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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Um causo para Inácio: a arte de ser Mágico de Oz



HISTÓRIAS DE TRANCOSO, CONTOS DE CAROCHINHA E CAUSOS DA TIA CUSTÓDIA
Fátima Oliveira
Médica -
fatimaoliveira@ig.com @oliveirafatima_


Meu neto Inácio Oliveira Fernandes chegou aos pampas gaúchos no romper da madrugada de 4 de agosto. Filho da Débora e do Paulo, ainda infante, tem uma agenda com o Brasilzão, o cosmopolita e o profundo, para conhecer uma grande família no Nordeste, no Centro-Oeste e as delícias dos ares das montanhas de Minas, pois Belo Horizonte é parte do DNA de nossas vivências. Ele também terá de aprender e se conformar que nasceu numa família de mulheres falantes de nascença, então, que prepare as "oiças" para a bodejação.

  (Judy Garland como Dorothy, e o cachorrinho Totó, em cena de O mágico de Oz)

  Inácio é um mimo para nós e alegra nossas vidas, a exemplo do Mágico de Oz, que atendeu a todos: ao Espantalho, deu um cérebro de alfinetes - com o qual, o feliz boneco de palha julga-se o ser mais inteligente do mundo; ao Homem de Lata, um coração falso; ao Leão, uma beberagem de coragem; e, para Dorothy, construiu um outro balão para sair de Oz. Sonho que ele ame poesia e aprenda com Fernando Pessoa que "um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é".Tenho um repertório de lindas histórias de Trancoso, contos de Carochinha e causos da tia Custódia, que eu venerava, e que "não tinha onde morar e rodava as casas dos parentes, de uma casa para outra até a próxima briga. Fazia uma comida maravilhosa, contava belas histórias, fazia renda de bilro e fiava algodão. Mas era uma encrenqueira de marca maior quando decidia beber cachaça. Aprontava. Passava meses e até anos sem beber um gole, mas, quando bebia, adeus, censura, ficava nua na rua", para mostrar o "delegado" quando a molecada dizia que ia chamar o delegado...

 Ouvirá histórias da meninice da mãe: um "vestido de Luiz Gonzaga", feito por exigência do bisavô Braulino para levá-la a um show do velho Lua no qual o pai velho a colocou nos braços de Gonzagão dizendo: "Mestre, eu trouxe a minha bisneta para lhe conhecer, pá, quando ficar grande, poder dizer que conheceu Luiz Gonzaga, o Rei do Baião". Era 1983, show de Luiz Gonzaga no Clube Tocantins, em Imperatriz (MA). "O bisavô, que insistiu em ver antes com qual roupa ela iria, queria a bisneta bem bonita para conhecer o ídolo dele. Roupa de gala, disse-me ele. Exigência satisfeita, pois o vestido da Débora era de ‘broderi’ (brocado) com pequenas flores. Belíssimo e tão especial que ela o chamava de ‘meu vestido do Luiz Gonzaga’" (O TEMPO, 2.7.2003).


"Mas era uma
encrenqueira de marca maior quando
decidia beber cachaça.
Aprontava. Quando
bebia, adeus, censura,
ficava nua na rua".






Assim sendo, Inácio, um gauchinho de raízes lá do sertão do Maranhão, vai transitar entre fandango e música do sertão nos maviosos acordes dos sanfoneiros do Sul e do Nordeste e aprenderá a cantar "É Disso que o Velho Gosta": "...Meu pai era um gaúcho que nunca conheceu luxo/ Mas viveu folgado enfim, e quando alguém perguntava/ O que ele mais gostava, o velho dizia assim: churrasco e bom chimarrão/ Fandango, trago e mulher/ É disso que o velho gosta/ É isso que o velho quer..." (Berenice Azambuja e Gildo Campos).





Como a mãe, nosso guri adormecerá ao som de Vivaldi e gostará de "O Xote das Meninas", de Gonzagão: "Mandacaru quando ‘fulora’ na seca/ é um sinal que a chuva chega no sertão/ Toda menina que enjoa da boneca/ é sinal de que o amor já chegou no coração (...) Vestido bem cintado, não quer mais vestir gibão/ Ela só quer, só pensa em namorar".



 Ah, e como Clarinha apreciará passarinhos livres e pedir: "Quero ver boi, vovó!". E nos perderemos na ilha de São Luís do Maranhão, atrás de seus mil e um bumba meu boi, degustando arroz de cuchá, torta de camarão, refresco de cajá, cambica de murici e creme de abricó, num mundo de poesia...

 

 

(Abricó)
Publicado no Jornal OTEMPO em 07.08.2012

11 comentários:

  1. Uau, que bela maneira de ser recebido no mundo! Parabéns Inácuio e parabéns vovó!!

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  2. Ai que lindo Fátima. Desejo toda a felicidade do mundo para Inácio

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  3. Juliana Macedo Costa7 de agosto de 2012 11:00

    Uma avó que baba e faz prosa-poema para o netinho. Felicidades

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  4. Sandra pacheco Romão7 de agosto de 2012 13:03

    Eu também estou babando com esse gauchinho sertanejo

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  5. Eita netinho festejado. Adorei as raízes do Inácio. E claro, ele tem de se babar com as histórias de tia Custódia, ela era maneira demais da conta

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  6. Éric Santana da Costa7 de agosto de 2012 21:09

    Sou fã do Mágico de Oz e fiquei emocionado com a sua hoimenagem ao seu neto tendo como ponto de partida o Mágico de Oz. Sua crônica é uma literatura especial.

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  7. ... No Mundo Mágico de Oz
    Gyl


    Esse ser mecânico que sou,
    Movido a paixão e de amor,
    Anda enlaçado pelos punhos,
    Desde o início do mês Junho,
    Atado a uma penosa solidão...

    Homem-de-lata-robô eu sou.
    Ando a procura de um coração...

    Caminho sobre tijolos dourados,
    Com teus olhos desvencilhados
    Mergulho em profunda escuridão.

    Para confessar que eu te amo
    Tenho medo similar ao do leão;
    Sou mais um espantalho humano
    Perdido sem teologia ou razão...

    Sou homem-de-lata-robô...
    Sem saber quem é meu algoz...
    Perdido no mundo mágico de oz.
    Grito... Longe ecoou:

    Quem roubou meu coração?


    Extraído de http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=147841

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  8. Esse menino já nasceu mergulhado num caldo de cultura....Eta geito bom de nascer uai....

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  9. Inácio, escolheu o mesmo mês da mãe (agosto) prá nascer, muito fofo esse gauchinho! Tô babandoooo....adoro netos!nossas descendências.... são bênçãos! Tadinho...se dividir entre Sul e Nordeste rsrs essa comadre Fátima antecipa o futuro do neto.Bjs Ana Helena

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  10. Fáááááátima sua maluca, você já é avó? Fiquei muitio feliz em saber. Imaginem que eu conheci a Débora e a Lívia pequenininhas e pareciam duas bonecas de tão lindas e bem vestidas. Também vi no blog que a Lívia tem uma menininha, fofa demais também. Vou escrever pra vocês agora que as descobri. Moro em Curitiba, mas infelizmente ainda não tenho netos.

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  11. Para que possas relembrar: fomos colegas no curso de inglês do yazigi em Imperatriz. Eu morei lá vários anos, eu e meu marido trabalhávamos no Banco do Brasil. Beijos nas meninas.

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