... é um ponto de publicação de "coisas" escritas em momentos de grandes inspirações, pois a Chapada do Arapari é um lugar que existe, mas ao mesmo tempo é meu imaginário...
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quinta-feira, 17 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Mensagem da presidenta Dilma Rousseff por ocasião do Dia Internacional da Mulher
| Presidenta Dilma Rousseff participa da soltura de cem tartaruguinhas no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (PRN). Foto: Marcelo Garrido/Agência Força Aérea |
No Dia Internacional da Mulher, quero ressaltar que a eliminação da discriminação de gênero e a valorização das mulheres e das meninas são estratégias indispensáveis para alcançarmos êxito em nossa luta contra a pobreza. Com base em iniciativas como a Lei Maria da Penha, temos alcançado progresso no combate à violência contra as mulheres, mas ainda há muito por fazer. Temos o compromisso sagrado de enfrentar essa questão, intensificando e ampliando as medidas adotadas no governo passado. O Brasil que queremos, e que vamos ter, é um país sem violência. É um país com água, com luz, com saneamento, com educação de qualidade e emprego digno para todos. É um país rico, em que as mulheres e os homens têm as mesmas oportunidades e privilégios, contribuindo juntos para o desenvolvimento e o criando seus filhos com dignidade e com orgulho.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
Não compete só ao governo dar as condições de mudança, a sociedade precisa participar
No mês do Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã (8/3), o Blog do Planalto traz uma série especial dedicada às brasileiras que ajudam a construir um país melhor. Para falar sobre as ações que o governo da presidenta Dilma Rousseff tem empenhado em prol da equidade de gêneros e da promoção dos direitos e proteção às mulheres, conversamos com a ministra-chefe da Secretaria de Política para as Mulheres, Iriny Lopes, que, em entrevista exclusiva, afirmou que não compete só ao governo dar as condições de mudança para a promoção dos direitos das mulheres; a luta deve ser contínua e com participação de toda a sociedade.
“A sociedade como um todo precisa participar disso. Os nossos companheiros, os homens de uma forma geral, as mulheres de uma forma geral, as famílias também deem condição de ascensão, deem apoio, sem medo, decidida e decisivamente às mulheres que querem participar da vida política”, frisou.
Para ver os outros posts da série clique no selinho acima.
Iriny Lopes afirmou que a presidenta Dilma irá conduzir um governo “que está imbuído de atuar conjuntamente na intersetorialidade das políticas e dos programas para aprofundar os projetos que farão a igualdade das mulheres no mundo do trabalho, no mundo da educação, saúde e infraestrutura”.
“É uma oportunidade não só para as mulheres, é uma oportunidade para o conjunto da sociedade, para fazer uma sociedade diferente, igual, mais feliz, com mais possibilidades e oportunidades para todos e todas.”
Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Equidade de gênero
Ela [a presidenta Dilma Rousseff, enquanto ministra de Minas e Energia] constituiu o programa de equidade de gênero junto a empresas como a Eletronorte, Petrobras, entre outras, buscando fazer com que a participação das mulheres fosse equânime. Não só o acesso, mas também a igualdade de salário e a chegada aos postos de chefia e decisão das empresas. Hoje nós queremos ampliar para o mundo privado (…). Vamos conversar com as grandes federações, vamos envolver o empresariado brasileiro, buscando apoio e ampliação do projeto de equidade de gênero.
Infraestrutura de apoio à mulher
A presidenta Dilma cumprirá integralmente o seu compromisso de campanha com a construção das 6 mil creches. Já no mês de março inicia-se a criação de algumas creches.
São muitas as ações do governo federal, sob o comando da nossa presidenta. A construção de restaurantes populares, onde as famílias podem se alimentar, principalmente as famílias com a capacidade financeira menor, elas podem se alimentar com dignidade (…); os investimentos nas lavanderias comunitárias (…); a constituição de mais delegacias, para que as mulheres vítimas de violência possam apresentar as suas queixas, os núcleos de atendimento às mulheres, as casas abrigo (…); as praças do PAC, que irão contemplar a questão do gênero (…); investimentos na qualificação profissional das mulheres para que elas possam disputar o mercado de trabalho(…); e o governo ampliar os investimentos na área dos equipamentos sociais.
Educação
Na educação, nós pretendemos ampliar o número de professores na área de gênero e diversidade para que na escola a gente esteja formando uma nova geração, uma nova concepção de igualdade, de respeito, começando na escola um tratamento igual entre meninos e meninas, para que as novas gerações não reproduzam uma cultura atrasada de desigualdade.
Erradicação da extrema pobreza
A mulher terá muito destaque [no programa de erradicação da extrema pobreza] porque a população mais empobrecida do nosso país majoritariamente é de mulheres; entre as mulheres majoritariamente é de negras e acompanhando as mulheres pobres – negras ou brancas – estão os seus filhos, adolescentes e crianças. Combater miséria é fazer um conjunto de políticas articuladas que deem oportunidade a todos e todas, mas com o destaque da questão feminina.
Enfrentamento à violência
Nós estaremos trabalhando dentro PPA e do Orçamento para ampliar os recursos para instalação das nossas delegacias, dos nossos núcleos de atendimento a mulheres, das nossas casas abrigo, e isso, obviamente, em convênio com os governos dos estados e prefeituras. Assim como atuando mais politicamente junto às instâncias do Judiciário (…). Nós não podemos ter mais casos em que as mulheres denunciam, abrem o processo e elas morrem no meio assassinadas pelos seus agressores, que dividem com ela os seus lares.
Primeira presidenta mulher
É a primeira oportunidade que nós mulheres brasileiras temos de ter uma presidenta, e isso faz uma diferença e vai aprofundar o legado positivo que o presidente Lula nos deixou. Então a presidenta Dilma vai conduzir um governo que está imbuído de atuar conjuntamente na intersetorialidade das políticas e dos programas para que a gente possa aprofundar os projetos que farão a igualdade das mulheres no mundo do trabalho, no mundo da educação, saúde e infraestrutura.
Nós temos que ver como um momento de oportunidades a eleição da presidenta Dilma, para que as políticas para as mulheres sejam aprofundadas, para que homens e mulheres enxerguem que as mulheres – e se convençam definitivamente – que as mulheres podem sim, têm competência sim, têm capacidade sim (…). É uma oportunidade não só para as mulheres, é uma oportunidade para o conjunto da sociedade, para fazer uma sociedade diferente, igual, mais feliz, com mais possibilidades e oportunidades para todos e todas.
