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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

“Aquela doença” de Lula fez Dona Lô quebrar a dieta...

 lula_povo.jpg

Fátima Oliveira
Médica -  fatimaoliveira@ig.com      @oliveirafatima_

Era Dona Lô sentar na calçada e aparecer gente. De mansinho iam chegando, um a um, e iam ficando, até que sobrava pra cozinheira... Era um cafezinho simples, depois um refresco, um doce... Maria Helena não gostava quando Dona Lô se entonava na calçada, pois era igual a mais serviço pra ela. Na certa. Ô aflição!
– Dona Lô, Dona Lô, Dona Lô!...
Era Cesinha se esguelando lá da sala e, esbaforido, chegando à calçada e interrompendo o conversê de Dona Lô, que estava tomando uma fresca, como ela tanto gosta, e proseando com quem passava e com quem chegava e ia tomando assento nos bancos, na calçada...
– O que foi agora menino sem termos? Não vê que estou conversando? Esqueceu o que tua madrinha Donana te ensinou, e fooooi? Cesinha, Cesinha! Bem sabes que odeio ser interrompida quando estou com a palavra... Desembucha, jazim, já que interrompeu a conversa...
– É Lula! Ai meu Deus! Acabou de dar na televisão que ele está um pé lá e outro cá!
Na região da chapada, sertão profundo, só se diz “Um pé lá e outro cá” quando alguém está nos derradeiros suspiros de vida. Foi um alvoroço. Ninguém se entendia. Até que Cesinha, trêmulo, desembuchou: “Bem... Pucardiquê foi descoberto, indagorinha, que Lula tá com ‘aquela doença’... Se escapar depois da operação, pode ficar sem fala. E Lula sem fala, acabou-se o homem! Dizque ‘aquela doença feia’ na garganta é difícil de curar!”
– E pucadirquê tá com “aquela doença” vai morrer, Cesinha? Quanto mais estuda mais obtuso fica, c’os diacho, menino! Deixe de jeguice, que falar o nome “daquela doença feia” não faz com que ela deixe de ser feia! Diga câncer, Cesinha!






– Sim, Lula está com câncer de laringe. Isto é, na garganta. Descobriram hoje.
Primeiro foi um silêncio, seguido de todo mundo falando ao mesmo tempo. Feira perdeu. 
– Calma gente! Menos balbúrdia, por favor. Sem muito lero, hoje em dia só morre logo de câncer se descobrir muito tarde e se não der tempo de romper a fila do SUS pra fazer os exames. Sim, porque a fila dos exames é que é a disgrota perfeitinha... Os secretários de saúde dos municípios só falam no tantão de exames que são feitos. Nos que estão esperando por fazer, fazem de conta que não sabem. Mas sabem! E não estão nem aí! Depois de os exames dizerem que é câncer, não há demora demasiada, mas há fila, pra começar a tratar.
– ...
–  Entrou em tratamento, a esperança é grande. Depois, hoje em dia os médicos sabem muito mais sobre os cânceres e os tratamentos evoluíram muito. Não é mais como muito antigamente que câncer era uma sentença de morte em pouco tempo de descoberta a doença. Não viu Zé Alencar, anos e anos com câncer? Certo que morreu. Mas deu trabalho pro câncer dele. Não se entregou. Lutou até o fim.



– ...
– E aí, o que mais que deu na televisão? E a Globo já montou o circo da espera da morte? Capaz de fazer isso. 24 horas de prontidão. Plantão da Globo em alerta pra fazer um velório online. Tudo pronto, só esperando a hora de foguetear... Ai que ódio! Atende aí meu celular Maria Helena, por favor, minha filha...
– ...
– É Estela!
– Peça que ligue no fixo. Não quero esquentar meus miolos. Quer falar sobre a doença de Lula. De certeza vai demorar. Estela fala demais no celular. Vai acabar tendo câncer nos miolos. Parece que não lê nada! E de certeza até Pedro vai querer falar comigo... Por Deus, ter de ouvir Pedro numa hora dessas... Só afregelo!



Mãe Zefinha pegou a brecha e foi logo dizendo: “Lula vai ficar bom, se isso for verdade. Nem tudo que dá nessa tali de televisão é verdade apurada. Vamo ver o que Estela tem pra contar. A conversa é a dela! Se for verdade é pegar nas nossas rezas e é agora. E ligerim. Deus não dá milagre à-toa. Quem precisa do milagre tem de pedir! É Lula nas meizinhas de butica, fazendo direitim os mandado dos doutor, e nós nas rezas... Quero ver quem vence nós... Essa Grobo vai perder tempo nos prantão de prontidão”.

