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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Casamentos, desde sempre, são negócios que não exigem amor

 DUKE 

Nenhum motivo é grande o bastante que justifique matar
Fátima Oliveira
Médica –
fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_


Contradizendo o senso comum que mulheres são mais ciumentas do que os homens, os crimes passionais, ou "crimes de paixão", têm incidência mais expressiva em homens, inclusive em casos de ciúme patológico seguidos de suicídio.
Em geral, homicídios perpetrados por mulheres acontecem em legítima defesa de suas vidas e são em número tão ínfimo que causam enorme surpresa.


No dia 19 de maio, Marcos Matsunaga foi ao aeroporto buscar a mulher, Elize, a fi lha do casal e a babá, que voltavam de uma visita à família dela, no Paraná. Os quatro chegaram ao apartamento do casal, na Vila Leopoldina, bairro nobre de São Paulo, às 18h40. Subiram juntos, pelo elevador social, para a cobertura, de mais de 500 metros quadrados. A babá foi embora pouco tempo depois e o bebê foi colocado para dormir no 2º andar do apartamento. (19 de maio de 2012 - Família no elevador chegando em casa: Marcos, Elize, a filha do casal e a babá)

Exemplifico com o assassinato e esquartejamento, sem características aparentes de premeditação, do bilionário Marcos Kitano Matsunaga, diretor executivo da Yoki, pela sua esposa Elize Araújo Kitano Matsunaga, em 19 de maio de 2012, sob a alegação de que atirou após de ter sido agredida e ouvido que, em caso de separação, ele queria a guarda da filha: "Eu conheço teu passado; vou levar teu passado para a Vara da Família". Eis como uma criança perdeu o pai e a mãe.





Em análises de tragédias matrimoniais em que elementos de ódio estão presentes - assassinato seguido de esquartejamento -, cabe a desconfiança rosiana ("Há qualquer coisa no ar além dos aviões da Panair...") e os rigores da lei. Nem mais, nem menos.



  Tentando não cair numa disfunção dos lobos frontais, é preciso cautela para não fazer juízo de valor, supervalorizando os motivos pelos quais alguém pratica homicídio, pois nenhum motivo é grande o bastante que justifique matar. Todavia, no fundo, no fundo, a convivência cotidiana é a forma mais precisa de conhecimento do contexto de crimes catalogados como de defesa da própria vida, como disse Ana de Assis: "Eu é que posso escrever sobre Euclides... Vivemos juntos. Dormimos no mesmo quarto".

 

Minhas vidas alheias Minhas vidas alheias, Leila Jalul
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Como no conto da escritora acreana Leila Jalul "Rosa dos ventos": cansada das traições em série do marido, Maristela, com a ajuda dos irmãos, deu um basta: com uma peixeira amolada, e faiscando de ódio, rasgou "as calças do sestroso e, vapt! vapt! Não deu conta de decepar o rolete por inteiro, deixando para Mário o final da tarefa. Feito isso, suando e estuporada, pede que sejam feitos quatro filés e os acomoda num saco plástico": jogou um filé de pênis na soleira da casa da amante; o segundo, na casa da mãe dele; o terceiro, na porta da igreja onde casaram; e o quarto, lavou, salgou e colocou para secar no Sol! "Não sabia a razão do gesto, mesmo assim, não custava" (in "Minhas Vidas Alheias", Clube dos Autores, 2011).


 O advogado de defesa, Luciano de Freitas Santoro, afirmou que "Elize perdeu tudo. O crime não teve nenhuma motivação econômica... O mais vantajoso era ela se separar e pedir uma pensão, mas perdeu a cabeça". Em tese, pois os casamentos, desde sempre, são negócios que podem prescindir, inclusive, do amor.




 

Na Idade Média, a escolha do noivo era questão de família e/ou o noivo "comprava" a noiva: "o casamento como um ato de aquisição", exceto na Inglaterra, onde o padrão de nupcialidade era tardio, mas considerava as possibilidades financeiras: "Somente constituíam família quando dispunham de renda suficiente".


    O comum ainda é o casamento entre iguais, sendo os ditos "contos de fada", tipo Elize & Marcos, raríssimos até hoje, como corroboram dados demográficos que constatam que, majoritariamente, os casamentos se dão entre pessoas do mesmo meio social. Ou seja, no jogo de interesses do casamento contemporâneo, o caráter intraclasse é a regra, sendo as exceções inerentemente complicadas no cotidiano, pela supremacia de poder de quem detém o dinheiro, que se acha dono da vida e da alma da pessoa pobre e da pobre pessoa com quem convive.


Publicado no Jornal OTEMPO em 12.06.2012

Domingo Espetacular Veja vídeo AQUI

8 comentários:

  1. Muito difícil de opinar. Entendo que ela cometeu um crime sob forte emoção e depois ainda teve forças, com certeza sob a raiva que sentia, para ser cruel, ao esquartejá-lo. Também acho que ela precisava se livrar do corpo em meio àquela agonia após o assassinato.
    Porém, seu artigo é muito claro e sereno. Não a defende, mas contextualiza, fornece elementos para que não façamos juízos apressados. Nesse sentido citar a frase de Ana de Assis foi muito pertinente.