Reforma política
A reforma política que está em curso no Legislativo brasileiro, no nosso Congresso Nacional, deve contemplar mecanismos que garantam uma condição de igualdade entre homens e mulheres na disputa de espaços de poder. E que essa reforma política venha no sentido de fortalecer a presença das mulheres, porque a democracia brasileira não estará completa enquanto as mulheres estiverem sub-representadas tanto no Executivo quanto no Legislativo.
FONTE: http://blog.planalto.gov.br/
| Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Política para as Mulheres. Foto: Elza Fiúza/ABr-Arquivo |
terça-feira, 1 de março de 2011
O primeiro Dia Internacional da Mulher do governo Dilma

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“Eu nunca imaginei ser presidente da República, sempre fui uma servidora pública” - Dilma Roussef (PT).
Não se concebe mais uma conferência atrás de outra
Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br
Será inesquecível?
Depende. Pense na manchete: "Dilma anunciará prioridade máxima para as mulheres", no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O que é prioridade máxima para as mulheres no governo da primeira presidenta do Brasil? A opressão de gênero está encerrada num nó górdio. Para desatá-lo (ou cortá-lo?), urge que o governo saiba que necessidades imediatas e estratégicas de gênero são demandas igualmente importantes. Como na música dos Titãs: "A gente não quer só comida/ A gente quer comida/ Diversão e arte". Falo impropérios?
As "necessidades imediatas de gênero" - dizem respeito às condições materiais de existência (moradia, saneamento, transporte, equipamentos sociais etc) e acesso aos direitos legais; e "necessidades estratégicas de gênero" - são os aportes indispensáveis às perspectivas de equidade entre os gêneros. Inquieta-me pensar que o governo Dilma decida atuar apenas no viés economicista das necessidades imediatas de gênero, insuficiente para superar as muitas nuances da cidadania de segunda categoria das mulheres.
Exemplo paradigmático é a violência contra as mulheres. Pesquisa nacional (Fundação Perseu Abramo e Sesc), divulgada em 21.2.2011, estima que, a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil - evidência de que o tema se enquadra nas necessidades imediatas de gênero, exigindo equipamentos públicos de apoio à mulher em situação de violência, como delegacias de mulheres e casas abrigo, e aplicação de leis - tudo agindo sobre fatos consumados.
A prevenção da violência de gênero exige estratégias de mudanças dos padrões culturais patriarcais, machistas e racistas, que consideram a mulher propriedade privada do homem, incluindo a versão reeditada por vertentes religiosas contemporâneas, apoiada por parlamentares conservadores que, não tendo mais em quem mandar, aspiram a legislar sobre os corpos femininos.
Do dito até agora sobre a "prioridade máxima para as mulheres" não aponta para investimentos na mudança de padrões culturais patriarcais, a não ser que esteja embutido nos eixos da 3ª Conferência de Políticas para as Mulheres (12 a 15.12.2011): "Autonomia das mulheres e combate à pobreza", que, usando de honestidade intelectual, é aquém do necessário sem o direito ao aborto.
Uma coisa é o que o governo acha que deve fazer e se dispõe a fazer. Outra bem diferente é pautá-lo para avançar na trilha de mais cidadania feminina. É a hora e a vez de indagarmos sobre o papel de uma conferência nacional de políticas para as mulheres hoje. É o instrumento privilegiado da luta feminista para a interlocução com o governo? Por que ainda não foi feita uma avaliação do impacto das conferências e dos planos delas decorrentes na vida das mulheres?
É da alçada do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, já que referendou o formato de conferência nacional, inovar quanto às preparatórias municipais e estaduais, pois o modelito delas de há muito está esgotado: reedição do Muro de Lamentações (ai, que fadiga!). Não se concebe mais, pela solene inutilidade delas, uma conferência atrás da outra sem avaliar o que resultou do definido nas anteriores nos âmbitos municipais, estaduais e federal. Conferência para cumprir cronograma governamental de concertação social e, não, de diálogo em pé de igualdade, e fazer proselitismo político é fora de propósito e um modo de dizer, acriticamente, amém ao governo.
É preciso honrar o centenário Dia Internacional da Mulher!
Publicado no Jornal OTEMPO em 01/03/2011
www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdColunaEdicao=14430

Uma campanha para comemorar o “Dia Internacional da Mulher”
Para comemorar o “Dia Internacional da Mulher”, o governo federal começou a divulgar desde ontem campanha publicitária. As peças de comunicação, que incluem TV, rádio, internet, revistas e cartazes, foram criadas para elevar o sentimento de autoestima da mulher, destacando suas conquistas, seu potencial, sua capacidade e sua força transformadora. A campanha fica no ar até o fim de março.
“Quando as mulheres transformam a sua história, o Brasil inteiro se transforma com elas,” diz.
A campanha deste ano se reveste com um enfoque bem especial, já que é o primeiro ano da presidenta Dilma Rousseff no mais alto cargo do país. Tomando este e tantos outros exemplos espalhados Brasil afora, a mulher é posicionada como protagonista de suas conquistas e do exercício dos seus direitos.
“Ela ainda não sabe, mas o que realmente importa é que no Brasil de hoje ela tem a oportunidade de ser o que quiser”, destaca.
As peças de comunicação também reforçam o papel da mulher como agente transformador no processo de desenvolvimento econômico e social do país, já que representa a maior parte da população, 41% da força de trabalho, e chefia cerca de 35% das famílias.
28 de fevereiro de 2011 às 11:37
FONTE: Blog do Planalto
http://blog.planalto.gov.br/
Dilma Rousseff grava com Ana Maria Braga
Presidenta toma café da manhã com a apresentadora na casa do “Mais Você”
Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo
Nesta terça-feira (01), o programa “Mais Você” terá uma entrevista especial com Dilma Rousseff. A Presidenta esteve na manhã desta segunda-feira (28) no estúdio da atração, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde foi recebida por Ana Maria Braga.
