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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Churrasco de vitelo por Jobim: à moda de Santa Maria


Fátima Oliveira

– Maria Helena, mande anunciar na “voz” que vamos comer um vitelo assado na brasa logo mais à noite aqui na porta de casa...

– Pucardiquê, hein Dona Lô?
– Ora veja, porque estou alegre! Ande, siá! Leve o papel lá pra Zeca da Voz. Já escrevi, escute aí e veja se ficou bom... “Às amigas e amigos de Dona Lô: todo mundo convidado para logo mais na boquinha da noite comer um pedacinho de vitelo assado na brasa. No terreiro da casa dela. Só pra comemorar mais uma vitória da presidenta Dilma Rousseff contra o machismo: ela mandou o ministro Nelson Jobim arrumar as trouxas”.

– Mas Dona Lô, disse no rádio indagorinha de tarde que ela vai mandar... O home ainda não caiu.
–  Quêquisso Maria Helena? Tá duvidando de mim, oxê! De hoje ele não passa... Tanto que pedi a Zé Vaqueiro, desde mais cedo, que deixasse o vitelo no jeito. Chega jazim com ele aqui. Já deve ter saído lá da Matinha. Vai chegar ao ponto de ir pras brasas.  Deixe de contar preguiça. Está tudo no jeito. Vai ter só de lavar as louças. Mais nada.
– ...          

– E cuide de acender o fogo também. O braseiro tem de estar pronto logo. Depois que mandei matar meu vitelo Dilma não vai dar pra trás mesmo. De jeito maneira! Só mandei preparar porque tenho certeza! Avie logo, menina! Ligue aí do meu celular pra Zeca da Venda mandar quatro grades de cerveja bem geladinha, véu de noiva mesmo!  Hoje todo mundo vai comer e beber por minha conta, à folote.
–...
 Entendeu Maria Helena? Pois cuide logo...
–...
 Quem é?
 Seu Pedro de Dona Estela. Dizque tá querendo falar com a senhora... Vai atender?
 Está bem! E zune daqui, menina! Daqui a pouco o povo começa a chegar...
Maria Helena saiu resmungando entredentes: “Num guento essa mulher maluca que tudo faz festa e a trabalheira sobra pra mim. ‘Quem tem com que me pague não me deve, nada!’ Outra festa assim ligeirinha nas coxas, eu caio nas abas do mundo”...
 Eu não disse Pedro que o Jobim estava no “pendura saia”? Um minutinho...
– Ô Maria Helena, minha filha, diga ao motorista que vá buscar o sanfoneiro... Sim, Seu Misael tocador! Ele vem dar uma tocadinha aqui pra animar o povo.
– ...    
– Não Pedro! Não é propriamente uma festa. É uma comemoração! Celebrar em grande estilo a saída do eleitor do Serra do governo.
Só isso. Nada mais. Ele era um estranho no ninho e fazia questão de dizer. O cabra estava abusado demais! Estou tão alegre que até vou dançar forró. E vou dançar até cansar... Ah e também saiu indagorinha nos jornais que Dilma está com 71% de aprovação popular. A mulher né mole, não! E fica Jobim querendo cantar de galo?
– Oxê e eu pensei que a senhora estava meia política com Dilma por causa dessas coisas de saúde da mulher...
– Estava não, Pedro! Ainda estou. Eu e um monte de mulheres que pensam. Homens também. Mas cada coisa em seu quadrado. A peleja é pro governo avançar. Nada mais. Nunca esqueça que ideologicamente o Governo Dilma é um governo em disputa. Estamos disputando e combatendo o bom combate. Nada a ver com fogo amigo. É outro departamento! E vamos continuar pelejando pra tirar a presidenta da tutelagem do Vaticano... É um ajuste que precisa acontecer...
– “Devagar se vai ao longe”, ou não é? Esse governo que tá aí é muito meu também. Lutei por ele. E muito! Diferente de Jobim, que nem votou em Dilma e ainda era mi-nis-tro. Não sei onde Lula estava com a cabeça, minha Santa Maria Madalena!
–...      