 (São Brás)

– ...
– Cesinha, ô menino, corre ligerim em Dona Celestina. Vá de bicicleta e traga ela aqui. Diga que venha aqui por cima do urgente. Ela tem de tirar uma ladainha pra São Brás, o santo protetor da garganta, ainda hoje. E começar uma novena pra ele. Na horinha que voltar abra a capela. Vamo todo mundo pra lá. Não, vá você Maria Helena, abra a capela, jazim... Deixe Cesinha só por conta de trazer Celestina.
A balbúrdia na calçada só aumentava, pois cada vez chegava mais gente. O que fez Maria Helena conjecturar: “Já vi que esse povaréu não vai sair daqui tão cedo. Vou fazer logo a garrafa de 5 litros de café, antes que Dona Lô invente uma ‘comidinha’”.
Dona Lô apareceu na porta e falou, com voz embargada e lágrimas nos olhos: “Gente, infelizmente, Lula está com câncer na garganta. É verdade!”
Mãe Zefinha, com esforço para não chorar, murmurou: “Maior que qualquer disgrota de ‘canso’ são os poderes lá de cima. De Deus! Chore não, Lô! Com a vontade de Deus e os poderes de São Brás vamo passar essa travessia junto com Lula. Lô, enquanto tu falava com Estela, já dei u’as ordis aqui. Não dá para perder tempo, que é de ouro, num causo assim. Mandei Cesinha trazer Celestina pra puxar uma ladainha agora! Vamo p’á capela fazer o que sabemo: implorar a Deus pela saúde de Lula. Ele há de escutar nós!”
– Calma minha gente! 
Nem bem Dona Lô começou a falar chegou Zé Buchinho: “Ô Dona Lô, eu sei que a senhora é Lula até debaixo d’água e na horinha que escutei a triste notícia vim aqui dar meus sentimentos. Gostar mais de Lula do que vosmicê, só a galega dele”.
Foi um silêncio de ouvir mosca zunir. Dona Lô tinha olhar de fuzilamento no paredão: “Ô Zé Buchinho, me diga se morreu alguém aqui? Morreu, cabra? Enfie seus sentimentos no saco, peste!  E se arranque daqui agora se não quiser sair debaixo de vara, seu agourento! Tá metido a rasga-mortalha Zé Buchinho? Qualé o espanto de Lula ter câncer? Não pode? C’os diacho, que gente essa que não deixa  nem Lula adoecer em paz! Nem isso ele pode. Lula é gente, mermim que qualquer um de nós, pode ter qualquer doença humana!”
– É que, Dona Lô, essa doença é terrivi, sinhora! Difícil escapar! Bote isso na ideia.
Mãe Zefinha levantou-se da cadeira. Apontando sua bengala e encostando a pontinha dela nas fuças do elemento-coruja, do rasga-mortalha, falou alto e rosado: “Era Zé Buchinho! Dona Celestina tá aqui vivinha pra provar que essa doença feia, que nem gosto de dizer o nome dela, o ‘canso’, tratado pode ser curado! É ou não é, Lô? E olhe que ela morava aqui nessa biboca e era pobre, quase peregrina”.
– ...
– Abaixo de Deus, a piedade de São Brás, os doutor, nossas rezas e os gargarejos de óleo de copaíba (sete gotinhas num copo d’água, duas vezes por dia), duas ‘sumana’, que ela começou a fazer quando já tava nas meizinhas de doutor lá no São Luís. Com quinze dias de garagarejo de copaíba, a mulher levantou. Foi de causar espanto aos doutor! Eles ficaro sem entender, até hoje! Tudo junto dá certo!