Dilma chegou de helicóptero e visitou as instalações da emissora ao lado da apresentadora. Durante a entrevista, a dupla conversou sobre a política no Brasil e a aceitação dos brasileiros pela nova representante do país, embora muitos a vejam como uma pessoa dura. “É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural. As pessoas vão se acostumar com cada vez mais mulheres conquistando espaço”, afirmou Dilma.
Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo
O câncer, doença vencida pelas duas, também foi assunto no bate-papo. O fim da entrevista aconteceu na cozinha, onde a convidada mostrou seus dotes culinários e preparou uma omelete de queijo.
Presidente Dilma Rousseff grava Mais Você e prepara omelete com Ana Maria Braga
Em homenagem ao mês das mulher, Ana Maria Braga recebe a presidente Dilma Rousseff no estúdio do Mais Você nesta terça-feira. Dilma chegou de helicóptero à Central Globo de Produção, pela manhã, e foi direto para a casa do Mais Você. Durante o trajeto, Ana Maria acompanhou os passos da presidente.
Dilma falou sobre o trabalho nos primeiros meses de seu governo, a relação com a família, o convívio com o ex-presidente Lula e a paixão por obras de arte. E agradeceu a solidariedade de Ana Maria quando recebeu o diagnóstico de câncer, doença que a apresentadora também teve - e vencida pelas duas. Ana comentou o fato de verem a presidente como uma pessoa dura. “É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural. As pessoas vão se acostumar com cada vez mais mulheres conquistando espaço”, disse a presidente.
Dilma Rousseff também conversou com a ex-candidata à presidência Marina Silva, por vídeo, e ambas falaram sobre políticas de inclusãopara mulheres. A propósito, Dilma esclareceu que prefere ser chamada de "presidenta", para ressaltar o fato de pela primeira vez uma mulher ocupar a presidência do Brasil. “É para enfatizar que a agora existe uma mulher no mais alto cargo do país, que nós podemos sim chegar longe”, explicou Dilma.
Ana Maria aproveitou o papo para convidá-la a mostrar os segredos de seu omelete favorito, na cozinha do programa. As duas garantiram que fica uma delícia. “E não engorda”, disse Dilma, que contou ter emagrecido 6 Kg desde que assumiu.
Dilma toma café da manhã com Ana e justifica fama de durona
Nesta terça, 1º de março, Ana Maria Braga recebeu a ilustre presença de Dilma Rousseff no Mais Você. Em homenagem ao mês da mulher, a presidenta falou sobre sua rotina de trabalho nos primeiros meses de seu governo, a relação com a família, o convívio com o ex-presidente Lula e a paixão por obras de arte. “Sempre gostei de MPB, cinema, de sentar num barzinho e conversar com as pessoas”, contou a mineira que está quebrando um paradigma social para as mulheres. “Quando a mulher assume alguma posição de autoridade, ela é vista como estando um pouco fora de seu papel. Mas isso era até agora. Daqui pra frente as meninas podem querer ser presidentas e vai ser visto como uma coisa normal. Quando você quebra um paradigma a primeira reação é de estranheza, depois as pessoas acostumam”, disse.
Ana Maria vê Dilma como uma pessoa amiga, longe da fama de durona que ela conquistou na carreira política.“A Dilma é agradável, sorridente, conhecendo mais de perto você percebe a pessoa humana que é e como é”, disse Ana sobre a presidenta, como a mineira prefere nomear o seu posto de maior autoridade política do país. Ela atribui a fama de durona ao fato de ser uma mulher em uma posição de autoridade. “Você já viu algum homem que chega à direção do país chegar lá e ser chamado de duro? É porque são homens. A mulher pode ser frágil fisicamente, mas não necessariamente é menos forte do que o homem por dentro”, disse.
Força ela já mostrou que tem de sobra. Há dois anos, venceu um câncer e seguiu firme na vida política. Na época, a presidenta recebeu o apoio de Ana Maria, que também superou a doença. Dilma agradeceu a solidariedade e disse que aprendeu muito com a apresentadora. “No fim, o que importa é lutar pela vida. Ao lutar pela vida você a valoriza. A solidariedade é um gesto fundamental”, disse. “E o cabelo ficou lindo agora”, brincou Ana. “Eu disse que ele ia crescer, não disse?”, respondeu a presidenta, que tem sido tratada de igual pra igual pelos brasileiros.
“O Brasil é um país especial. No Brasil não tem uma relação de submissão, de se achar menos que as pessoas. Sinto uma relação de igualdade. Me tratam intimamente, conversam como antes e falam com sinceridade, sem querer agradar, fazem sugestões, reclamam, elogiam, contam histórias pessoas... É um país republicano. A relação de igualdade está sempre presente. Não é uma relação de desigualdade”, contou.
VIDA NORMAL FORA DA POLÍTICA
Dilma garante que fora da política, leva uma vida normal. A mineira é apaixonada pela família e tem orgulho da filha, que tem a personalidade forte da mãe. “Ela é zelosa com o que conquistou. É procuradora do Ministério Público do Trabalho, tem os valores dela e preza muito esses valores. Ela prefere se manter mais discreta e mais afastada”, disse. “Tenho sorte porque ela já está na fase de independência. Quando ela era pequena, ligavam pra mim quando eu estava trabalhando. Ela tinha asma e eu tinha que cuidar dela. Hoje tem a família dela. Quando nasce o primeiro filho, a gente fica mais mulher, mais gente”.
Com a agenda lotada, a presidenta mal tem visto o neto Gabriel. “Tenho o visto sistematicamente. É uma relação em que você não tem responsabilidade, mas tem um carinho, um amor infinito”, contou a presidente que no carnaval vai matar a saudade do netinho. “Como eu disse, sou normal. Tenho vontade enorme de ver o meu neto. Não entendia quando as pessoas diziam que tinham que ir pra ficar com o neto. Agora entendo perfeitamente, eu quero ficar com ele. E tudo pode! Se ele quiser que eu carregue, eu carrego. Se tiver que tirar da cama, eu tiro. Não tenho a menor responsabilidade de educar como tinha com minha filha. Uma avó normal...”, contou Dilma, que está sempre acompanhada da mãe. “Minha mãe foi muito solidária em todas as minhas dificuldades, inclusive quando eu fiquei na cadeia”, lembrou.
