde o sabor.
6) Pegue agora um tacho de cobre e areie bem com sal e limão antes de começar a cozinhar, deixando ele brilhando. O azinhavre de um tacho mal areado é veneno.
7) Faça uma calda com o açúcar (2 a 2 1/2 kilos) - basta derreter o açúcar.
8) Coloque no fogo o caldeirão com as laranjas. Quando elas estiverem na mesma temperatura da calda, retire as laranjas com uma escumadeira e passe para a calda.
9) Deixe ferver em fogo bem baixo por muitas horas e se a calda engrossar pingue água fervente.
10) Se você tiver de interromper o processo e continuar no outro dia, retire calda e laranjas do tacho e passe para uma vasilha de louça ou vidro. No outro dia faça a mesma operação, areie o tacho, coloque o doce, leve a ferver em fogo algo e depois abaixe. Se achar pouco açúcar acrescente mais e vá pigando água fervente sempre que a calda engrossar.
11) Vocé saberá quando o doce está pronto depois que as laranjas estiverem brilhando, como que vitrificadas.
12) Se você quiser o doce em calda, deixe a calda atingir o ponto de fio fraco, desligue, retire do tacho as laranjas com a calda e deixe esfriar.
13) Se você quiser secar, deixe a calda atingir um ponto bem mais alto, de fio grosso. Vá retirando as pétalas do tacho, dobre cada uma em 2 partes sobre uma tábua e coloque, sem a calda, em uma peneira. Depois leve ao sol para secar.

Sugestões, acompanhamentos, dicas, etc.
Paciência e higiene são fundamentais. O truque é nunca acrescentar água na panela e depois no tacho em temperatura diferente da do cozimento das laranjas. Se fizer isto o doce, como dizem os goianos, "encroa".
FONTE: www.receitaculo.com/receita/7803/

DOCE DE LARANJA-DA-TERRA CRISTALIZADA
Ingredientes:
2 kg de açúcar;
1 dúzia de laranjas maduras.

Modo de fazer:
Raspar a casca dos frutos com ralo de leve. Cortar a parte inferior em cruz. Retirar os gomos, aproveitando apenas as cascas. Colocá-las num tacho com bastante água e cozinhar em fogo forte. Deixar esfriar.
Passar as cascas para uma vasilha d'água, trocando a água duas vezes por dia. Escorrer bem as cascas numa peneira.
Fazer uma calda rala de açúcar (usar metade do açúcar pedido), adicionar as cascas e levar ao fogo deixando ferver por meia hora. Tirar do fogo.
Repetir a operação de fervura na calda dois dias consecutivos, meia hora cada dia. No quarto dia deixar a calda tomar ponto mais alto.
Para cristalizar: retirar as cascas da calda mais rala, engrossar bem esta, passar as cascas na calda bem grossa, transferi-las para tabuleiro e deixar secar.
FONTE: www.livrodereceitas.com/receitas/mine1452.htm


DOCE DE CASCA DE LARANJA EM TIRINHAS CRISTALIZADAS

Ingredientes:
• laranjas
• açúcar cristal

Modo de fazer:
Lave bem as laranjas, seque-as, descasque sem eliminar a parte branca, e corte a casca em tiras não muito finas.
Deixe as cascas de laranja de molho em água por cerca de 2 dias, trocando a água de 2-3 vezes por dia.
Escorra, pese as cascas de laranja e transfira-as para uma panela com a mesma quantidade de açúcar cristal.
Cozinhe em fogo baixo, mexendo de vez em quando, até que o açúcar seja totalmente absorvido. Preste atenção durante o cozimento (que será cerca de 2 horas) para que o açúcar não grude na panela e não queime.
Retire as cascas de laranja do fogo, distribua-as sobre o papel-manteiga e, quando estiverem mornas, passe-as no açúcar cristal. Conserve as cascas de laranja cristalizadas em uma lata.
FONTE: www.receitinhas.com.br
ARROZ DOCE DE MARACUJÁ

Ingredientes:
1 xícara de chá de arroz
6 xícaras de chá de água
4 xícaras de chá de leite
1 xícara de suco concentrado de maracujá
2 xícaras de chá de açúcar


Modo de fazer:
Numa panela coloque o arroz e a água e cozinhe em fogo baixo até que parte da água evapore e o arroz cozinhe.
Adicionar o leite, o suco de maracujá e o açúcar e cozinhe mexendo de vez em quando até que o arroz fique bem saboroso e cremoso.
FONTE: www.cozinhabrasileira.com/doces/arroz_doce_de_maracuja.html

18 comentários:

  1. Gracinha, minha xará, você arrasou TOTAL!!!

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  2. Valei-me meu São José de Ribamar! Gracinha, tô bege, minha santa! Demais. Pense numa mulher de nariz arrebitado... É Dilma, a poderosa. Que lindo

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  3. De fato um post espetacular. Grande Dona Lô!