  (Copaíba)

– Alembra da era em que Celestina ficou uma temporada lá no São Luís? Mais de ano! Dotozim Felipe Tropeiro ainda era vivo. Lô nem aqui tava. Ainda tava desterrada no estrangeiro.
– ...
– Pois bem, foi ele quem levou Celestina pro São Luís, pucardiquê ela tava com uma rouquidão que nem falava direito.  Era essa “doença feia”! Tá pra mais de 20 e tantos anos. Os doutor disserum que se num voltasse cum até cinco anos ela tava boazinha da silva. Pois ficou curada! Ela lá no São Luís e nós aqui pegada nas rezas, nos benditos, nas ladainhas... Um ano! Todo santo dia. Pois vamo fazer o mermim por Lula! São Brás, o santo protetor da garganta, curou Celestina! E vai curar Lula! Deixe Celestina chegar que ela vai dar as ordi do que fazer pra São Brás. Tem Novena de São Brás, tiração de ladainha, que a dele é a Ladainha dos 14 santos “oxiliar” de Deus... Celestina vai dizer direitim, que ando meia esquecida...
– Eita bando de véias corocas! Rezam tanto e num serve de nada, morre tudim do jeito mermim dos que num reza... Da cidade-dos-pés-junto ninguém escapa, sinhoras! Pensam que Lula vai virar semente, é?
Eis que Cesinha chega com Dona Celestina e mandou Zé Buchinho fechar o bico, não dizer mais nem um “o” e pegar o rumo de casa, na moral! 
Aliviada, e espocando de orgulho de Cesinha, Dona Lô suspirou fundo e abriu um largo sorriso ao falar: “Maria Helena, minha rosa, eu quero comer alguma coisinha. Essa confusão desse povo aqui me deu fome!”
– Mas não vai comer nada, fora sua sopa de verdura sem gordura, que está prontinha ali lhe esperando! Tá bem gostosinha. Hoje é o seu dia de regime, esqueceu?
– Não. Esqueci, não! Vou quebrar a dieta... Estou ansiosa. E ansiedade dá fome. E tem mais, vou ter de aguentar Pedro aqui. Ô cruz pesada! Ele virá com Estela amanhã bem cedo. Mas pedi a Estela que passe a língua nele: não quero saber de ministro que caiu, quem está cainte, quem está entrante... Aliás, vai se falar pouco disso daqui pra frente. Os jornais só vão falar em Lula, até se ele espirrar... Vai ser um doente com muito poder, pode escrever bem aí! Mais do que já tem.


 (Hospital Aldenora Bello, São Luís-MA)