HERANÇA BÚLGARA E EXPERIÊNCIA MINEIRA
Foi do pai, búlgaro, Dilma herdou o interesse pela cultura e pelas causas sociais. “Meu pai veio para o Brasil porque a Bulgária teve um período de fascismo. Um pouco antes da 2ª Guerra Mundial ele foi pra Europa e depois para América Latina. Primeiro Argentina e depois Brasil. Minha grande influência veio via família da minha mãe, mineira, com experiência de Minas, do Brasil profundo. De falar uai, aquele jeito mineiro de ser”, contou. “Tenho relação afetiva com a Bulgária. Meu pai era bastante forte e achava que todos tinham que estudar.
Gostava de ler aqueles livros que as meninas liam, a Coleção das Moças. Meu pai fazia uma trocá-la pelo Dostoievsky”, lembrou a presidenta, que aos 14 anos ganhou do pai a coleção do Jorge Amado. “Ele foi muito importante na minha vida, valorizou uma coisa que todos os pais e mães devem valorizar nas crianças e jovens, o estudo. É uma forma de conhecer o mundo e ser uma pessoa melhor tanto pra você quanto pros outros”. Dilma contou que tem paixão por livros e adora cheirá-los. “Se quiser me dar imenso prazer, me deixa numa livraria. Faço outras compras como todas as mulheres, mas amo livros. Aquele cheiro da página nova, aquela imensa surpresa quando você lê um livro. É como conhecer o mundo, conhecer um lugar em que você nunca esteve”, contou com brilho nos olhos. A militância também foi herança do pai, que queria justiça no mundo. “Ele transferiu isso pra mim, os pobres são iguais a gente, tem que ter ética em relação às pessoas que mais precisam”.
ROTINA PRESIDENCIAL
Na segunda parte da entrevista, Dilma Rousseff falou sobre a rotina presidencial. Ela contou que nem sentiu os 60 dias de seu governo e que não trabalha menos de 12 horas por dia. “Passa rápido, parece que começou ontem. Tem momentos em que entro muito cedo e saio muito tarde. Geralmente trabalho de 9 às 21h. Mas já saí depois dessa hora. Já saí 1 da manhã. Chega uma hora no final que estou tão cansada que fico conversando pra descontrair antes de ir embora”, revelou a presidenta, que emagreceu 6 kg desde que assumiu a presidência.
Sobre o dia da posse, ela lembra da sensação que teve quando Lula passou a faixa para seus ombros. “Foi um momento muito especial porque você tem sobre si todo o peso e a responsabilidade de dirigir o país debaixo daquela faixa levinha de seda. Pensei ‘agora é a minha vez’”, lembrou. Para ela, o momento também teve uma enorme carga afetiva. “Trabalhei com o presidente Lula depois de junho de 2005 todos os dias. Tarde da noite a gente trabalhava. Também estava comovida por ele ir embora, fiquei triste por ele sair. Então foi uma duplicidade”, revelou.
A presidenta definiu Lula como uma pessoa competente na administração, mas também muito doce, suave, afetiva. “Ele cria isso, cria um envolvimento com as pessoas muito forte. Além disso, tem uma qualidade que é um enorme senso de humor. Isso tem um requisito, que é ser inteligente pra rir de si mesmo. Apesar de ser extremamente exigente, também é muito afetivo. Fica muito fácil trabalhar com ele”.
PRESIDENTA COM A
Não poder mais andar na rua como antes é a parte ruim da presidência. “É muito bom andar na rua, ver as pessoas, compartilhar do mundo o que as pessoas desfrutam quando vão à rua. Isso não posso mais fazer”, lamentou. Para ela, ser presidente é sobretudo um grande desafio, que nunca acaba. “Você não resolve o problema um dia, você resolve todos. É como se todos os dias eu tivesse que escalar o Everest”, revelou. “Isso é bom porque esse é o desafio que pode transformar o Brasil, como tudo na vida tem dois aspectos”, analisou. Mas até a responsabilidade de escalar o Everest todos os dias é efêmera. “Por isso é bom a democracia, ninguém fica pra sempre no governo. De 4 em 4 anos renova. No máximo são 8 anos. Então presidente volta a ser uma pessoa normal, a viver como sempre viveu”, refletiu Dilma, que há muito tempo lida com grandes responsabilidades.
Presidenta é como ela prefere nomear o seu cargo de maior autoridade política do país. O motivo? Enfatizar o fato de ser a primeira mulher a ser presidente do Brasil. “Não estou cometendo nenhuma barbaridade querendo ser presidenta do ponto de visto gramatical”, brincou. “Quero enfatizar o a, o signo do feminino. E não é errado. Acho que a primeira mulher tem a obrigação de ser presidenta”, explicou. “Cheguei a presidenta porque uma porção de mulheres saíram de suas casas e foram estudar, trabalhar. Viraram enfermeiras, professoras, apresentadoras de televisão, engenheiras, médicas, vereadoras, empregadas domésticos. Começaram a construir o Brasil de forma anônima. Mas cada vez mais, passaram a construir o país de forma muito clara e explícita. Devo isso as mulheres brasileiras... de ser presidenta”, agradeceu.
FONTE: http://maisvoce.globo.com/MaisVoce/0,,MUL1650594-18173,00.html
De mulher para mulher: Hebe entrevista Dilma Rousseff
Presidenta recebe apresentadora da RedeTV! no Palácio da Alvorada, em Brasília
Dilma Rousseff não estará no jantar de gravação do primeiro programa de Hebe Camargo para a RedeTV!, mas uma entrevista com ela fará parte da estreia da atração, no dia 15 de março.
A apresentadora esteve no Palácio da Alvorada, em Brasília, e conversou durante 40 minutos com a Presidenta do Brasil. “Foi um papo leve com um clima descontraído. De mulher para mulher”, afirmou a assessoria do canal.
Durante a entrevista, Dilma falou sobre música, vaidade, dieta e contou para Hebe como é seu dia-a-dia.
Dilma Rousseff não estará no jantar de gravação do primeiro programa de Hebe Camargo para a RedeTV!, mas uma entrevista com ela fará parte da estreia da atração, no dia 15 de março.
A apresentadora esteve no Palácio da Alvorada, em Brasília, e conversou durante 40 minutos com a Presidenta do Brasil. “Foi um papo leve com um clima descontraído. De mulher para mulher”, afirmou a assessoria do canal.