Garganta do Diabo, Santa Maria - RS
– Vitelo à moda de Santa Maria? Como é? Sei lá Pedro, eu inventei agora! Jobim é gaúcho de Santa Maria, né não? Depois escreverei a receita, oxê! Se acalme que no dia em que você vier aqui vou fazer um... Que não vou perder de apreciar você se fartar de comer o prato que fiz para comemorar a jornada de Jobim pra longe das estrelas... E não me interessa quem vai pro lugar dele, desde que ele não fique. Pensarei depois. Merece passar uns dias meditando em Santa Maria para ver se por esses meios aprende a ser menos machista. Isso que Dilma fez, culturalmente, tá valendo por mais de cem Marchas das Vadias: demitir um ministro por declarações machistas ("... a Ideli é muito fraquinha e Gleisi nem sequer conhece Brasília"...)! Não há o que pague... Aí, Freud me abana!


Chapada do Arapari, 04 de agosto de 2011

18 comentários:

  1. Perfeita a Dona Lô, mulher que sabe das coisas.
    Muito legal o título

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  2. Muito especial essa Dona Lô! Parabéns pela agilidade e a graça do texto também

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  3. rsrsrsrsr Nelson Jobim que vá curar suas perebas e curubas machistas em Santa Maria, na garganta do Diabo, que conheço e é uma paisagem espetacular rsrsrsr...

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  4. DEMITIDO EM MENOS DE CINCO MINUTOS.... srrsrsrs

    Após críticas, cai terceiro ministro do governo Dilma
    Publicado em 05/08/2011

    Entrevista em que Nelson Jobim chama a ministra Ideli Salvatti de 'fraquinha' irritou presidente
    Nelson Jobim não resistiu à publicação de novas declarações com críticas ao governo e deixou o Ministério da Defesa ontem.
    Em entrevista à revista Piauí, Jobim classificou de "trapalhada" a política do governo para a divulgação de dados sigilosos e chamou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de "fraquinha". Sobre a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, afirmou que ela "nem sequer conhece Brasília".
    As declarações irritaram a presidente Dilma Rousseff, que antecipou a volta do então ministro a Brasília, com a intenção de demiti-lo. Em reunião que durou menos de cinco minutos, Jobim entregou o cargo.
    Ainda na Amazônia, Jobim disse que suas palavras foram publicadas fora de contexto e chegou a afirmar que "isso faz parte do jogo da intriga, da tentativa de desestabilizações".
    No início de julho, Jobim disse que era "obrigado a conviver com idiotas". Mais recentemente, declarou seu voto no candidato do PSDB, José Serra, na eleição do ano passado, vencida por Dilma.
    Jobim é o terceiro ministro a cair nos oito primeiros meses do governo Dilma. O primeiro foi Antonio Palocci (ex-Casa Civil), após denúncias sobre o aumento de seu patrimônio. No mês passado, caiu o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ambos haviam sido indicados pelo ex-presidente Lula.
    Ontem mesmo, o Palácio do Planalto confirmou o ex-ministro de Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim, para a Defesa.

    http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=14,105119

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  5. ADOREI, Fátima. Bom demais. Postei no twitter. Saudade, amiga! Beijos

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  6. Josemar Barros Trindade6 de agosto de 2011 09:11

    Jobim deve estar atordoado com o peso da fraqueza de Ideli srrsrssr

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  7. Dona Lô é só encantos

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  8. Dra. Fátima, considere que eu me apaixonei pela Dona Lô e não importa que idade ela tenha. Belo texto

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  9. Os últimos momentos de Jobim
    Redação Carta Capital5 de agosto de 2011 às 16:02h

    O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que votou em Serra em 2010 e não durou sete meses no governo Dilma

    Se os integrantes do governo federal haviam minimizado em bloco as declarações anteriores de Nelson Jobim contra o governo, a estratégia caiu por terra na última e derradeira crise que culminou na demissão do ministro da Defesa na quinta-feira 4.

    Em entrevista à revista Piauí, Nelson Jobim classificou como “fraquinha” sua colega Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, e declarou que Gleisi Hoffman, da Casa Civil, “sequer conhece Brasília”.

    Desta vez o desconforto foi grande. Primeiro, Ideli Salvatti declarou em uma entrevista para um programa do Grupo Folha que Nelson Jobim deveria “se conter um pouquinho” nas declarações.

