Visualizações de página do mês passado

terça-feira, 4 de março de 2014

As cervejas transgênicas e as incertezas da ciência

01 (DUKE)
É a bebida alcoólica mais consumida, a terceira mais popular
Fátima Oliveira
Médica -
fatimaoliveira@ig.com @oliveirafatima_

Um alerta o artigo “Cerveja: o transgênico que você bebe”, de Flávio Siqueira Júnior e Ana Paula Bartoletto. Está lá que Ambev, Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser e Skol trocam a cevada pelo milho, acarretando ingestão inconsciente de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados). São cervejas sem padrão de pureza “como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata” (“Carta Capital”, 1.3.2014). É, não são ilegais, são inseguras, logo, imorais!
 
   Cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no mundo e a terceira bebida mais popular, depois da água e do chá. OGM é qualquer ser vivo criado por manipulação genética do que se convencionou denominar de engenharia genética. Todo transgênico é um OGM, mas nem todo OGM é transgênico! A transgenia, técnica singular de engenharia genética que rompe as fronteiras entre as espécies, é germinativa: o novo padrão genético é hereditário. Um transgênico é para sempre: uma vez transgênico, transgênico até morrer. 
  O sabor das cervejas nossas de cada dia, dia após dia, mudou. Fomos acostumados com cerveja feita com água, malte de cevada e lúpulo. “A fonte de amido é um fator determinante no sabor da cerveja”. Entendeu o gosto de água choca hoje em dia das cervejas no Brasil, o adeus ao gostinho amargo de antigamente? É o pouco malte de cevada! Cerveja que substitui malte de cevada pelo milho, ou outro cereal, é enganação? Não, porque “outros grãos maltados e não maltados (milho, arroz, trigo, aveia, centeio e sorgo) podem ser usados”, mas quem consome tem o direito de saber.



 




     Questão de gosto não se discute, mas imposição, sim! Ao adotar um amido para o fabrico da cerveja é preciso considerar a biossegurança dele! O Brasil usa milho transgênico! Oh, Ninkasi, deusa da cerveja, aprecio degustar cerveja e quero o meu corpo livre de transgênicos, então não beberei cerveja turbinada!

 
 
Ao adotar um
amido para o fabrico
de cerveja é preciso
considerar a
biossegurança dele!
O Brasil usa milho
transgênico!
 
 



    Tenho uma longa história com os transgênicos, publicada em muitos artigos e em meu livro “Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de escolher” (Mazza Edições, 2001), ainda atual, porque as indagações feitas nele continuam sem respostas! Como Guimarães Rosa, concordo que “na vida, o que aprendemos mesmo é a sempre fazer maiores perguntas”; então, prossigo perguntado.
 
 
  (Lúpulo)
Só para tirar a idéia de que malte só de cevada.  (Malte)
  

Em “Afinal, qual é mesmo o ‘suave veneno’ dos transgênicos?”, eu disse: “A transgenicidade, como qualquer outra biotecnologia 'bioengenheirada', elimina as fronteiras entre as espécies ao possibilitar que qualquer ser vivo adquira novas características ou de vegetais ou de animais ou humanas. Feito de tal monta provocará alterações na vida biológica, social, política e econômica, já que é fato inconteste que as biotecnologias 'bioengenheiradas' portam um enorme potencial de desequilíbrio de micro e macroecossistemas”.
Em “Controle social para os transgênicos” (“Observatório da Imprensa”, 15.6.2004), escrevi: “A instabilidade do genoma; as proteínas inconstantes e as áreas de regulação e desativação de genes presentes no DNA lixo são três descobertas recentes que evidenciam que o paradigma sobre o qual a engenharia genética foi construída caiu por terra, o que exige mudança radical de postura no manejo da transgenia, indicando necessidade absoluta de controle social para os transgênicos, pois legar às gerações futuras um amanhã ecologicamente saudável é o mínimo que se espera como demonstração de consciência ecológica”.