Durante a entrevista, Dilma falou sobre música, vaidade, dieta e contou para Hebe como é seu dia-a-dia.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Tambor de crioula do Maranhão & Carnaval
| Tambor de Crioula, de Lisy Telles |
Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de criola são variados podendo ser: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos.
Não existe um dia determinado no calendário para a dança, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer época do ano. Atualmente, o tambor de criola é dançado com maior frequência no carnaval e durante as festas juninas.
Em 2007, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
TAMBOR DE CRIOULA
Júnior e Oderban Oliveira
Quem ainda não viu
tambor de crioula do Maranhão?
afinado a fogo tocado a murro
dançado a coice e chão?
crioula, crioula
aê tambor da ilha rufou
aê ê a cachaça já baixou
aê ê tinidô, repipocou
aê ê a pungada derribou
ô vira vira os óio pro rabo da saia dela
cambono tá inspirado e ogã cantando pr´ela
requebra com peneirado, olerê
rosa amarela
ô vira a boca cheia de dentes pr´outro lugar
palmito meu tu não come
besta é tu pode rinchar
coreiro de mão inchada olerê já vai parar
ô dá licença minha gente eu vou m´embora
eu vou m´embora já está chegando a hora
eu vou m´embora mas um dia eu volto aqui
se deus quiser Jesus e Nossa Senhora
se deus quiser Jesus me dê cachaça
se deus quiser Jesus e dona da casa
se deus quiser Jesus e cabocla Jurema
se deus quiser Jesus e dona da casa
![]() |
| Alcione, Oberdan Oliveira, Célia Sampaio e Fátima Passarinho |
| O ritmo é executado em três tambores feitos de tronco, escavados a fogo. O tambor grande é chamado Socador ou Roncador (faz a marcação para a punga); o médio, o Meão (responsável pelo ritmo); e o pequeno, Pererenga ou Pirerê (faz o repicado). |
As dançantes se apresentam individualmente no interior de uma roda formada por um grupo de vários brincantes, incluindo dirigentes, dançantes, cantadores e tocadores.
A brincante que está no centro é responsável pela demonstração coreográfica principal, mostrando sua forma individual de dançar. No centro da roda os movimentos são mais livres, mais intensos e bem acentuados.
No Tambor de Crioula encontramos uma particularidade que se constitui o ponto mais alto da dança, a punga.
Entre as mulheres, se caracteriza como o convite para entrar na roda. Quando a brincante está no centro e quer sair, avança em direção à outra companheira, aplicando-lhe a punga, que consiste no toque com a barriga. A que estiver na roda vai para o centro para continuar a brincadeira.
FONTES: www.turismo-ma.com.br/carnaval.php
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_crioula
TAMBOR DE CRIOULA

Mexe, remexe, rebola é tambor de crioula
A ginga descente envolvente é tambor de crioula
É sensualidade pura, não da pra segurar
Faz qualquer tristeza se alegrar
Chega mais pra cá, chega pra sambar
Mostra todo o seu gingado
Faz nego babar, quando rebolar
Quero ver seu requebrado
O Terreiro na palma da mão
De cavaco, tantan, violão
Quero ver ferver...
Quero ver ferver, o tambor de crioula
ê ê ê.. criooula.. criooula.. (crioula)
criooulaaaaa.. criooula
| Tambor de crioula, de Maria do Perpétuo Socorro Bandeira Pinheiro (73 anos, São Luís-MA) |
| Ministro Gilberto Gil e Mestre Felipe, por ocasião do registro do Tambor de Crioula como Patrimônio Imaterial Brasileiro |
O Estado do Maranhão - MA (22.02.2008)
Depois de ser oficializado como patrimônio imaterial do Brasil, o tambor de crioula ganha, agora, sua versão impressa. O balanço da saia colorida da coureira, dançando ao som da batida inconfundível do tambor está retratado no selo postal e carimbo que serão lançados pelos Correios hoje, às 19h, na Casa do Maranhão (Praia Grande), em homenagem à manifestação característica do Maranhão.
Em pequeno pedaço de papel, o designer Márcio Guimarães, autor da ilustração, resumiu as principais características da música e da dança que servem para louvar a São Benedito e encanta pela beleza coreográfica e som hipnótico que emociona não apenas os maranhenses, mas também turistas do Brasil e do exterior.
O som cadenciado, as batidas frenéticas e as letras de teor simples feitas por gente do povo ganharam contornos traduzidos no desenho do selo, que traz, em primeiro plano, uma coureira de saia colorida e adereços marcantes. Como pano de fundo, os tocadores de tambor.
O selo é parte da série América e será integrado ao acervo do Museu dos Correios. Além disso, percorrerá o mundo em correspondências postais.
Concorrência
Márcio Guimarães, que já havia assinado o selo da mostra Nordeste Criativo, enviou a proposta em novembro do ano passado e concorreu com outros artistas cadastrados pelos Correios no país inteiro. “Para mim, foi uma surpresa o fato de o trabalho ter sido escolhido, acredito que o fato de eu ser maranhense contribuiu para isso”, diz.
O designer conta que se inspirou em fotografias batidas por ele no dia 18 de junho de 2007, quando o ministro da Cultura, Gilberto Gil, oficializou a manifestação como patrimônio imaterial do Brasil. “O desenho traz a silhueta de uma coureira e três tocadores em um fundo verde. Busquei colocar também as cores da chita e detalhes da renda das blusas das dançarinas”, explica ele.
De acordo com Márcio Guimarães, a ilustração foi feita à mão livre. “As cores utilizadas simbolizam, além do tambor, o tropicalismo brasileiro e sua riqueza de cores”, observa. Será apresentado também hoje o carimbo, que tem a mesma imagem, com aplicação diferente.
Trajetória
Márcio Guimarães nasceu em Imperatriz, mas desde os 2 anos de idade vive em São Luís. Aprendeu a desenhar antes de ler e escrever.
Nunca estudou pintura ou desenho, mas passava horas observando e tentando imitar obras dos grandes mestres e de seus gibis. A brincadeira acabou ganhando tons mais sérios.
Formou-se em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), aperfeiçoou-se em Design Estratégico pelo Instituto Europeu de Design e desde 2001 é consultor do Sebrae em projetos que apóiam o desenvolvimento do artesanato e do turismo maranhense.
