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sábado, 4 de dezembro de 2010

Dona Lô em: “A Temer o que é de Temer" – a origem das delegacias de mulheres


Fátima Oliveira

– Ô Dindinha, eu não sabia que o inventor da Delegacia da Mulher no Brasil foi Michel Temer, o vice de Dilma!
– No Brasil só, não! No mundo, Estela! “Cê” sabe que Delegacia da Mulher é uma invenção brasileira. E o criador foi o Temer. Vamos dar a Temer o que é de Temer!
– Ora, então ele é mesmo mais importante do que eu pensava. Assim sendo o perfil dele era o mais adequado, simbolicamente, dentro do PMDB, para ser o vice da primeira mulher presidenta do Brasil, não é?
– Bem possível. É bem possível Estela. Olhe eu não havia atentado para esse aspecto, mas de fato é interessante. E, sendo justa, é bom que resgatemos isso.
– ...
– O que sei da historia é o seguinte: a primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), nasceu com esse nome, em 1985, na cidade de São Paulo. Michel Temer era Secretário de Segurança de Franco Montoro (1916-1999), que governou São Paulo de 1983 a 1987. Ah, ele, o Temer, também criou o primeiro Centro de Atendimento à Mulher (vítima de violência doméstica) – um modelo de abrigo para essas mulheres, também na cidade de São Paulo.

Michel Temer e o então governador de São Paulo, André Franco Montoro, em 26 de outubro de 1986
Michel Temer e o então governador de São Paulo, André Franco Montoro, em 26 de outubro de 1986
 – Ah, escreve um pouquinho sobre isso! Preciso falar sobre o assunto num artigo que estou escrevendo. Tenho de acabar antes de a gente ir pra Chapada do Arapari pros festejos do dia 8 de dezembro. Telefono pra senhora amanhã, tudo bem?
Na noite seguinte toca o telefone...
– E aí Dindinha, escreveu? Então lê rapidinho...


– Nas palavras do próprio Temer “Um grupo de mulheres do ABC paulista me procurou dizendo serem mal atendidas na delegacia. Pensei ‘por que eu não crio uma delegacia especializada no atendimento às mulheres? (...) A mulher chegava dizendo que apanhou do marido e o escrivão, homem, dizia: ‘a culpa provavelmente é sua’. A visão era machista (...) Logo depois de inaugurarmos a primeira delegacia, percebemos que a mulher não podia voltar para casa depois de fazer a denúncia, pois poderia ser agredida novamente. Então, determinei que fosse criado o primeiro Centro de Atendimento à Mulher”.
– Geeeeeeeente, que legal!
– No término do Governo Montoro, as Delegacias da Mulher (DM) já eram 13. Dalí começaram a aparecer pelo Brasil afora. Depois ganharam o mundo! Ainda, segundo Temer: “Acho que este sucesso todo se deve ao papel que o agente público deve ter, de sempre ouvir as demandas da população e dos movimentos organizados. Quando damos ouvidos aos anseios da sociedade, dificilmente, tomaremos medidas erradas”. É isso!
Rosmary Corrêa
Rosmary Corrêa: Primeira Delegada da Mulher do mundo

– Bem eu pensava que as DM’s, enquanto tal, teriam sido ideia do feminismo!
– Não deixa de ser. Havia muita pressão feminista naquela época, igualmente pela redemocratização do país. Mas não a proposta de uma Delegacia da Mulher, tal qual Temer apresentou! Ele a criou respondendo a uma demanda e pressão feministas, é fato! Mas quem gestou e pariu ideia, foi ele, sem dúvida! Foi a solução que apresentou para a demanda que caiu em seu colo.
– Interessante! Muito, meeeeeeeesmo! E o feminismo, como reagiu à novidade?
– Ah, você não imagina, pelo que conta gente que participou de tudo, o fuzuê que foi em São Paulo as conversas do Temer com o movimento feminista! Nada demais. Até bastante compreensível. Muita desconfiança. Era o novo chegando de modo inusitado! Mas também muitas esperanças. Era a época dos SOS-Mulher, projetos alternativos, e de algum modo pilotos, desenvolvidos pelo feminismo, em algumas cidades do Brasil, a exemplo de outros em diferentes partes do mundo, para apoio às mulheres que sofriam violência doméstica. Mas ao fim e ao cabo, a ideia original do Temer prevaleceu, deu certo. E é esse sucesso que vemos por toda parte e o mundo inteiro copia.
– Sei que as DM’s são importantíssimas, mas são poucas. Em setembro de 2010 eram 475. E pensar nesse Brasilzão – onde há 27 Estados e o Distrito Federal; e 5.565 municípios – e as DM’s não chegam a quinhentas, ainda temos muito barro pra amassar. Além do que há problemas no cotidiano da proposta...