– ...
Dona Celestina foi transparente: “Ô Lô, m’ia fía, tu vai ter de ir a Sumpaulo levar p’á Lula m’ias gotinhas de óleo de copaíba e entregar nas mãos de Dona Marisa, pra ela dar a Lula pra gargarejar! E conte meu causo. Num tem problema de doutor pensar que foi o remédio deles que botou Lula bom, não! A copaíba se bem num fizer, mal não trará. Em mim deu certo. Não custa nada Lula tentar! Os doutor tudim do Aldenora Bello se riam de mim, pois que eu estava desenganada numa sumana – inté chamaram Doutozim Felipe Tropeiro prumode me trazer p’á morrer em casa – e na outra eu tava era muito da boa!"
– ...
–  Está bem Dona Celestina. Pelo menos a indicação de usar óleo de copaíba Lula vai receber... Fique fria! Talvez nem precise eu ir a São Bernardo do Campo, mas se precisar fique certa que irei!
– ...
E após breve pausa, Dona Lô preosseguiu: “Sei que vocês vão pedir por Lula a todos os santos. Agora posso pensar em outras coisas. Já fiz a minha parte. Mudando de assunto. Na toada que vai, é bem possível Dilma chegar ao fim do governo com um ministério quase só de mulheres. Escreva aí o que falei... Bem, mas não quero mais falar de política hoje..."
“Ave-Maria, pensei que Estela e Pedro não viriam...” Murmurou Maria Helena.
– É. Não estava na folhinha, não Maria Helena. Mas Estela achou melhor vir...
– Pucardi de Lula?
– Sim. Lula doente para nós é como se fosse uma pessoa da nossa família. E é assim pra muita gente. Ela não veio agora à noite porque há um jantar na casa dos pais de Pedro. Aniversário da mãe dele...
Lelena de Cotinha não se conteve: “Bem que eu vi que Dona Lô está afinando. De regime, hein? Fico pensando como uma pessoa que adora comer coisa boa consegue fazer regime...”
Não é bem regime, não Lelena, interrompeu Maria Helena. E complementou:  “Até eu estou acompanhando Dona Lô nessa... Eu estava ficando uma baleia, então resolvi entrar. Mas antes, fomos ao médico. Fizemos um bocado de exames. Ele não disse nem sim e nem não, apenas que tanto a minha saúde quanto a de Dona Lô estavam boas. Chama dieta dos dias alternados. Um dia a gente come, e de tudo, e no outro jejua: só um chá pela manhã e um ovo cozido; no almoço e no jantar sopa leve de verduras. Nada de carnes e nenhum tipo de massa”.
– ...
– É assim: jejuamos na segunda, na quarta e na sexta... No sábado, quando Dona Lô não tem visita, que é raro, a gente só come, ou melhor, bebe coisas líquidas, quase um jejum...  Nos outros dias comemos normalmente...  Mas como em geral há visitas nos fins de semana, Dona Lô se alimenta normalmente.
– Não creio! E a fome?
– Depois da primeira semana a gente não sente fome nos dias de jejum. O corpo da gente se educa. Dona Lô diz que é uma reeducação alimentar... O jejum faz o corpo produzir uma coisa natural que não deixa dar fome... Pergunte a Dona Lô que, de certeza, dirá a explicação certinha... Eu entendi, só não sei explicar... Mas que funciona, funciona... Não tenho mais nem um pneuzinho de gordura e a barriga, sumiu!
Dona Lô, que prestava atenção na conversa, acrescentou: “Lelena, grave o nome da ‘coisa natural’ que o jejum produz: adiponectina. Depois, num momento mais calmo, contarei que bicho que é... Maria Helena, já que não somos rezadeiras, vamos chispar pra cozinha fazer uma comidinha pra esse povo de reza. Elas vão pra capela e nós pra cozinha. Jazim, mas antes quero espairecer com uma dose de “cachaça de parida”, sabe fazer não é Maria Helena? E som na caixa, bote aí, mas bem baixinho, “A majestade o sabiá” pra sossegar meu juízo...
– Se sei fazer cachimbo de cachaça? Claro! Até eu quero um cálice depois dessa fadiga toda. Aliás, vou fazer um cachimbo de cachaça na dose certa: 2 colheres das de sopa de mel de abelha e um copo de cachaça-de-cabeça. Um cálice para cada uma de nós e vamos deixar o resto pra Mãe Zefinha, que ela adora!

Enfim, foi atribulada a recepção da notícia da doença de Lula na Chapada do Arapari: como se um familiar de cada pessoa estivesse doente. Nem Pedro ousou especular negativamente, como é do seu feitio. Fora Zé Buchinho, só mesmo setores da mídia nacional que no decorrer da semana seguinte, por maldade política, ou mesmo por não saberem lidar com alegria de alguns que já consideram Lula carta fora do baralho eleitoral daqui pra frente.
É um sentimento de ódio de classe tão forte que mesmo quando tentam elogiar, acabam traindo o elogio, com tiradas do tipo: “Lula é um homem forte e deverá superar o câncer. Só não é mais poderoso”. Num editorial intitulado da marca: “Força Lula”!  Nem se deram conta do deslize. Como Freud já morreu, há quem explique?

Também foi uma semana em que tivemos de suportar uma “Comunidade do Facebook” (eita desvio de uso! Essa palavra comunidade se presta pra cada coisa!) mandando Lula se tratar no SUS!  (“Lula, faça o tratamento pelo SUS!”). Cambada de desocupados autoritária! Espie só.
Tudo demonstra que Guimarães Rosa ainda tem razão: “Viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicado à ela”.  
Os “contra”, alavancados pela canalhice de origem, desumanizaram Lula! Pra essa gente Lula não é humano, nem o direito de ter câncer sossegadamente, que é uma “doença feia”, mas democrática, tem! Houve quem declarasse que era uma jogada política de Lula para sair do ostracismo – qual? Como viajam esses “contra”! –; e tendo câncer, querem cassar o direito dele de se tratar onde bem quiser, segundo  suas posses!
O SUS é de todo mundo que aqui nasceu e aqui vive, ou chegou, pobre ou rico, basta pisar em solo brasileiro pra ter direito, não há igual no mundo! Mas não é obrigatório usar!  Acontece que há pessoas que parecem que nunca leram a Constituição. Uns porque acham que SUS é só pra pobre, até que surja uma doença que só o SUS trata; outros alardeiam que o SUS não é melhor por culpa das empresas de saúde privadas, é preciso acabar com elas! Há uma gama de problemas na atenção à saúde no Brasil e as causas são muitas. Mas abaixo de Deus, o SUS! Pouca gente lembra da era pré-SUS, sobretudo quem não lutou por ele e não o defende. Já foi pior. Bem pior.
Sem falar que integram a RedeSUS instituições públicas e privadas contratadas e/ou conveniadas, pois a Constituição Federal de 1988 assegura que “A assistência à saúde é livre à iniciativa privada” (Art. 199.), nacional, pois proíbe “empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País” (Art. 199, § 3º); e que “As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos” (Art. 199, § 1º)”. 
De uma vez por todas, quer queira quer não, é bom Lula não esquecer que a origem de classe é eterna!  Caso esqueça, os ditos bem-nascidos são incansáveis em relembrar. Pura questão de classe, pois a luta de classes não acabou e nem acabará enquanto as classes existirem!