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  2. Fátima, a mídia está bradando contra este crime. Engraçado, afora o esquartejamento, eu vejo tudo isso igual a muitos outros crimes. Com uma diferença, apenas: os homens matam mais. Muito mais!
    Muitos da mídia querem fazer crer que a moça não deveria ter sido passional, até porque viveu na zona e dela foi resgatada pelo dono de uma fábrica de pipocas.
    Nada se justifica nessa história. Tanto quanto não se justifica a morte de milhares de mulheres por esse Brasilsão de meu Deus.

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  3. Dea cordo que Elize cometeu um crime com esquartejamento e deve pagar pelo seus atos. Mas também não podemos fechar os olhos ás circunstâncias que, com certeza serão bem exploradas pelo seu advogado, inclusive a biobagem da família do Marcos e seu advogado querendo expor a criança filha de Marcos e Elize fazendo teste de DNA. Ora a criança está registrada pelo pai! O que a família do marcos petende? Deserdar a filha do Marcos? Mesmo se o teste de DNA der negativo eles jamais conseguirão deserdar a criança

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  4. O RIDÍCULO

    Família vai contestar paternidade de filha de executivo da Yoki
    A decisão da família do executivo se baseia no fato de Elize ter conhecido o marido enquanto trabalhava como prostituta

    http://migre.me/9u1dc

    RECUANDO DEPOIS DAS CRÍTICAS POR TODO LADO
    Caso Yoki: família diz não duvidar de paternidade

    A filha de 1 ano pode herdar R$ 218 milhões do casal Marcos Kitano Matsunaga e Elize Araújo Kitano Matsunaga.

    São Paulo - O advogado Luiz Flávio D'Urso disse ontem que a família não tem dúvida de que o executivo Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, é o pai da filha de Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30. Elize matou e esquartejou o marido em maio. A filha do casal, de 1 ano, pode herdar R$ 218 milhões.
    Segundo D'Urso, não é a família que pretende pedir o exame de DNA, algo que faria parte de um "conjunto de apuração no âmbito criminal". "A filha é o que os une, portanto (o exame) é mais uma prova a ser realizada. Nada que possa trazer um fato diferenciado de suspeita, nada disso. Tanto é que a posição da família é de que ela é neta e eles vão dar assistência, não têm nenhuma desconfiança em relação a isso."

    O advogado disse que "não há nenhum dado que gere desconfiança com relação à paternidade", mas "é prudente que se faça (o exame)". "Mas o avô não vai requerer isso. No meu sentir, caberia à autoridade policial ou ao Ministério Público, porque aí você pode ter uma motivação do crime, se tiver um resultado diferente do esperado", disse.

    Defesa

    Advogado de Elize, Luciano Santoro disse que a cliente tem total convicção de que a menina é filha de Matsunaga. "Não há por que o Ministério Público requerer o exame de DNA. Marcos registrou a menina, sabia que era o pai, todos em volta também sabiam. É lamentável que esse fato tenha sido divulgado à imprensa", disse. "Não é uma questão que influencie o crime. É uma injustiça com a criança."

    Dinheiro

    Por trás de supostas desconfianças, mesmo que por "prudência", há uma fortuna que pode ser de até R$ 218 milhões, caso o R$ 1,75 bilhão da venda da Yoki, divulgada durante o desaparecimento de Matsunaga, seja distribuído igualmente entre todos os herdeiros.

    Mas o advogado da família negou que exista qualquer interesse econômico em discussão neste momento. "Não tem motivação financeira, porque o negócio não se efetivou ainda, deve demorar uns dois ou três meses, segundo informações, para ser concluído", disse D'Urso.

    Se não há dúvida em relação à paternidade, é sobre a guarda da menina que deve se desenrolar um novo capítulo do caso. Por enquanto, os dois advogados dizem que isso não está em discussão.

    O tutor terá também o direito de administrar o que a criança receber como herança, até que ela complete 18 anos.

    "Quem tiver a guarda ganha o poder de gerir esse patrimônio. Vai ter de prestar conta para o juiz e para o restante da família. A guarda vai ser difícil de se definir", afirmou o especialista em Direito de Sucessão e Família, Alexandre Nassar Lopes.

    Ontem, em entrevista à TV Bandeirantes, uma ex-funcionária do casal, que era responsável pela arrumação do apartamento e presenciou várias brigas, disse que foi demitida por Elize três dias depois do crime. Ela ainda não foi ouvida pela polícia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

    http://migre.me/9u1bF

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  5. Juliano Madeira Leita14 de junho de 2012 10:17

    Um desfecho trágico para uma história de amor. Lamentavelmente a filha do casal ficou para sofrer os preconceitos da família do pai.

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  6. Elize pode ser beneficiada com argumento de traição amorosa
    sábado, 16/06/2012 - 07:13

    Executivo da Yoki foi esquartejado ainda vivo por Elize Mastunaga, segundo laudo do IML.