    Ao saber do teor da entrevista de seu ministro da Defesa, Dilma Rousseff teria declarado, logo pela manhã, em tom de brincadeira – mas sinal inequívoco de insatisfação – que “arrumaria um cargo para o Jobim na Amazônia e deixaria ele por lá”, segundo o portal UOL. A declaração foi dada enquanto Jobim cumpria agenda em Tabatinga, município do Amazonas.

    Ex-colega de toga de Nelson Jobim, o ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello tentou dar um ar bonachão para a declaração do ministro da Defesa, mas não deu muito certo. “É o jeitão dele. Quase sempre o gaúcho é incisivo nas colocações. E ele é gaúcho de Santa Maria. Então, é a forma dele atuar, e o faz, ao que tudo indica, sem reserva mental”, declarou ao portal iG.

    Outro que trocou os pés pelas mãos foi o senador José Sarney. Ao ser indagado sobre o que achava da frase sobre Ideli Salvatti (“ela é fraquinha”), o presidente do senado declarou: “Eu acho até que esta (declaração) não combina com a ministra Ideli porque a Ideli é até bem gordinha”, disse ao portal UOL.

    Três saraivadas de “fogo amigo”

    Foram três os episódios que, em conjunto, fizeram Dilma perder a paciência com Jobim. Na primeira delas, o ministro da Defesa citou Nelson Rodrigues em um evento público de comemoração de aniversário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Ele (Rodrigues) dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”, declarou, olhando para o ex-presidente tucano.

    A segunda bateria de fogo amigo perpretada pelo ministro Nelson Jobim foi em entrevista a um programa do portal UOL, no qual declarou ter votado em José Serra nas eleições para a presidência em 2010 por razões “pessoais” – eles inclusive já dividiram um apartamento há muitos anos.

    Nesta última, ao criticar diretamente seus colegas de ministério, Nelson Jobim parece ter conseguido o que há muito queria: ser demitido do governo do qual fez parte, mas de cujas ideias nunca compactuou.

    http://www.cartacapital.com.br/politica/os-ultimos-momentos-de-jobim

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  10. DE VEZ EM QUANDO LULA ATINGE A PERFEIÇÃO
    ....
    Saiu no Estadão online:

    Não cabe a militares gostar ou não de Amorim, diz Lula

    Ex-presidente comentou a saída de Nelson Jobim do Ministério da Defesa
    Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado

    BOGOTÁ – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não cabe aos militares gostar ou não da indicação do ex-chanceler Celso Amorim para ocupar o Ministério da Defesa, no lugar de Nelson Jobim. Lula fez essa declaração ao ser questionado se Amorim conseguirá desempenhar um bom trabalho à frente da pasta, uma vez que militares já manifestaram insatisfação com a escolha. “Não cabe aos militares gostar ou não gostar de uma indicação da presidente da República. Temos que aprender a trabalhar para depois ver se vai dar certo ou não”, afirmou, em Bogotá.

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  11. Cara Fátima, sua personagem Dona Lõ é muito especial. E engraçada. E entende de política demais. Estou na maior roedeira por ela.

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  12. eheheehheeh muuuuuuuito bom

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  13. Jobim é página virada. Passado. Parabéns Dona Lô pela comemoração da queda de Jobim.

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  14. PRESIDENTA DILMA EM ENTREVISTA À CARTA CAPITAL:

    CC: A senhora já refletiu, fez alguma interpretação, sobre o comportamento do ex-ministro Nelson Jobim?

    Presidenta: Ah, não faço nenhuma interpretação. É uma página virada, não temos de ficar discutindo. Isso pode até ser interessante para a mídia, mas para o governo não é.

    CC: Falamos da nomeação de Celso Amorim. Essa história de que as casernas estão irritadas com a nomeação dele…

    Presidenta: É relevante?

    CC: É relevante?