  (Osvaldo Luiz  de Melo é o funcionário mais antigo do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, onde o ex-Presidente Lula ficou internado nos dias 31 de outubro e 1 de novembro de 2011 para iniciar tratamento quimioterápico para debelar o câncer na laringe. Seu Osvaldinho fez questão de cumprimentar o ex-presidente Lula, quando saia do hospital, para desejar saúde e pronta recuperação. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula).

Espie, pra compreender bem: eu até hoje sou Lô Tropeira! E cultivo ser Lô Tropeira, uma mulher das brenhas do sertão. Sou bisneta de um tropeiro (Velho Chico Tropeiro) que fez fortuna, rasgando trilhas e fazendo estradas e fundando povoações, pois cada pouso de tropeiro por onde ele passou é hoje uma cidade! E fez isso no muque: dias e dias comendo rapadura com farinha seca no almoço e assando carne de gado seca na brasa só à noite, ou comendo uma caça que pegavam nas quebradas dos pousos.

http://www.klepsidra.net/klepsidra4/tropeiros.html (Tropeiros em ação na Colônia)


Nem meu avô (Neneco Tropeiro) e nem meu pai (Dotozim Felipe Tropeiro), que se formou na Europa, duas vezes doutorado, em um tempo que por aqui nem se sabia direito o que era isso; e muito menos eu, que no linguajar daqui sou uma mulher estudada, porque formada na universidade, que o povo diz que herdei cofos e cofos de dinheiro, quando querem mofar de mim, só de pura inveja roedeira, e um patrimônio honesto, fruto de trabalho de sol a sol, bem maior do que muitos dos ricos do nosso país, que não se sabe a origem da fortuna que possuem, não passo de uma tropeira!

(Tropeiros, Debret, 1768-1848)
 (Carregadores, Debret, 1768-1848)
(Acampamento de tropeiros, no Rio Grande do Sul, Debret, 1768-1848)

Tropeiro ou Tropeira para nossa família, como dizia Donana, minha mãe, não é um sobrenome é uma condição – de classe – que gera responsabilidades para com os da nossa “iguala” (e a nossa “iguala” até hoje é o povo simples da roça) e assim será para sempre amém!

 (Visita de Dilma a Lula no hospital, em 31.10.2011)

É nessa toada, de “vamos que vamos”, que as rezadeiras da Chapada do Arapari, que tem o poder da fé, e acreditam que a fé cura, estão ocupadas. Tirando benditos, ladainhas e novenas para São Brás, pois a gente simples do povo não se cansa de dizer que abaixo de Deus, é Lula! (Dilma ainda é apenas um presente de Lula). E ficarão de prontidão até Lula ficar bom. Quer amor maior?  
Chapada do Arapari, 06 de novembro de 2011

O dia de São Brás, protetor das doenças da garganta, é  3 de fevereiro

 
Oração a São Brás

Ó glorioso São Brás, que restituístes com uma breve oração a perfeita saúde a um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, estava prestes a expiar, obtende para nós todos a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta.
Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus.
A bênção de São Brás: “Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

   Ladainha dos Santos Auxiliares:
1. Santo Acácio; 2. Santa Bárbara; 3. São Brás; 4. Santa Catarina Alexandria; 5. São Cristóvão; 6. São Ciríaco; 7. São Denis; 8. Santo Erasmo; 9. Santo Eustáquio; 10. São Jorge; 11. Santo Egídio; 12. Santa Margarida Antioquia; 13. São Pantaleão; e 14. São Vito.



