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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Dois femicídios seguidos deixam lições para as mulheres

 DUKE


Lei Maria da Penha é uma conquista valiosa, mas pede ajustes
Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br  @oliveirafatima_


Vinte e oito de janeiro de 2012: Karina Angélica Mayer de Almeida, 32, proprietária de uma grife de moda, foi estrangulada em seu apartamento com um fio de ferro de passar roupa. Suspeito do crime: o noivo (ou ex-noivo?), Bruno Henrique Araújo, 27, montador industrial. Em 4 de fevereiro, o corpo do suposto assassino foi encontrado boiando no rio das Velhas, em Raposos (MG). A polícia suspeitava de que a ruptura do noivado foi a causa da ira assassina e aventa que ele cometeu suicídio. 


 (Karina Angélica Mayer de Almeida)


Dois de fevereiro de 2012: Ana Alice Moreira Melo, 35, procuradora federal, foi morta com cerca de 20 facadas, em sua casa. Suspeito do crime: o ex-marido, Djalma Brugnara Veloso, do ramo de locação de veículos, com quem era casada desde 2001 e teve dois filhos, de 7 e 2 anos. 


  (Ana Alice Moreira Melo)

Separados há duas semanas, período no qual ela solicitou às autoridades proteção de vida duas vezes, em 3 de fevereiro o suposto assassino foi encontrado sem vida no motel Capri, em Belo Horizonte, com cerca de 28 facadas. A tese é de autoextermínio. As causas da separação são segredos enterrados. E as conjecturas serão sempre hipóteses sem serventia. 




A rigor, o que levou dois homens a matar mulheres a que, teoricamente, amavam, pois "quem ama não mata", é desconhecido. Aparentemente não programaram matar naquele momento - usaram instrumentos caseiros. É incomum femicídio seguido de suicídio, logo dois casos na mesma cidade e semana chamam a atenção pelas evidências de sentimento de propriedade privada para com as mulheres. Relembrei vovó Maria, que, a cada novo pretendente, indagava, matreira: "E como ele é com a mãe? Não se meta com homem que não respeita a mãe! Se não respeita a mãe, qual outra mulher vai respeitar?". 


 Recorri à amiga Regina Lunardi, que lê tudo sobre mulheres assassinadas. "Tá vendo, Fafá, já disse pra essas meninas daqui de casa (tem quatro filhas): ‘Separou, a primeira providência é trocar as chaves da casa’; a segunda é ‘não aceitar conversar com o sujeito em casa, só em lugar público’. Temos de ensinar pras mulheres: nunca deixar de denunciar, mas têm de andar sempre com endereço de chaveiro 24 horas e guardar um dinheirinho para trocar fechaduras, pois a gente nunca sabe quando vai precisar! Ah, e acreditar que quem diz que mata, um dia faz!". Ela é incansável em repassar um sábio ensinamento, aprendido com sua mãe, de "‘levar sempre a briga pra cozinha’; vá saindo de mansinho, seja de costas, como quem não quer nada, até a cozinha, pois a cozinheira-testemunha pode até salvar a sua vida, se necessário". 


 A Lei Maria da Penha é uma conquista valiosa, mas está na praça tempo suficiente para quem de direito, no caso a Secretaria de Políticas para as Mulheres, proceda a alguns ajustes. O primeiro é blindá-la contra interpretações segundo a moral de quem a opera - o que explica um juiz conceder proteção de vida aos pedaços, obrigando à vítima a refazer a petição para acessar as medidas protetivas de modo integral, a não ser juízo de valor de uma lei? 



ONU diz que Lei Maria da Penha é pioneira na defesa da mulher

Em segundo, incluir atenção e medidas que cerceiem a alta periculosidade, cientificamente comprovada, de personalidades bandidas e criminosas, decorrente da falta de limites morais, o que lhes confere exacerbação do potencial ofensivo de violência. Nem todo homem que bate em mulher e a ameaça de morte é sociopata, mas os insanos morais são muito mais perigosos. 
Se a vítima denuncia e, assim mesmo, perde a vida, cabe à sua família acionar o Estado por omissão na proteção da vida das mulheres.




Publicado no Jornal OTEMPO em 07.02.2012
Leia Também: A Lei Maria da Penha e a magistratura não podem se omitir diante de agressores. É estímulo homicida não punir delitos de quem exibe padrão sociopata!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Dona Lô em: “A Temer o que é de Temer" – a origem das delegacias de mulheres


Fátima Oliveira

– Ô Dindinha, eu não sabia que o inventor da Delegacia da Mulher no Brasil foi Michel Temer, o vice de Dilma!
– No Brasil só, não! No mundo, Estela! “Cê” sabe que Delegacia da Mulher é uma invenção brasileira. E o criador foi o Temer. Vamos dar a Temer o que é de Temer!
– Ora, então ele é mesmo mais importante do que eu pensava. Assim sendo o perfil dele era o mais adequado, simbolicamente, dentro do PMDB, para ser o vice da primeira mulher presidenta do Brasil, não é?
– Bem possível. É bem possível Estela. Olhe eu não havia atentado para esse aspecto, mas de fato é interessante. E, sendo justa, é bom que resgatemos isso.
– ...
– O que sei da historia é o seguinte: a primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), nasceu com esse nome, em 1985, na cidade de São Paulo. Michel Temer era Secretário de Segurança de Franco Montoro (1916-1999), que governou São Paulo de 1983 a 1987. Ah, ele, o Temer, também criou o primeiro Centro de Atendimento à Mulher (vítima de violência doméstica) – um modelo de abrigo para essas mulheres, também na cidade de São Paulo.