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  4. Tem razão Gracinha, a Dona Nem gosta mesmo dum fuxico, mas acho que ela é mesmo é uma jararaca, porque a caninana não é uma cobra venenosa, embora seja agressiva.

    CANINANA - serpente (cujo nome científico é Spilotes pullatus) tem pele amarelada com manchas pretas e vive do litoral do Nordeste ao Amazonas e em países das Américas do Sul e Central, além do México.

    Também é chamada de cainana, jacaninã, iacaninã e araboia, dependendo da região em que é encontrada. Araboia, por exemplo, significa cobra-do-ar, em tupi-guarani, referindo-se ao modo como lança-se de cima das árvores para atacar as presas. Aliás, vive principalmente no alto da vegetação, mas pode ser vista nadando e rastejando pelo chão.

    Venenosa? - Não! Ela não tem presas que injetam veneno. Sua dentição é áglifa, ou seja, os dentes da região do maxilar são pequenos e todos do mesmo tamanho. Mas torna-se agressiva ao se sentir ameaçada. Quando fica brava, costuma inchar o pescoço para parecer maior e assustar possíveis predadores.

    A caninana faz parte da família Colubridae. Alimenta-se de ovos, roedores, aves, pequenos lagartos e anfíbios. O crânio, assim como o das outras serpentes, é diferente dos demais bichos. Permite que a boca abra bastante, fazendo com que consiga engolir animais maiores do que a largura do seu corpo.

    Tem, em média, 2,4 m, mas pode chegar a 3 m. É ovípara; os filhotes se desenvolvem dentro de ovos, fora do corpo da mãe. Ela bota cerca de 15 ovos por vez, que eclodem, em geral, nas estações chuvosas. (Com a colaboração da bióloga Cátia Melo, do Zoológico de São Paulo)

    http://www.dgabc.com.br/News/5793829/caninana-e-ligeirinha.aspx

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  5. KKKKKKKKkkkkk QUENGA de padre, é ótima!
    Gracinha é cria de Dona Lô!

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  6. Muito bom. Demais mesmo. Bem escrito e engraçado.
    E aí, Dona Lô foi ou não foi à diplomação da mulher?
    Devagarzinho, quase parando hoje a nossa presidenta emplacou mais minitras. Até agora são OITO. Totalizando TRÊS a mais que Lula. Poucas? Em termos, o machismo nos partidos ainda é muito forte. A Profa. Dra. Luíza Bairros, apoiada por este blogue, foi confirmada ministra!!!

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  7. Doce de laranja da terra eu sou apaixonada. Fiquei com água na boca só de ler a receita de arroz doce com maracujá. E para mim esse post é muito pedagógico, por tudo

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  8. Ia esquecendo. A viagem de Dona Lô só pode ter dois motivos. Ou ela foi à diplomação da Dilma ou foi namorar. Nada de dentista. Me engana, que eu gosto

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  9. Fátima, que show esse post. Na vida privada é que sabemos quem são mesmo as pessoas. Muito massa a postagem da entrevista com Carlos Araújo, pois nos mostra o ser humano extraordinário que é a nossa presidenta Dilma Rousseff

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  10. Conheço gente que viu Dona Lô na recepção no Itamaraty no dia da diplomação de Dilma

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  11. Maria de Fátima Almeida21 de dezembro de 2010 21:38

    Fátima, eu fiz o arroz doce de maracujá e ficou uma delícia. O episódio é massa. Diz mesmo que a Dilma não é a canina que pintaram no período eleitoral. É uma pessoa do bem.

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  12. Dra. Fátima, ou Dona Lô?

    Nenhuma moldura melhor que o seu blog para a entrevista com Carlos Araújo. Aliás, nada melhor que o seu blog para sentir o entusiasmo provocado pela eleição de Dilma Rousseff Brasil afora, eu suponho.

    Parabéns!

    Boa viagem à Brasília - com suas companheiras - para testemunhar mais uma fantástica alvorada no cerrado, em 1º de Janeiro de 2011.