BOLETIM MÉDICO – 29.10.2011 - 11h00

O Ex-Presidente da República, Sr. Luís Inácio Lula da Silva, realizou exames no dia de hoje no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tendo sido diagnosticado um tumor localizado de laringe.
Após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia, que será iniciado nos próximos dias. O paciente encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial.
A equipe médica que assiste o Ex-Presidente é coordenada pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, Luiz Paulo Kowalski, Gilberto Castro e Rubens V. de Brito Neto.


Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira - Diretor Técnico Hospitalar
Dr. Paulo Cesar Ayroza Galvão - Diretor Clínico"


 Em vídeo, Lula agradece ‘carinho e solidariedade’ recebidos

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

“RECADIM de Guimarães Rosa para Lula”: gotas de carinho e de ternura

 
Fátima Oliveira


Desde 1º. de novembro comecei a veicular em meu twitter @oliveirafatima_   o que denominei de “RECADIM de Guimarães Rosa para Lula”, que são pequenas frases do escritor mineiro que acho que podem tocar carinhosamente em Lula no momento em que está vivendo, algo como gotas de carinho e de ternura para ele. 

(Guimarães Rosa)

A ideia dos “RECADIM”  decorre de um dos episódios de Dona Lô, escrito em 2 de janeiro de 2011 para a presidenta Dilma Rousseff, cujo título é:


 (Sidney Matias)
Recadim de Guimarães Rosa pra Dilma: “Sapo não pula por boniteza, mas porque precisa” 

Compartilho os já publicados:
 RECADIM de Guimarães Rosa para Lula:

#TaLubrinandoRecadim de Guimarães Rosa para #Lula: Quando nada acontece há um grande milagre acontecendo que não estamos vendo. #ForçaLula

#TaLubrinandoRecadim2 de Guimarães Rosa para Lula: O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe é no meio da travessia #ForçaLula

Recadim3 de Guimarães Rosa para Lula: Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? #ForçaLula

Recadim4 de Guimarães Rosa para Lula: Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto. #ForçaLula

#TaLubrinandoRecadim5 de Guimarães Rosa para Lula: Eu estou depois das tempestades #ForçaLula

#TaLubrinandoRecadim6 de Guimarães Rosa para Lula: O sertão me produz, depois me engoliu, depois me cuspiu do quente da boca...  #ForçaLula

#TaLubrinandoRecadim7 de Guimarães Rosa para Lula: Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. #ForçaLula

#TaLubrinandoRecadim8 de Guimarães Rosa para Lula: Viver é um descuido prosseguido/Quem desconfia, fica sábio. #ForçaLula


 (Cena do filme Lula, o Filho do Brasil)


Belo Horizonte, 3 de novembro de 2011
Leia também:
1. Elizângela Araújo: O câncer de Lula e o preconceito
2. Otávia Míriam Lima Santiago Reis: "O Ressarcimento ao SUS pelas operadoras de planos de saúde: uma abordagem acerca do fundamento jurídico da cobrança".

quinta-feira, 31 de março de 2011

Fátima Oliveira sofreu o pão que o diabo amassou para defender Alencar como vice



Fátima Oliveira escreveu este artigo, em 2002, “quando quase todo mundo que  se considerava divindade da esquerda, ficava ‘esquesita’ quando se falava no nome de José Alencar para vice de Lula.”
Em 3 de julho de 2002, com o título, “Coisas de Minas: o caminho da perdição”, foi publicado no Caderno Magazine do jornal OTEMPO. Muita gente torceu cara para ela. Sofreu o pão que o diabo amassou. “Só não fui chamada de bonita rsrsrsrs…”, relembra Fátima numa conversa por e-mail. “Não dei pelota!” 
“Só escrevo o que quero. E quando escrevo digo o que penso. Sempre. Foi como está escrito no artigo que compreendi José Alencar vice de Lula”, orgulha-se. “E não me arrependi. Também não errei em minha análise.” (Conceição Lemes)



BH, MG, 3 de julho de 2002
Coisas de Minas: o caminho da perdição
por Fátima Oliveira, em OTEMPO

Compartilho um monólogo imaginário com o senador José Alencar. Ele mesmo, o vice de Lula. O cenário é a lagoa da Pampulha. Fedida, porém bela. Quando estou “pê” da vida, é para lá que vou. Quando estou zen, também. Uma, duas, três voltas respirando Niemeyer, Portinari… arte e beleza. Desconfie de quem não se encanta com a Pampulha. Sempre levo para “dar uma volta na Pampulha” as pessoas que conheço quando vêm a BH. É um lugar de rara beleza, aprazível e ideal para conversas sérias, definitivas.