Correios lançam Selo Comemorativo sobre o Tambor de Crioula
Com a missão de propagar os valores culturais maranhenses e do Brasil, os Correios, por meio da Comissão Filatélica Nacional, aprovou a publicação do Selo Comemorativo referente ao Tambor de Crioula do Maranhão, expressão cultural recentemente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan em 18 de junho de 2007.
(18/03/2008)

Com a missão de propagar os valores culturais maranhenses e do Brasil, os Correios, por meio da Comissão Filatélica Nacional, aprovou a publicação do Selo Comemorativo referente ao Tambor de Crioula do Maranhão, expressão cultural recentemente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan em 18 de junho de 2007.
O selo que terá tiragem de cerca de 22 milhões de unidades, já está sendo comercializado desde 1º de fevereiro, principalmente em São Luis, faz parte da série América, Festas Nacionais e pode ser adquirido em qualquer agência dos Correios.
A imagem contida no selo, representa a manifestação cultural de matriz africana em toda a sua plenitude. A mulher dançando descalça, com sua saia estampada com cores que representam o tropicalismo brasileiro, ladeada pelos tocadores dos três tambores, instrumentos típicos do Tambor de Crioula.
Como cultura afro-brasileira, o Tambor de Crioula é tocado principalmente nas festas carnavalescas e juninas realizadas no estado, geralmente em louvor a São Benedito e encerrando as festas de bumba-meu-boi.
FONTE: www.memoriaviva.org.br/default.asp?id=1&mnu=1&ACT=5&content=1749
sábado, 26 de fevereiro de 2011
De Chiquinha Gonzaga para Dilma Rousseff: “Ô Abre alas...”
Fátima Oliveira
Na sexta-feira na boquinha da noite, regulando umas seis e meia, a turma de Estela, afilhada de Dona Lô, juntamente com Cesinha, apeia na Matinha de Dona Lô e é recebida por ela com abraços e muitas gargalhadas, dizendo que passou a tarde com Maria Helena e Gracinha preparando comes e bebes para a noitada.
Pedro, mal apeou da caminhoneta todo porloche, crente que estava abafando, sem conter o riso, se dirigiu à dona da casa: “Ah, eu trouxe um CD de Marchinhas de Chiquinha Gonzaga pra Vosmicê apreciar... E nem almocei esperando os comes daqui”.

– Caaaaalma, Pedro! Deixe de ser glutão! A noite é longa. Temos muito tempo. Vamos chegando minha gente! Tudo bem, Cesinha? E com vocês, meninada? Nem um cherim na dindinha? Viiiixe, como você está bonita Estela! Oxente, cortou o cabelo que nem o da Dilma, hein?
– E que historia é essa de que Dilma é uma flor de sal?
– Gente, Pedro tá que tá... Preparei uma saladinha de entrada pra nossa noitada pra você compreender o que é flor de sal, meu chapa! Aliás, tem comido muita flor de sal aqui em casa sem saber apreciar direito.
| Árvore da prosperidade, feita de flor de sal (Cimsal) |
– Parece que esses anos todos alimento você com flor de sal como se estivesse dando pérolas aos porcos... Eh, Estela vai letrar esse homem nunquinha, não? Terminem de arrumar os “teréns” de vocês e venham pro alpendre. Aqui tá correndo uma fresca boa que só! Vamos bebericando enquanto chega a hora do jantar. Maria Helena, minha rosa, traga a saladinha, minha filha! Cadê o CD Pedro? Enquanto termina de chegar, vou começar ouvindo uma musiquinha da nossa Chiquinha...

– Que era uma mulher de verdade! Das porretas mesmo! Abolicionista da primeira hora...
– Deixa de lero aí Estela! Vem ajudar aqui com as coisas dos meninos! Chega e vai logo se abancando, como se não tivesse nada para fazer...
– Está falando comigo Pedro? Estou cansada, meu bem... Vou ficando por aqui com Dindinha. Estou com sede... Vá você! Depois volte pra cá. Cesinha, os meninos querem cavalgar um pouquinho por aqui nos arredores da casa. Não vão pra longe, não! Já é noite, viu? Os cavalos estão prontos. Telefonei da estrada pra Zé Vaqueiro. Vá lá com eles, por favor! E aí, vamos comer o quê?
– Ih, já vi! Que coisa! Vocês só chegam aqui pensando em comer! Há a salada que Maria Helena já vem trazendo. Temos uns petisquinhos básicos que andei inventando. Coisinhas pra degustação. E, claro, uma carninha de sol, que parece estar muito boa. Gracinha está chegando pra finalizar uma Galinha de parida pro jantar. Tá de bom tamanho, não?
Ô ABRE ALAS
Chiquinha Gonzaga (1939)
Ô abre alas que eu quero passar
Ô abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar
Ô abre alas que eu quero passar
Ô abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar
– E aí Pedrão, o que tem a dizer?
– Euuuuuuuuu Dona Lô? De que e sobre o que senhora?
– Qualquer coisa! Prove da saladinha de flores com flor de sal...
– Usando de honestidade intelectual, sem brincadeira, acho que Dilma vem surpeendendo pra muito mais do que o esperado... O jeito dela de ser, o estilo de governar, o gosto dela de administrar o governo “pegando o touro pela unha”, tem agradado a grande mídia. A nativa e a internacional. Ela está se impondo bem.
– ...
| Dilma Rousseff e Hebe Camargo se encontraram no Palácio da Alvorada (24.02.2011Foto: EFE/Folha Press) |

– No episódio mesmo da ida dela aos 90 anos da Folha. Tenho lido tudo o que tem saído a respeito e até agora a minha modesta opinião é que ela acertou em cheio ao comparecer. Claro que tem lá suas complicações, mas o saldo é positivo para a presidenta. Hoje e futuramente. Claro, a blogosfera progressista está caindo de pau. Coisa de inocentes da política. Nem mais e nem menos. Com amigos assim, quem precisa de inimigos? Tá uma coisa sem limites. Estão metendo o aço! Por enquanto Dilma tem problemas a resolver com o fogo amigo, porque o inimigo ainda não conseguiu acender o fogo dele. Oposiçãozinha sem rumo, sem leme...