PUBLICADO EM 04.03.14
  FONTE: OTEMPO

3 comentários:

  1. É sair com uma lupa na bolsa pra ler os rótulos de cerveja em supermercado, bares e restaurantes... Há boas marcas com 100% malte. Um pouquinho mais caras, mas dá pra beber. A Áustria, por exemplo é até barata

    ResponderExcluir
  2. Um horror. E a gente se envenenando com algo mas que o álcool. Se queixar pra quem?

    ResponderExcluir
  3. Patrícia Leitão4 de março de 2014 19:58

    Os traficantes malvados e a cerveja de milho
    Publicado em 21 de agosto de 2013 por tarsoaraujo

    Já provou cerveja de milho? Se você já bebeu Bohemia, Skol, Antarctica ou Nova Schin, por exemplo, a resposta é sim. Todas elas levam na sua receita até 45% de milho – substituto barato da cevada maltada, ingrediente da receita original desta nobre bebida. Já se sabe dessa malandragem pelo menos desde o ano passado, quando uma pesquisa da USP e da Unicamp analisou as cervejas brasileiras e constatou que as cervejarias nacionais usam nos seus produtos quase 45% de milho, limite máximo permitido por lei. A novidade, noticiada pela Folha, é que as cervejarias estão batalhando para colocar ainda mais milho na sua cerveja – até 50%. Seria a verdadeira cerveja de maizena.

    A cerveja é a bebida mais antiga que a humanidade produziu. E ela sempre foi feita de cevada, primeiro cereal que o homem plantou e colheu. E esse pioneirismo do grão talvez não seja coincidência – estudiosos da revolução do neolítico (período em que desenvolvemos a agricultura, há de 10 mil anos), consideram a hipótese de o homem ter desenvolvido as primeiras técnicas agrícolas justamente para fabricar cerveja. Se você leu o Almanaque das Drogas, já sabe disso. Na era medieval, a Europa começou a ter problema de intoxicação por causa de cervejas feitas com ingredientes duvidosos e monges alemães que fabricavam cerveja baixaram um decreto com os ingredientes essenciais e obrigatórios da cerveja – e lá estava o malte de cevada como único grão aceito. É dele que vem o açúcar que as leveduras usam na fermentação para produzir álcool e gás carbônico. Quando se muda o grão que as leveduras “comem”, muda também o sabor do produto final.

    Os mestres cervejeiros daqui apelam para essa mistura porque a produção de cevada brasileira é pequena, e nosso know how sobre o processo de maltagem é baixo. Então praticamente todo malte usado em nossas cervejas é importado e, logo, caro. Então eles colocam milho para deixar a cerveja mais barata. Uma grande sacanagem com o consumidor. Porque cerveja com mais milho é menos cerveja. Não tem saída, ela fica diferente mesmo. Só não dá para dizer que fica pior porque tem gosto para tudo – quem sabe você não gosta mesmo é do fermentado de milho?

    A sacanagem é ainda mais cruel se levarmos em conta algumas questões econômicas. A primeira é que já pagamos um preço absurdamente caro por uma garrafa de cerveja. Em São Paulo e Rio de Janeiro não é difícil achar um bar que venda 600 ml por R$ 8. A outra questão é que a Ambev, produtora das marcas mais vendidas do país, é dona da 4a maior margem de lucro sobre a venda entre as empresas brasileiras. De cada R$ 100 vendidos pela cervejeira, R$ 49,80 é lucro.*

    Isso quer dizer que eles não precisam piorar a cerveja para manter seu negócio lucrativo. Os donos da Ambev são os homens mais ricos do país – Jorge Paulo Leman, sócio majoritário, tem uma fortuna de R$ 38 bilhões. Esses comerciantes de drogas poderiam ganhar um pouquinho menos por garrafa para manter nossa cerveja ruim como já é. Não precisava piorá-la. Mas eles preferem fazer isso a ganhar alguns centavos a menos. E ainda acham que só os fabricantes de drogas ilícitas é que são malvados e gananciosos, capazes de “malhar” seus produtos.
    http://almanaquedasdrogas.com/2013/08/21/os-traficantes-malvados-e-a-cerveja-de-milho/

    ResponderExcluir