Antes, vi o governador Itamar, que precisa pedir perdão ao povo mineiro por ter se alinhado a FHC na defesa dos transgênicos. Até entendo sua postura na sucessão, embora não concorde com parte de sua decisão. É burrice duvidar das lendas. Ainda mais das mineiras. Lenda é lenda. E Itamar Franco é uma. Virar lenda não é para qualquer pessoa. Só as especiais viram lenda. Talvez seja sua missão destucanar “Aecinho”. Uma canseira governador, mas conforme Tancredo: “a gente tem a eternidade para descansar”.

Cara a cara com o senador. O que as feministas esperam de um governo que pretende ser nacional, popular e democrático? Respeito. É bom e nós gostamos. Respeito à pluralidade, à diversidade e ao status laico do Estado brasileiro. Não precisa ser um feminista, apenas referendar a milenar luta das mulheres. Exige-se que seja declaradamente anti-racista. O resto a gente toca. E dança. E bem. Somos decididas. Sabemos o que queremos. Não há o quê negociar. Está escrito na Plataforma Política Feminista. Leia-a e reflita sobre ela. Não temos um projeto de futuro a longo prazo a compartilhar com o senador. Nem ilusões. A luta de classes não acabou. Ficou mais complexa e entremeada por gênero, raça e etnia. Compartilhamos o hoje. Explico-me.

Jamais cogitei um dia ser sua eleitora. Prezo muito o meu voto e o entendo como uma arma de altíssima precisão, definidora de futuro, de vida e de felicidade, mas tenho de falar da minha emoção de vê-lo dizer, repetidas vezes, que mesmo se não fosse o vice de Lula votaria nele e faria campanha. Senti firmeza. Comecei a indagar o que faria um homem das elites, apesar do jeitão de homem simples do povo, um rico industrial de Minas, enfrentar seus pares de classe e de um partido dito liberal, contraditoriamente, abrigo de conservadores de diferentes matizes, dos fundamentalistas aos nem tanto?

O que move um homem do seu naipe dizer “estou com Lula”? É pieguice evocar a sua origem humilde. Cá prá nós, pobre é pobre e rico é rico. O bloco PT-PCdoB-PL não é uma fusão, mas uma aliança que envolve interesses de classes contraditórios (povo versus podres de ricos), logo é pontual e conjuntural – uma coalizão contra a indignidade. E aqui cai como uma luva o que disse o Dr. Caio Rosental: “Abaixo da linha do Equador, para ser um grande estadista, é preciso primeiro tratar as águas, canalizando os córregos e os esgotos, fornecer água potável e trocar o barro das casas pelo tijolo” (A saúde anda para trás. FSP, 28-06-02). Iluminada frase, que em si é uma agenda que prima pela decência ao desnudar o “risco-Brasil real” e consegue, com uma tacada de pena, reduzir a pó a alardeada excelência do senador José Serra no comando do Ministério da Saúde, cuja capacidade até para matar mosquito ficou aquém do necessário.

Via José Dirceu defendendo a aliança com o PL e dizia aos meus botões: “quem te viu e quem te vê”… Madeixas ao vento, megafone em punho… Era belo, radical e inesquecível! O que diria Iara? Iara de Dirceu, assassinada pelo braço fascista da burguesia, a ditadura militar de 1964. Fiquei expectando as encruzilhadas da política senador! Confesso: parecia algo sem eira e nem beira a adesão do PL a uma proposta de governo nacional, popular e democrático. Enxerguei que nem tanto, já que, “no fundo no fundo”, o chamado “projeto do PT” (nacional, popular e democrático) consiste em reformas cabíveis nos marcos capitalistas, pois o “modo petista de governar” nada mais é que execução de políticas de redução de danos da crise do capital. Que seja. Sem ilusões.