![[dilma[3].gif]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi66SNFl5RmBGALbUuq_VHIedz7YADVWloU-X3tcr3qfJn9leHo0WxQ3bZyacy1C-_waF_gcGLJYtiNk1hZIMMXPOAtZSaOCo15JKIl0HCBfsaP73bf26CSVKUtOIdeXRk4080ns5LTMTmt/s1600/dilma%5B3%5D.gif)
– Muito bem Pedrão! Continue, mas não pare de comer, não! Prove aqui da linguiça de frango com ervas... Coisa fina, inventada e feita por mim... Também há salsicha de frango.
– O quê? Salsicha de frango? Increduincruz! Essa mulher é cheia de surpresas! Nem gosto da linguiça de frango, que dirá da salsicha! Se bem que comi uma linguiça de frango aqui outro dia e achei muito boa, bem temperadinha, com umas malaguetinhas frescas... Dobrando a língua: quer dizer, não gostava. Agora, depende!
– “Queto” Pedro! Aprenda a degustar os quitutes de Dindinha... Lembre-se: as entradas daqui hoje são finalizadas com flor de sal... Aproveite. Lá em casa tem disso, não!
– É! Então tá. Que jeito, né?
– Assim é que se fala Pedro! Vá comendo e vá falando...
– Pois muito que bem... Onde eu estava minha gente?
–...
– Ninguém prestando atenção... Nem lembram onde parei. Cervejinha aqui Maria Helena! Sua patroa bebe, hein minha filha? Enfim, bonita essa música “Atraente” de Chiquinha... Gosto!
– Vocês tem razão! Flor de sal é “caviar marinho”! Tem preço de caviar mesmo! Tanto o nacional quanto francês... Fazer o quê se Dilma não vai sossegar enquanto todo mundo não puder ter sua cota de flor de sal? Eu não preciso esperar, venho comer a minha cota semanal aqui na Matinha de Dona Lô. E pensar que esse patrimônio todo aqui foi construído no lombo de tropas de burros pelo sertão afora...
– Verdade, verdadeira Pedro! Tudo isso aqui e o que vai ficar pra você e sua mulher gozarem do bom e do melhor veio do lombo das tropas de burros...
– Oh, não diga que somos herdeiros?!
– Não Pedro, só Estela, que é quem resta de minha família, de prole sempre muito pequena. Os Tropeiros eram de poucos filhos. Parte disso aqui é dela quando eu me for. Eu disse: parte! Está escrito em testamento, meu chapa. Logo, cuide bem de mim... Porque se maltratar a velhinha aqui, adeus herança!
– Entendi, entendi. Deixe-me dengar a senhora um pouquinho aqui... Superada a votação do salário mínimo, que não dá ainda pras amplas massas provarem o gosto do caviar marinho... Mas eu espero que um dia elas chegarão lá! Diga-me se meu PMDB não saiu melhor do que a encomenda? Tô gostando do Temer. Eita cabra macho! Sabe domar a tropa. Ali tem! O que é eu não sei... Mas que ele está seguindo um plano, isso está!
– Menos empolgação, viu Pedro! Quatro anos não são quatro dias, não! Ainda temos quatro anos pela frente... Estela, e as comidinhas? Estás gostando?
– Muito Dindinha, gracias! Quero dizer como estou vendo essas coisas. Um olhar mais sociológico. Penso que é uma bobagem jogar Dilma nos braços da matilha sempre que ela não agir conforme desejamos. Nem sempre chefia de Estado pode fazer só o que quer. Tem de visar em primeiro lugar os interessses do Estado que, no Estado burguês, nem sempre coincidem com os interesses populares. Aliás, regra geral o Estado buguês é contra o povo. É da natureza dele ser assim. Ou podemos nos dar o luxo do esquecimento que Dilma se elegeu para chefiar um Estado burguês? Evidente que não, sob pena de sofrimentos inúteis. Ou seja, para mim o nó não é a Dilma, mas o Estado! E ela tem de atuar nos limites da legalidade do Estado burguês.
– Meu Deus, ser marido de mulher inteligente, intelectual, não é nada fácil!
– Ah, é Pedro? Então larga o osso. Vai roer mulher burra!
– Calma, minha gente! Bebamos com moderação! Ainda nem jantamos. Concordo com Estela. Dilma tem lado. E por enquanto nós somos o LADO dela! Eu não tenho e jamais tive ilusões com Dilma ou com Lula. Nem com PT, que é um partido socialdemocrata. O PT só aspira ser um bom gerente da crise do capitalismo. Nem mais e nem menos. E eu não posso esperar dele mais que isso. Cada um dá o que tem. Na discussão da ida da presidenta à Folha, quem está contrariado tem suas razões, embora eu não as considere com a importância que eles estão querendo dar. Dão a impressão, mas estão redondamente enganados, de que sem eles Dilma não teria sido eleita. Isto é passar dos limites, não é democrátrico e é um insulto à autonomia da presidenta, ao seu direito de ir e vir. Falam tanto em democracia e querem colocar a presidenta dentro de uma bolha ideológica particular. Que diacho de democracia, hein? Assim não dá!
– ...
– Evidente que jogaram um papel importante, por dever cívico, por puro patriotismo, ainda acho assim. Ou gente séria queria que o PSDB voltasse ao poder? Creio que não! Vamos cair na real: não exigir de Dilma e de seu partido mais do que eles podem, efetivamente, dar, nos marcos do Estado burguês e do republicanismo! Enfim, não dá pra ter ilusões além dos limites da República burguesa.
– ...
– Evidente que por mim Dilma não teria ido àquela festa. Mas ela deve ter tido seus motivos pessoais e suas razões de Estado para comparecer. E não vou crucificá-la por tal coisa. Prefiro esperar para compreender o inteiro teor da jogada. E se aquilo tudo não era uma festa, mas um enterro, hein?
– Ô língua ferina Dona Lô! Tudo bem que a Folha perdeu, depois de 24 anos, a hegemonia de diário de maior circulação nacional... Mas daí a falar em enterro...
– ...