– Claro que as DMs precisam de normatização que as padronizem. Não pode cada delegada querer mandar em sua semana. Isto é, fazer o seu serviço segundo pensa, à sua maneira. Mas o núcleo da ideia é maravilhoso. Pense na Lei Maria da Penha sem as Delegacias de Mulheres!
– Entendi, entendi!
– Mas há luz no fim do túnel. No último 13 de setembro o Ministério da Justiça determinou que haverá um padrão DM: a estrutura físicas dos locais e os procedimentos de atendimento terão de seguir as mesmas regras em todo o País. E já está valendo!



– Gracias, madrinha! Pedro quer falar com você. Ia esquecendo! Montei meu presépio de barro, pintado com tabatinga e tauá, feito em Barra, Bahia, pelos artesãos Elson Alves dos Santos, José Geraldo Machado da Silva e Marcelo Gomes da Silva. È pequeninho, mas é lindo! Fiz tudo certinho como tia Donana dizia: “O presépio é montado, sempre, quatro domingos antes do Natal!” Ah, e no dia da entronização do meu presépio fiz um chocolate e biscoito de nata com recheio de goiabada!
– Fez com nata ou com creme de leite?
– Fiz com a nata, a manteiga e a goiabada, Made in Fazenda da Matinha de Dona Lô!
Elson Alves dos Santos, José Geraldo Machado da Silva e Marcelo Gomes da Silva
Chapada do Arapari, 04 de dezembro de 2010


Biscoito de Nata com Goiabada 


BISCOITO DE NATA COM RECHEIO DE GOIABADA

Ingredientes:
2 ovos
2 xícaras de açúcar
800 gramas de amido de milho
2 colheres das de sopa de manteiga (pode ser substituída por margarina)
1 colher das de sopa de fermento em pó
1 pitada de sal
Nata até o ponto de enrolar (pode ser substituída por creme de leite).


Modo de fazer:
Misture tudo e amasse bem. Reservar por meia hora.
Forme bolinhas recheadas de pedaços de goiabada; ou abra a massa, corte no formato de quadrado, coloque um pedaço da goiabada em cada biscoito e feche unindo as duas pontas opostas do quadrado.
Leve ao forno por cerca de 20 minutos ou até dourar.

[rende cerca de 20 biscoitos]




Violência Contra a Mulher

9 comentários:

  1. Sem dúvida um post especial. E ainda fiquei conhecendo mais o nosso vice-presidente eleito. Acho que há má vontade em relação a ele, ou mesmo preconceito por ser um dinossauro do PMDB. Mas foi bom conhecê-lo mais

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  2. Bah! Só delícia de docinhos. O Temer, eu sempre tenho um péa atrás com ele. Sei lá porque, mas agora eu o vejo com mais simpatia.

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  3. Achei um espetáculo! Valeu Fátima

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  4. Mulheres pedem mais proteção
    De janeiro até agora, Rio Preto já registra 3.170 ocorrências de agressão; das quais 468 vítimas estão sob proteção da Justiça a pedido da Delegacia de Defesa da Mulher

    anuncie! Janaina de Paula
    Agência BOM DIA

    Em todo o mundo, uma em cada três mulheres será vítima de violência doméstica ao longo da vida. Os dados são do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas das Mulheres.

    http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Dia-a-dia/39010/Cidade+vai+ganhar+abrigo+regional+para+mulheres+agredidas+dentro+de+casa

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  5. Delegacia de Defesa das Mulheres: permanências e desafios
    Autoria: Giane Boselli
    CFEMEA-Mês/Ano abril/2005

    A trajetória do movimento feminista e de mulheres no Brasil em relação à publicização e combate à violência contra as mulheres iniciou-se praticamente em fins de 1970, com as respostas ao regime de torturas instaurado com a ditadura militar. As campanhas e as denúncias públicas foram intensas, culminando com a gênese de algumas políticas públicas direcionadas ao combate à violência de gênero. A mais consolidada foi a Delegacia de Defesa da Mulher – DDM, criada no país em 1985.

