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terça-feira, 5 de abril de 2011

As práticas zooterapêuticas são fonte de saúde e felicidade


Sabedoria popular já tinha percebido os efeitos positivos
Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br

Os preconceitos contra a zooterapia estão sendo superados. A terapia assistida por animais e a mediação por animais são assistências terapêuticas. Nada a ver com a Rede Cegonha, tema de conversa próxima. Era ignorância crer que da relação afetiva de seres humanos e animais não decorreriam benefícios à saúde humana.

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Hipócrates (460-377 a. C.), no século III a. C., louvava os benefícios da cavalgada para tratar doenças neurológicas. Está cientificamente comprovado o uso do cavalo, em todos os esportes equestres, como agente terapêutico coadjuvante em neurologia e psiquiatria. No Brasil, a pioneira da zooterapia, com gatos e cães, foi a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999).

E Caralâmpia ganhou um dono

A zooterapia ou Terapia Assistida por Animais (TAA) data de 1792, na Society of Friends, Inglaterra, onde o dr. William Tuke, pioneiro no tratamento de doentes mentais sem coerção, dizia que os animais propiciavam autocontrole. No século XVIII, o Retiro de York, na Inglaterra, criava animais em seus pátios por constatar que os doentes ficavam mais calmos após contato com eles. Fato comprovado pelo norte-americano Boris M. Levinson, cujos estudos "registram para a ciência e a prática a riqueza do potencial terapêutico da relação entre pessoas e animais" (1960).


O Instituto Technion, em Israel, realizou estudo com esquizofrênicos, tendo cães como coterapeutas - por dez semanas, um grupo participou de consultas com a presença de cães e outro só com o terapeuta. Quem esteve com os cães reagiu melhor aos estímulos nas sessões (2005). Todos os animais domesticados, como cães (presentes em 80% das práticas zooterapêuticas), gatos, coelhos, porcos, aves, cavalos, burros, jumentos, carneiros, cabritos e bezerros, podem ser usados para fins fisioterápicos e psicoterápicos.
Em São Paulo, há o projeto Dr. Escargot (Fátima Martins) e, em Manaus, o Pró-Répteis, com cobras, lagartos e aranhas (Del Nero) e com botos (Igor Simões). É indiscutível o poder calmante dos aquários. "Observar e cuidar de peixes religou-me à vida", disse um bipolar. A zooterapia já é disciplina em várias faculdades de medicina e de veterinária do Brasil e usada em hospitais, escolas, creches, asilos e em presídios, com resultados promissores.
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Protetor de Tela de Peixes Tropicais

Destaca-se o sucesso impressionante da zooterapia na ressocialização de presidiários; no tratamento de drogadização; e em casos de expressividade antissocial, - como Transtorno de Personalidade Antissocial (TPS) ou Distúrbio da Personalidade Antissocial (DPA); Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA); e Transtorno de Espectro Bipolar, a antiga Psicose Maníaco-Depressiva (PMD).



A constatação é alvissareira: transtornos químicos que alteram o funcionamento do cérebro são positivamente influenciados pela zooterapia, tanto a TAA quanto a mediação por animais - incluindo a técnica de "portage" (do francês: être portée - deixar-se levar) da asinomediação, terapia equestre com jumento (ou burro), cujo foco não é a montaria, mas os cuidados com o animal, banho e alimentação, e levá-lo para passear, vincando uma nova forma de linguagem e comunicação, pois as emoções e sensações de relaxamento do contato com o animal geram bem-estar psicológico e social.
"Portage" lembra-me Lequer, maluco oficial de minha cidade natal que amava cuidar e puxar jumentos pelo cabresto, rua acima, rua abaixo! O que dá razão à sabedoria popular que ter um animal de estimação é fonte de bem-estar e de felicidade.

Publicado no Jornal OTEMPO em 05.04.2011

Crônicas de Fátima Oliveira sobre cavalos, cavalgadas & Diversão e saúde:
Taj Mahal, meu mangalarga marchador (22.07.2008)
As endorfinas das cavalgadas são tudo de bom e muito mais (28.04.2009)
Uma nova paixão: o piquira, um cavalinho marchador (15.06.2010)








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Toon Mastenbroeck, Fazenda Courtzire Milieu, no sopé dos Pirineus (França) - Terapia com "burros" (portege): Deixe um burro assumir por um tempo: permita-se um FERIADO terapêutico com um burro como seu amigo e guia.



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14 comentários:

  1. Dra. Fátima Oliveira, sempre aprendo muito lendo suas crônicas. A riqueza e a beleza de "As práticas zooterapêuticas são fonte de saúde e felicidade" são imensas. Acho que é a primeira vez que leio a palavra zooterapia. Como há muito o que aprender!

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  2. Lívia Vitória da Silva Macedo5 de abril de 2011 07:17

    Um artigo bem escrito, bonito e empolgante sobre uma ssunto pouco conhecido, a zooterapia

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  3. Soraia Ferreira Andrade5 de abril de 2011 10:53

    Fiquei tão emocionada... Um cheiro doutora Fátima Oliveira

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  4. Ai mami, tu é um orgulho pra mim.. uma médica que se abre às "terapias alternativas" é uma raridade.. mas o que esperar vindo de uma mulher de fibra e vanguarda? Pra mim, em especial, que sou psicóloga, me deixa muito feliz tê-la como referência de vida e de profissionalismo. Amo-te!
    Saudade sem fim.. Contando os dias pra páscoa! :)

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  5. Santíssima que mulher danada de inteligente e de busca pelas práticas curativas ditas alternativas! Adorei o texto, o post, tudo mesmo. E como aprendi.
    Esse negócio de se deixar levar pelo burro é lindo demais, é uma técnica rica em aprendizados de negociação! estou pasma! E aquela fazenda lá nos Pirineus um dia ainda irei lá, juro por tudo que é mais sagardo no mundo. Já estou vendo-me passeando com o que eles chamam de burro, mas aqueles bichinhos lá são mesmo é jumentos

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  6. Gente, uma crônica informativa e maravilhosa. Aprendi muito. Foi uma descoberta cheia de belezas.