– Nos preparemos para a chiação de setores feministas mais à esquerda. Dia Internacional da Mulher vem aí. A ordem parece ser nem pronunciar a palavra aborto! É o que se fala pelos becos, pelos botecos... Por sorte de Dilma o 8 de março é terça-feira de Carnaval. Se pra quem sabe ler um pingo é letra, o anunciado por enquanto, que não é de todo claro, as comemorações do 8 de março que serão protagonizadas pelo governo federal, são... assim.. digamos, “quase meia boca”... O que acha Estela?
| Dilma no desfile Galo da Madrugada, em Recife, 13.02.2010 |
– ...
– Falam de um mês da mulher, com a presidenta em evidência pelo país afora. Imagens que deverão valer por mil palavras. Tudo acertadinho pra começar na Bahia profunda, mais precisamente em Irecê, em 1º de março, quando a presidenta anunciará o aumento da Bolsa Família, cujos valores variam de R$ 22 a R$ 220, de acordo com o número de filhos, dando uma média de R$ 94 por família portadora do cartão – um quase nada que faz toda a diferença na vida dos pobres, bem sabemos não é Dindinha? E no sertão, nem se fala, é maná na vida de nossa gente. Gol de placa, sem dúvida, pois conforme dados do governo 93% dos usuários do cartão são mulheres.
| Dilma pisará o solo de uma região emblemática de contrastes e confrontos da política e da economia no Nordeste |
– Foi mesmo! Bem, mas ainda não se sabe o aumento de quanto será, mas que vai sair, vai! Falta é burilar e deixar transparente que mesmo a Bolsa Família que é uma política, digamos, de conotação economicista porque integra a ideia mais geral de combate à pobreza das mulheres, sobretudo ela precisa estar envolta de um verniz de necessidade estratégica de gênero...
– Tá falando difícil demais Estela...
– Ah, é? Tenha paciência Pedro! Terá um mês inteirinho pra aprender...
| Dilma Rousseff entre a ministra Miriam Belchior (Planejamento) (à esq.) e o governador de Sergipe, Marcelo Déda, durante cerimônia de abertura do 12º Fórum dos Governadores do Nordeste [Roberto Stuckert Filho/21.fev.2011/PR] |
Fazenda Matinha de Dona Lô, Chapada do Arapari, 26 de fevereiro de 2011
Receita de salsicha de frango
Ingredientes
500g de carne de frango moída
1 cebola pequena ralada
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 ovo
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Modo de fazer
Em uma tigela, misture o frango, a cebola, a farinha e o ovo. Tempere com sal e pimenta e amasse bem com as mãos. Divida a massa em 6 porções. Abra um pedaço de filme plástico e coloque uma porção formando uma tira. Enrole o filme como rocambole, torça bem e feche as laterais como uma bala. Gire sobre a mesa até ficar bem cilíndrico e lembrar uma salsicha.
Repita a operação e cozinhe os rolinhos em água fervente por 20 minutos. Escorra, desembrulhe e sirva à gosto, inclusive em formato de espetinhos com frutas e legumes.

Galinha de parida com pirão, à moda do sertão: a receita de Jorge Amado
Os sabores baianos, coadjuvantes nos romances de Jorge Amado (1912-2001), transformam-se em personagens principais no livro de sua filha Paloma Jorge Amado.
Com ilustrações de Carybé (1911-1997), A Cozinha Baiana de Jorge Amado (320 p., ed. Record) mescla textos do escritor com o preparo dos pratos descritos em seus livros. A receita abaixo, por exemplo, é degustada em Tereza Batista Cansada de Guerra.![]() |
| “A vida me deu mais do que pedi e mereci. Não me falta nada. Tenho Zélia e isso me basta” Jorge Amado, na foto com a mulher Zélia Gattai |
Para a galinha:
- 1 galinha inteira com cerca de 2 kg;
- 1 tomate grande;
- 1 cebola grande;
- 1 pimentão;
- 3 dentes grandes de alho;
- 2 colheres (sopa) de vinagre;
- 1/2 molho de coentro;
- 1/2 molho de cebolinha;
- 1/2 colher (sopa) de cominho em pó;
- 1 colher (sopa) de cominho em grão e sal e pimenta-do-reino a gosto.
Para o pirão:
- 1 cebola média;
- 1/2 molho de coentro;
- 1/2 molho de cebolinha e 2 xícaras (chá) de farinha de mandioca.
Modo de fazer:
A galinha: corte a galinha pelas juntas, sem retirar a pele. Pique bem miudinho o tomate, a cebola, o pimentão, o alho, o coentro e a cebolinha. Tempere os pedaços de galinha com os temperos picados, o vinagre, o sal, o cominho moído e a pimenta-do-reino. Deixe tomar gosto por, pelo menos, uma hora. Coloque a galinha numa panela com os temperos, ponha água suficiente para cobri-la e leve ao fogo. Quando a galinha começar a ficar macia, coloque o cominho em grão. Reserve.
O pirão: corte a cebola em rodelas. Pique o coentro e a cebolinha (não muito miúdo). Na tigela de servir, coloque as rodelas de cebola, o coentro e a cebolinha picados e a farinha de mandioca. Misture. Jogue por cima o caldo fervente do cozimento da galinha – não coloque pouco, devem ser pelo menos três conchas de uma vez só – e vá mexendo com uma colher de pau. Acrescente caldo até a farinha ficar toda molhada. Sirva em seguida com a galinha.
Receita de Nazareth Costa, do livro A Comida Baiana de Jorge Amado, de Paloma Jorge Amado.
(Extraído do livro Reencontros na travessia - a tradição das carpideiras, p 249-251, de Fátima Oliveira).
Sinopse: O olhar da autora sobre as carpideiras resgata um tipo de sabedoria brasileira: vindo do sertão e renovado por gerações de mulheres. Vale a pena destacar que esse olhar é de uma médica, feminista e cronista atenta aos movimentos sociais. Antes de mais nada, porém, deve-se ressaltar que trata-se de um olhar generoso que abre espaço para o dizer sábio de pessoas humildes. Através desta porta aberta, pode-se perceber que as personagens só podem ser íntimas do momento da morte porque mantêm um pacto firme com a vida que elas defendem amando e lutando de modo aguerrido. As carpideiras, que choram e cantam para encomendar almas ao outro mundo, possuem filosofia própria e certeira contra a dureza do dia-a-dia e a favor da alegria.
www.mazzaedicoes.com.br/detalheobra.php?l=104
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