    A traição amorosa do diretor-executivo da Yoki Alimentos, Marcos Matsunaga, 40 anos, morto em seu apartamento no último dia 19 de maio, pode beneficiar a mulher e ré confessa do assassinato, a técnica em enfermagem Elize Matsunaga, 30. Para advogados criminalista ouvidos pelo GLOBO, o caso extraconjugal pode ser utilizado para diminuir a pena de Elize.

    - Pode pesar a favor desde que a Defesa consiga descrever o crime como um homicídio cometido sob forte emoção. Isso pode diminuir a pena – diz o advogado criminalista Alberto Toron, que atuou como assistente de acusação no caso da família Von Richthofen.

    A opinião é semelhante a do também criminalista Sergei Cobra Arbex, assistente de acusação no caso do jornalista Pimenta Neves.

    - Em tese qualquer crime do tribunal de júri pode contar com a emoção. A Defesa pode usar isso. Não quer dizer que vá dar resultado – disse.

    Arbex lembra que o Código penal estabelece uma atenuante para crimes cometidos ‘sob violenta emoção após injusta provocação da vítima’.

    - A questão é demonstrar isso. São itens que precisam ser cumpridos – afirma Arbex, que lembra que o Código Penal já chegou a prever a defesa da honra em assassinatos motivados por traição conjugal.

    Imagens feitas por um detetive particular contratado por Elize mostram Marcos acompanhado de uma outra mulher em um restaurante de São Paulo. Ela seria amante do empresário e receberia até R$ 4 mil por mês de Marcos.

    Na quinta-feira, porém, a situação de Elize se complicou. Laudo do Instituo Médico Legal (IML) mostra que a causa da morte foi traumatismo craniano associado a asfixia por sangue em consequência de uma decapitação, e não o tiro de pistola calibre 380 disparado antes por Elize.

    O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, contratado pela família do empresário, diz que o laudo também indica que o tiro disparado contra Marcos pela mulher foi dado à curta distância, e de cima para baixo, o que não sustentaria a versão de Elize dada à polícia, já que a vítima estaria sentada.

    – Elize é mais baixa que o empresário e disse que atirou após ser agredida e humilhada pelo marido, durante uma discussão do casal.

    D’Urso acredita que Elize alvejou o marido e depois o decapitou, causando a morte por asfixia. Na confissão, Elize disse que esquartejou o marido somente dez horas após o tiro. Apesar da Polícia Civil ter relatado o inquérito à Justiça nesta quinta-feira, as investigações continuam, garantiu o advogado, que acredita em premeditação e até na suposta participação de uma terceira pessoa no crime.(O Globo)

    http://www.jornaldamidia.com.br/2012/06/16/elize-matsunaga-poder-se-beneficiada-com-argumento-de-traicao-amorosa/

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  7. Legista diz 'não ter dúvida' de que executivo da Yoki foi decapitado vivo

    Jorge de Oliveira reafirma resultado de laudo do corpo de Marcos Matsunaga.
    Mulher do empresário, Elize Matsunaga, confessou ter esquartejado marido


    O legista Jorge Pereira de Oliveira confirmou neste sábado (16) que o diretor-executivo da Yoki, Marcos Matsunaga, foi decapitado ainda vivo. A mulher do empresário, Elize Matsunaga, confessou ter matado e esquartejado o marido, no dia 19 de maio.

    "A perícia indica reação vital na secção do pescoço e da raiz dos membros superiores", afirmou Oliveira.

    Caso o empresário estivesse morto, não haveria a hipótese de ser encontrado sangue nos pulmões de Marcos, fato que foi constatado pelo legista. "A entrada de sangue em vias aéreas é um movimento ativo. Então quer dizer que ele tem que estar respirando."

    A defesa de Elize havia definido como estratégia defender que o corpo do executivo foi esquartejado pela mulher depois de morto. Mas a conclusão do legista causou uma reviravolta no caso.



    Segundo o laudo, Marcos estava abaixado e recebeu um tiro de cima para baixo, vindo da arma de fogo empunhada por Elize, que estava de pé. O tiro foi à queima-roupa, segundo análise dos peritos, que constataram queimadura nas margens do ferimento.

    A conclusão do laudo é que o executivo morreu por traumatismo craniano, causado pela bala, e asfixia respiratória provocada por sangue aspirado devido à decapitação

    http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/06/legista-diz-nao-ter-duvida-de-que-executivo-da-yoki-foi-decapitado-vivo.html

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  8. Jorge, transcrevo o comentário de Tetê, no Viomundo, 15/06/2012 - 0:05

    "Eline, há DOIS laudos, diferentes. Qual é o VERDADEIRO?

    Vejamos:
    Dia 13 de junho
    Laudo: executivo da Yoki morreu por ferimento de tiro na cabeça
    http://migre.me/9uDpJ

    Dia 15 de junho
    Executivo da Yoki foi decapitado ainda vivo, diz advogado
    “O laudo aponta como causas mortis asfixia por sangue em consequência de uma decapitação. Esse sangue o asfixiou, levando-o à morte. Se estava respirando neste momento, ele, logicamente, ainda estava vivo”, concluiu.
    http://migre.me/9uDop

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