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  13. Minha gente, eu nem sei há quantos anos eu não ouvia essa palavra "inticar", "inticando". Por todos os santos, me deu até uma aflição e uma moleza por dentro. Quando criança lá no interior do Maranhão, era inticar a palavra usada quando alguém caçava conversa com a gente, ou seja implicava. Ai saudade, das bravas.
    Gracinha está certa, Dona Nem é uma fuxiqueira de marca maior. E foi muito bom ter colocado essa entrevista do ex-marido da presidenta aqui, porque mostra direitinho que pessoa da paz, da boa convivência e do acordo a Dilma é. O resto é fuxicada da oposição.

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  14. Maria Aparecida Damasceno22 de dezembro de 2010 01:17

    Nem sei dizer qual a melhor parte do post. Se o episódio que Gracinha protagoniza, muito bem, ous e a entrevista do Dr. Carlos. Acho que um texto complementa o outro.
    Também acho que Dona Lô foi à diplomação de Dilma.
    Gostaria de socializar um texto de Alexandra Kolontai, que é pertinente nessa discusão de ficar de mal ou se dar bem com ex-qualquer coisa do ponto de vista afetivo. Sem dúvida que a relação de Dilma Rousseff com seus ex-maridos chama a nossa atenção porque é naturalmente civilizada, nos moldes do que ama NOVA MULHER se pauta.
    ************
    TRECHO DE A MULHER MODERNA - I Parte de "A nova mulher e a moral sexual", de Alexandra Kollontai:

    "É certo que a mulher do novo tipo já penetrou na literatura. Mas está ainda muito longe de haver expulsado as heroínas de estrutura moral pertencentes aos tempos passados. Tampouco conseguiu a mulher-individualidade descartar-se do tipo de mulher esposa, eco do homem. Entretanto, é fácil observar que ainda nas heroínas do tipo antigo se encontram, cada vez com maior freqüência, as propriedades e os traços psicológicos que possibilitaram a vida das mulheres do tipo celibatário e independente. Os escritores dotam involuntariamente suas heroínas com sentimentos e características que não eram, de modo algum, próprios das heroínas da literatura do período precedente.(4)
    A literatura contemporânea é rica, sobretudo, em figuras de mulheres do tipo transitório. É rica em heroinas que têm simultaneamente as características da mulher antiga e da mulher nova. Por outro lado, ainda nas mulheres do tipo celibatário já formado, observa-se um processo de transformação dos novos valores, que podem ser abafados pela tradição e por uma série de pensamentos superados. A força dos séculos é demasiado grande e pesa muito sobre a alma da mulher do novo tipo. Os sentimentos atávicos perturbam e debilitam as novas sensações. As velhas concepções da vida prendem ainda o espírito da mulher que busca sua libertação. O antigo e o novo se encontram em continua hostilidade na alma da mulher. Logo, as heroínas contemporâneas têm que lutar contra um inimigo que apresenta duas frentes: o mundo exterior e suas próprias tendências, herdadas de suas mães e avós.
    Como disse Hedwig Dohn, “os novos pensamentos já nasceram em nós, mas os antigos ainda não morreram. Os restos das gerações passadas não perderam sua força, ainda que possuamos a formação intelectual, a força de vontade da mulher do novo tipo.” A reeducação da psicologia da mulher, necessária às novas condições de sua vida econômica e social, não pode ser realizada sem luta. Cada passo dado nesse sentido provoca conflitos, que eram completamente desconhecidos das heroinas antigas. São esses conflitos que inundam a alma da mulher, os que pouco a pouco chamam a atenção dos escritores e acabam por converter-se em manancial de inspiraçao artística. A mulher transforma-se gradativamerite. E de objeto da tragédia masculina converte-se em sujeito de sua própria tragédia."

    http://www.pco.org.br/biblioteca/mulher/novamulher.htm

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  15. Foi a melhor matéria que já li sobr eo caráter da nossa presidente. Indiquei para muita gente.
    E parabéns à Dra. Fatima Oliveira pela criatividade de um blogue com essa finalidade e com a graça e beleza do Tá lubrinando - escritos da Chpada do Arapari. Só li 3 postagens, mas gostei muito

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  16. Massa demais e ainda com gosto de doce de laranja-da-terra... Gente, traz umas compoteiras desse doce aqui pra Brasília no dia da posse da Dilma, por favora, vai! Faz uns vinte anos que não oomo

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  17. Parabenizo pela adequação do conto à entrevista e vice-versa. Ficou um conjunto perfeito

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  18. Essa Dona Lõ foi para a diplomação de Dilma e por lá ficou.
    Não esqueça de nós critura, a posse tá se aproximando.
    Dilma e seus ex-maridos, mulher retada , história de vida comovente.
    Amei a escrita, e que escrita, nossa!

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