    Pra quem, gosta de animais, recomendo uma crônica carinhosa e doce, de Sandra Sena Gomes Iannini, que escreve também uma fábulas gostosas, chamada "Minha cabritinha Mary Lu". Nela há um comentário da Dra Fátima que reproduzo aqui porque acho que cbe bem:
    ............
    Repito comentário que fiz ao texto no Vixe Mainha, o blog da Sandra:

    Sandra, a Mary Lu em sua vida foi de fato uma coisa linda, assim como os coelhinhos Roberto e Erasmo Carlos e a coelhinha Wanderléa.
    Dar animais de estimação aos filhos é uma atitude bonita e muito comum no Nordeste. Sinal de muita sabedoria. Eram nossas terapias. Não tenha dúvidas. Criança que cuida de animais em geral não precisa de outras terapias (que não me leia a minha filha psicóloga... rsrsrsrs).
    Em minha casa uma coisa era certa: quando morria uma cabra ou uma ovelha, que muitas vezes morriam de parto, diziam que os filhotes eram “enjeitados”, então eram levados para “dentro” de casa para a gente alimentar na mamadeira, em geral era uma garrafa de Guraná Champagne Antártida com aquele bicão vermelho enoooooorme. Os bichinhos vingavam todos e ao crescer era hora de deixar no quintal... Eu sofria muito também com a separação, mas logo em seguida chegavam outros bichos.
    Penso que a atitude “roceira” de dar animais pras crianças, além de cachorros e gatos (que não tenho, nunca tive e não gosto – fui ensinada a ter medo porque era asmática, então não podia mexer com animal que soltava pelo...), é reveladora de como a sabedoria popular é mesmo SÁBIA. Eu tive muitos bichos inusitados: jabuti, tatu, paca...
    Não vê hoje em dia estudos e mais estudos sobre a terapia com animais (zooterapia)?

    “A utilização de animais como parte de um programa terapêutico foi primeiro registado no século IX, em Gheel, na Bélgica, onde pessoas com necessidades especiais foram pela primeira vez autorizadas a cuidar de animais domésticos. Nos anos 60, graças ao psicólogo infantil americano, Boris Levinson, assiste-se ao ressurgimento da terapia baseada em animais.

    A introdução do burro nos processos terapêuticos (Asinoterapia/Asinomediação) desenvolveu-se na década de 70 em países como a Suiça, Inglaterra, França, Itália, Estados Unidos, entre outros. Esta técnica terapêutica permite a estimulação a nível cognitivo, físico, motor e afectivo.”
    TERAPIA COM ANIMAIS
    Texto completo: www.aepga.pt/portal/PT/211/default.aspx

    Fátima Oliveira, 31 de março de 2011 22:50

    Comentário Enviado Por: Fátima Oliveira Em: 02/4/2011

    Site Lima Coelho
    ww.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=5040

    Blog da Sandra
    www.sanbahia.blogspot.com

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  7. Ler seus textos é sempre prazeroso porque eles me ensinam muito. Obrigado!

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  8. Waldemir Santana5 de abril de 2011 18:14

    Posso dizer como os mais antigos: é vivendo e aprendendo. Fiquei muito impressionado com a zooterapia

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  9. Há duas semanas seguidas que Fátima Oliveira fala sobre bichos. Escreveu sobre vaquejada. Agora sobre zooterapia. Mas ainda não se posicionou sobre a Rede Cegonha. Aguardo. Já sei que vem chumbo grosso por ai.
    Pra saber é só ir no blogue do Azenha...

    Rede Feminista de Saúde alerta: A Rede Cegonha é retrocesso de 30 anos
    por Conceição Lemes

    http://www.viomundo.com.br/entrevistas/rede-feminista-de-saude-rede-cegonha-e-um-retrocesso-de-30-anos-nas-politicas-de-genero-saude-da-mulher-direitos-reprodutivos-e-sexuais.html

    QUERO VER É COMO DONA LÔ VAI PULAR ESSA FOGUEIRA...

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  10. Reli o texto várias vezes, assim como os demais indicados sobre cavalos e cavalgadas, que recomendo:

    Crônicas de Fátima Oliveira sobre cavalos, cavalgadas & Diversão e saúde:
    Taj Mahal, meu mangalarga marchador (22.07.2008)
    As endorfinas das cavalgadas são tudo de bom e muito mais (28.04.2009)
    Uma nova paixão: o piquira, um cavalinho marchador (15.06.2010)

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  11. Maria Gorete Rocha Ribeiro6 de abril de 2011 23:55

    Obrigada pela crônica tão pedagógica e informativa

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  12. Gabriel Monteiro7 de abril de 2011 08:28

    Apenas parabenizar a Dra. Fátima Oliveira por escrever sobre assuntos que muita gente não considera importantes pra saúde. A zooterapia tem um papel importante para a vida saudável e precisa ser mais divulgada.

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  13. Fátima, beleza de texto.E seja bem-vinda a zooterapia.
    Abraços.

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