    Presidenta: Não acho. Primeiro, porque não estamos mais na época das vivandeiras. As Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais. Estão subordinadas ao Poder Civil e é assim pelo fato de a sociedade brasileira ter evoluído nessa direção. Não é uma conquista do governo ou da mídia, é da sociedade brasileira. Agora, se há setores, absolutamente minoritários, entre os militares ou na mídia que assim pensam, é irrelevante, faz parte do passado, de uma visão atrasada da História. Outra coisa muito grave, aquém da realidade, é achar alguém insubstituível. As pessoas têm de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis, a gente descobre isso quando criança, principalmente se você perde algum parente importante, como o pai ou a mãe, cedo. Além disso, nem na época da monarquia o rei era insubstituível, havia aquela história dos dois corpos do rei, o divino e o humano. O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é o senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma capacidade de gestão, vai levar à frente a nossa Política Nacional de Defesa e vai fortalecer e modernizar as Forças Armadas. Vamos discutir daqui a um ano. Tem gente que olha para o passado. Eu olho para o futuro.
    ....
    Carta Capital n˚ 659 (abaixo a primeira parte da entrevista na íntegra)
    Dilma e o Presente
    A presidenta fala sobre a troca na Defesa, as denúncias de corrupção e a crise econômica mundial
    Por: A Luiz Gonzaga Belluzzo, Mino Carta e Sergio Lirio

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  15. Você estava realmente muito inspirada. Parabéns

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  16. DEMISSÃO DE JOBIM
    Deselegância, sim. Machismo também
    Por Ligia Martins de Almeida em 15/08/2011 na edição 655

    A imprensa perdeu, semana retrasada, uma ótima oportunidade de discutir até que ponto o preconceito contra as mulheres é coisa do passado. É verdade que os eleitores escolheram uma mulher para presidente e, segundo as pesquisas, estão aprovando seu mandato. Mas será que isso vale também para outro tipo de eleitor, os políticos que disputam espaço com a presidente e suas escolhidas para os ministérios mais significativos?

    A demissão do ministro Nelson Jobim – depois da deselegância com que falou das colegas ministras – pelo menos das que ocupam ministérios mais importantes – seria um excelente motivo para aprofundar a discussão sobre o papel das mulheres na política. A verdade é que, mesmo com uma mulher na presidência, a representação feminina no Congresso ainda é muito pequena – 14% de senadoras e menos de 10% dos deputados federais.

    Em entrevista à revista piauí, enquanto comentava a discussão da liberação de documentos sigilosos do Estado, o ex-ministro disse,referindo-se à ministra das Relações Institucionais e à da Casa Civil: “É muita trapalhada, a Ideli é muito fraquinha e Gleisi nem sequer conhece Brasília”. A repercussão da fala do ex-ministro foi pequena até no Congresso. Enquanto as atingidas preferiram ignorar o assunto, o senador José Sarney perdeu uma ótima chance de ficar calado, ao dizer que “a Ideli não é fraquinha, até que é bem fortinha”. Resposta da ministra: “Não sou fortinha, sou gordinha.” Além de Sarney, o outro comentário que ganhou espaço na imprensa foi o do marido da ministra Gleisi, o também ministro Paulo Bernardo, que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, disse que não ia cometer o erro do Jobim e falar de outros ministros, mas não resistiu e disse: “Talvez como um gaúcho empedernido do interior ele tenha arraigada a insatisfação de ser comandado por mulheres.” Segundo a matéria, o ministro do Planejamento preferiu encerrar a conversa reconhecendo que havia exagerado.

    Uma “estocada no ex-ministro”

    Esse foi o único comentário – retirado, segundo o jornal – que mencionou o machismo como motivo do comentário infeliz do ex-ministro. E o que poderia ter sido um bom debate sobre o papel da mulher acabou virando mais um folclore que, pelo menos, resultou na demissão do ministro Jobim. Talvez, mais do que por ter falado mal das então colegas de ministério, por ter dito, em outra entrevista, que nas últimas eleições tinha votado no competidor de Dilma. Se Lula fosse o presidente e ele tivesse votado no opositor, seria franco o suficiente para dizer em público que tinha votado no opositor do governo do qual faz parte? Ou confessar o voto contra Dilma e falar mal das ministras foi apenas uma forma de dizer que não se conformava em ter um papel secundário no governo, principalmente porque duas mulheres, colegas de ministério, ganharam pastas de maior projeção do que a que ele ocupava?

    Ao dar posse ao sucessor de Jobim no Ministério da Defesa, a presidente fez um longo discurso destacando as qualidades do novo ministro, o que, segundo a comentarista de política da Globo News Cristiana Lobo, foi uma “estocada no ex-ministro”, quando disse que Amorim, um diplomata de carreira, sabe trabalhar em equipe. Parecia estar dando um recado não apenas ao ex-ministro, mas a todos os políticos, avisando que ela é a chefe e que suas escolhas devem ser respeitadas.