    Muitas eram as expectativas em torno da mais ampla política pública relacionada à violência contra mulher já criada no país. Para a maioria das feministas, a delegacia significaria que aquela violência invisível e sem importância social, finalmente se tornaria pública e notória. Contribuiria para ampliar e reequilibrar a distribuição de justiça, ampliando a cidadania de uma categoria social discriminada e reelaborando o significado da violência com uma perspectiva de gênero (SOARES, 1999).

    No entanto, desde o início, o projeto apresentou características inerentes à maioria dos estereótipos relacionados ao que é próprio ao feminino e ao masculino. Mesmo se tratando de um organismo voltado ao combate à violência contra as mulheres, enfrenta representações discriminatórias por parte da corporação policial e das próprias profissionais que lá atuam.

    A criação deste tipo de estrutura especializada foi uma tentativa de romper com os preconceitos presentes nas outras delegacias. Porém, o preconceito, como a negação do outro diferente, também está presente entre as próprias mulheres. A partir daí, trago o seguinte questionamento para debate: a criação de um espaço composto unicamente por mulheres por si só dissolve a cultura sexista pré-existente na sociedade? Ao invés desta divisão do trabalho por gênero, não seria mais interessante sensibilizar e proporcionar conhecimentos profundos sobre a temática para todos os policiais, indistintamente?

    Contexto anterior à Delegacia da Mulher

    Diversos e latentes eram os problemas no trabalho das delegacias comuns no atendimento e processamento das denúncias de violência doméstica e sexual contra as mulheres. Devido a uma visão de desvalorização da violência doméstica e sexual, havia grande dificuldade, por parte dos policiais e delegados, em reconhecer esse tipo de conflito como crime passível de penalidade. Agressões entre marido e mulher não eram consideradas como questões de polícia, mas incidentes meramente familiares. As mulheres passavam por muita humilhação e constrangimento. Geralmente, eram desencorajadas a prosseguir com a queixa e eram aconselhadas a pensar se não haviam provocado a agressão, principalmente nos casos de violência sexual.

    O novo projeto

    Procurou-se pensar em como viabilizar um espaço com condições adequadas para que as mulheres pudessem denunciar e receber um tratamento especializado. A primeira idéia foi a implantação de um espaço com um quadro de funcionários composto unicamente por mulheres. Em uma entrevista concedida à Lúcia Silva (2001), o Secretário de Segurança Pública de São Paulo deixa clara sua idéia central, dizendo:

    A concepção desta delegacia seria ter uma delegada, com investigadoras e escrivãs também mulheres, porque as mulheres quando lá fossem levar suas queixas sentir-se-iam muito mais à vontade para formulá-las do que numa delegacia gerida por homens. [...] Naquela oportunidade nós nos reunimos com o Conselho Estadual da Condição Feminina e assim é que se formalizou a delegacia, cuja única peculiaridade é o fato de estar integrada pelas mulheres que compreendem melhor as angústias das mulheres. (p. 46-47, grifos nossos)

    Leia o restante do texto em:
    http://www.cfemea.org.br/violencia/artigosetextos/detalhes.asp?IDTemasDados=16

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  6. Bela matéria. Sobretudo justa.

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  7. Penso que os movimentos de mulheres deveriam acariciar o vice, com um reconhecimento pela ideia das Delegacias de Mulheres e dizer que esperamos muito dele

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  8. Maria Solange Reis6 de dezembro de 2010 16:01

    Fátima Oliveira, o que mais gosto em você é o senso de JUSTÇA! A Temer o que é de Temer

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  9. Gostei muito. Eu não sabia dessa grandiosa contribuição que o vice presidente eleito Temer havia dado à luta pelos direitos da mulher

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