Michel Temer e o então governador de São Paulo, André Franco Montoro, em 26 de outubro de 1986
Michel Temer e o então governador de São Paulo, André Franco Montoro, em 26 de outubro de 1986
 – Ah, escreve um pouquinho sobre isso! Preciso falar sobre o assunto num artigo que estou escrevendo. Tenho de acabar antes de a gente ir pra Chapada do Arapari pros festejos do dia 8 de dezembro. Telefono pra senhora amanhã, tudo bem?
Na noite seguinte toca o telefone...
– E aí Dindinha, escreveu? Então lê rapidinho...


– Nas palavras do próprio Temer “Um grupo de mulheres do ABC paulista me procurou dizendo serem mal atendidas na delegacia. Pensei ‘por que eu não crio uma delegacia especializada no atendimento às mulheres? (...) A mulher chegava dizendo que apanhou do marido e o escrivão, homem, dizia: ‘a culpa provavelmente é sua’. A visão era machista (...) Logo depois de inaugurarmos a primeira delegacia, percebemos que a mulher não podia voltar para casa depois de fazer a denúncia, pois poderia ser agredida novamente. Então, determinei que fosse criado o primeiro Centro de Atendimento à Mulher”.
– Geeeeeeeente, que legal!
– No término do Governo Montoro, as Delegacias da Mulher (DM) já eram 13. Dalí começaram a aparecer pelo Brasil afora. Depois ganharam o mundo! Ainda, segundo Temer: “Acho que este sucesso todo se deve ao papel que o agente público deve ter, de sempre ouvir as demandas da população e dos movimentos organizados. Quando damos ouvidos aos anseios da sociedade, dificilmente, tomaremos medidas erradas”. É isso!
Rosmary Corrêa
Rosmary Corrêa: Primeira Delegada da Mulher do mundo

– Bem eu pensava que as DM’s, enquanto tal, teriam sido ideia do feminismo!
– Não deixa de ser. Havia muita pressão feminista naquela época, igualmente pela redemocratização do país. Mas não a proposta de uma Delegacia da Mulher, tal qual Temer apresentou! Ele a criou respondendo a uma demanda e pressão feministas, é fato! Mas quem gestou e pariu ideia, foi ele, sem dúvida! Foi a solução que apresentou para a demanda que caiu em seu colo.
– Interessante! Muito, meeeeeeeesmo! E o feminismo, como reagiu à novidade?
– Ah, você não imagina, pelo que conta gente que participou de tudo, o fuzuê que foi em São Paulo as conversas do Temer com o movimento feminista! Nada demais. Até bastante compreensível. Muita desconfiança. Era o novo chegando de modo inusitado! Mas também muitas esperanças. Era a época dos SOS-Mulher, projetos alternativos, e de algum modo pilotos, desenvolvidos pelo feminismo, em algumas cidades do Brasil, a exemplo de outros em diferentes partes do mundo, para apoio às mulheres que sofriam violência doméstica. Mas ao fim e ao cabo, a ideia original do Temer prevaleceu, deu certo. E é esse sucesso que vemos por toda parte e o mundo inteiro copia.
– Sei que as DM’s são importantíssimas, mas são poucas. Em setembro de 2010 eram 475. E pensar nesse Brasilzão – onde há 27 Estados e o Distrito Federal; e 5.565 municípios – e as DM’s não chegam a quinhentas, ainda temos muito barro pra amassar. Além do que há problemas no cotidiano da proposta...

– Claro que as DMs precisam de normatização que as padronizem. Não pode cada delegada querer mandar em sua semana. Isto é, fazer o seu serviço segundo pensa, à sua maneira. Mas o núcleo da ideia é maravilhoso. Pense na Lei Maria da Penha sem as Delegacias de Mulheres!
– Entendi, entendi!
– Mas há luz no fim do túnel. No último 13 de setembro o Ministério da Justiça determinou que haverá um padrão DM: a estrutura físicas dos locais e os procedimentos de atendimento terão de seguir as mesmas regras em todo o País. E já está valendo!



– Gracias, madrinha! Pedro quer falar com você. Ia esquecendo! Montei meu presépio de barro, pintado com tabatinga e tauá, feito em Barra, Bahia, pelos artesãos Elson Alves dos Santos, José Geraldo Machado da Silva e Marcelo Gomes da Silva. È pequeninho, mas é lindo! Fiz tudo certinho como tia Donana dizia: “O presépio é montado, sempre, quatro domingos antes do Natal!” Ah, e no dia da entronização do meu presépio fiz um chocolate e biscoito de nata com recheio de goiabada!
– Fez com nata ou com creme de leite?
– Fiz com a nata, a manteiga e a goiabada, Made in Fazenda da Matinha de Dona Lô!
Elson Alves dos Santos, José Geraldo Machado da Silva e Marcelo Gomes da Silva
Chapada do Arapari, 04 de dezembro de 2010


Biscoito de Nata com Goiabada 


BISCOITO DE NATA COM RECHEIO DE GOIABADA

Ingredientes:
2 ovos
2 xícaras de açúcar
800 gramas de amido de milho
2 colheres das de sopa de manteiga (pode ser substituída por margarina)
1 colher das de sopa de fermento em pó
1 pitada de sal
Nata até o ponto de enrolar (pode ser substituída por creme de leite).


Modo de fazer:
Misture tudo e amasse bem. Reservar por meia hora.
Forme bolinhas recheadas de pedaços de goiabada; ou abra a massa, corte no formato de quadrado, coloque um pedaço da goiabada em cada biscoito e feche unindo as duas pontas opostas do quadrado.
Leve ao forno por cerca de 20 minutos ou até dourar.

[rende cerca de 20 biscoitos]




Violência Contra a Mulher