    ***
    [Ligia Martins de Almeida é jornalista]

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  17. RECOMENDO:
    O estilo Dilma
    Por Joaquim Aragão

    Pois eu acho que a Dilma está se saindo melhor do que a encomenda. Com seu estilo próprio, diferente do Lula, está inovando nos mais diversos aspectos da política. É fato novo sobre fato novo. Tanto na forma de tratar com a imprensa, a corrupção quanto na articulação política. De dependente do Lula ela não tem mais nada (daí concordar com a crítica do próprio Lula aos queremistas lulistas)!

    Primeiramente cabe destacar que a conquista do poder por forças progressistas não tem o objetivo apenas ganhar as eleições. De nada adianta ganhá-las se o progressistas não conseguirem emplacar sua agenda (ver Obama). Ao contrário do Obama, Dilma está conseguindo impor a agenda progressista dela até à oposição conservadora! Por mais que esta queira e vá explorar o programa nas próximas eleições, a vitória da agenda é, do ponto de vista estratégico, mais importante que o embate eleitoral (e, claro, a Dilma terá mais argumentos ainda para o eleitor, pois conseguiu dobrar governos conservadores para sua agenda, e não o contrário!).

    Quanto ao estilo "dilmista" de governar, ela pode irritar os “confrontistas” por aparentemente estar bajulando “ingenuamente” seus algozes (Folha, Alckmin, FHC, etc.), mas o que ela está querendo na verdade é consolidar cada vez mais as instituições democráticas, independentemente de algumas estarem na mão do bloco conservador.

    A ida à Folha deve ser interpretada como uma sinalização da Presidenta de que o PT é o verdadeiro fiador das instituições democráticas.(...)
    Esse reforço das instituições democráticas burguesas é mais do que um “cala-boca” para golpistas de plantão da direita: como o Lula já enfatizou várias vezes, elas são essenciais para o progresso social, sem as quais ele nunca poderia ter feito a carreira que fez. Inversamente, são os governos conservadores que primam mais pela falta de democracia, mesmo enchendo a boca com a defesa dela: a corrupção é desmedida, mas não noticiada pela imprensa, que se torna chapa-branca; a repressão contra movimentos sociais é dura, e por aí vai.

    Portanto, defender as liberdades democráticas burguesas, as quais não são garantidas amplamente pelos governos da burguesia, é uma estratégica essencial para o progresso social. E quando a Dilma dá às mãos às instituições dominadas pelas forças conservadoras, ela não está entregando os pontos, pois a política dela continua cada vez mais progressista. E é a direita que fica desnorteada, pela perda de argumentos e pela adesão forçada à agenda do governo.

    Por último cabe observar um outro aspecto da tática dilmista de governar: quando um ministro cai em função dos ataques da imprensa conservadora, ela vem o substituindo por uma figura alheia ao grupo de poder que se encastelava atrás do ministro substituído: assim, a queda de Jobim levou Amorim ao poder, para tristeza das viúvas da ditadura no setor militar; já a queda do Rossi, representante do agrobusiness, levou ao poder um político de fora desse mesmo bloco, para desespero dos latifundiários. Antes a direita e sua imprensa não tivessem mexido com o Rossi! Ou seja, a Dilma está fazendo a imprensa trabalhar para ela, contra a vontade desta!

    Isso é um jogo sem risco? Claro que não, mas ela resolveu apostar nessa técnica. Até porque não podia continuar com a tática contemporizadora do Lula: ela não tem o carisma e o apoio popular do Lula para sobreviver aos escândalos, e não poderá governar com a corrupção andando solta, sobretudo em tempos de crise econômica e de necessidade de maior eficiência dos gastos. ...

    Mas até agora Dilma comprovou saber gerenciar as crises, não deixando que elas prejudiquem as políticas públicas inovadoras. A “independência” do PR pode atrapalhar no momento. Mas quando os resultados positivos aparecerem, quero ver se eles não irão buscar seu pedacinho do sucesso.
    (...).

    www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-estilo-dilma

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  18. Fátima Oliveira, Dona Lô é um achado literário. Fiquei abismada com a beleza dela

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