Nos basta, nas eleições 2002, que vença a perspectiva de um Estado de bem-estar social. Tolerância zero com o continuísmo de “migalhas ao povo”. Lula não é exatamente TUDO o que o povo sonha e precisa, porém é o que mais se aproxima: a mais completa tradução das necessidades de um país que deve romper com os grilhões da indignidade. Como o Planalto vê uma aliança PT-PCdoB-PL? Como o “caminho da perdição”. Jogaram duro para inviabilizar, ao estilo “veneno para matar Roseana”. Ponderei. Para que serve a radicalidade feminista se não se abre ao novo e ao inusitado? “Nada como um dia depois do outro e uma noite no meio”. Nós e nossas circunstâncias.

A arte da política consiste em entender as circunstâncias e saber fazer alianças. Por que o senador cabe como convidado de um projeto de governo popular e democrático? Porque, como é de domínio público, é um homem de bem. Grande credencial! Ser “pessoa de bem” na política do Brasil de hoje é um atributo valioso e raro. Exige-se dele solidariedade e respeito. Não é o mesmo que pensar igual. Senador, seja bem-vindo à cena da luta contra todas as formas de dominação! Não será fácil. Provará do sal da terra: a dureza e a ternura da luta popular, democrática e feminista.

E-mail: fatimaoliveira@ig.com.br










Corpo de Alencar é transportado em avião da FAB com honras de chefe de Estado. Foto: Agência Brasil

“Eu tenho que fazer isso, porque quero elegê-la” [José Alencar]







Republicado em 31 de março de 2011 às 7:29
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Fátima Oliveira sofreu o pão que o diabo amassou para defender Alencar como vice
Coisas de Minas, o caminho da perdição
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domingo, 5 de dezembro de 2010

O ministério de Dilma Rousseff? Deixa o trem arder...

Fátima Oliveira

 
Pedro, marido de Estela, afilhada de Dona Lô, um pemedebista dos antigos, daquilo que se chamava de “Velho MDM”, estava desassossegado porque a formação do ministério da presidenta eleita Dilma Rousseff, segundo ele, estava deixando muito a desejar e a biqueira de poder, da qual o PMDB tanto gosta, estava ficando cada vez mais curta. O sonhado Blocão, não deu certo. De certeza Dilma esturricou o Blocão e o vice, Michel Temer, conforme Pedro, está sendo cozinhado em banho-maria...
– Dona Lô, cadê o ministério de Dilma, hein?
– Sei muita coisa, não viu Pedro! A mulher tá montando o governo. Tem todo o direito. Vamos ver no que vai dar. Confio no taco dela. Teu PMDB deu uma murchada na ânsia por cargos? Era hora de acalmar, né não, meu filho? A coisa estava ficando feia demais. “Marrapá”, tem paulista demais no primeiro escalão, o que acha? Cala-te boca, Lô! Mas que tá pior do que urubu na carniça, isso tá! Falando em bicho que voa, Pedro os beija-flores estão em festa em meu jardim, meu filho. Tanto que fiquei impressionada hoje pela manhã.

– E Lula tá quase meio inconveniente. Por que não fica quieto?! Ele já é rei posto. É mesmo como se diz: “Rei morto, rei posto”. E “cefini, saudações” O mandato dele acabou! “C’os diacho” com tanta indicação de ministros! Não tô entendendo mais nada! Terminou o mandato dele, é hora de largar o osso!
– Ô Pedro tu estás indo na onda dessa gente, não é? Isso é uma bobajada de marca maior...
– Qual?
– De dizer que Lula tá mandando no governo de Dilma, que ainda nem começou. Até parece que estão denunciando um crime cometido por Lula! A grande imprensa está caindo de pau, dizendo que Dilma é uma marionete de Lula; que Lula isso, Lula aquilo...
– Ora Dona Lô, Dilma está quietinha, quietinha... Anda falando pouco.
– E quem não deve falar, falando pelos cotovelos, não é? Até o “boca de sulapa” está dando uma de conselheiro de Dilma! Isso é pouca falta de tudo! Que cara mais intrometido! Espia só que coisa mais sem rumo! Reclamam que muitos ministros de Lula permanecerão; e que o ministério é muito petista. “Sangue de Jesus tem poder”! Misericórdia com tanta asnice!
– Mas é verdade!
– Ai, Jesus me abana! Como não seria um ministério de DNA petista, se o governo é petista? Se a presidenta é do PT?! Como Lula não vai dar pitaco se ele apresentou e avalizou a Dilma e disse que ela seria um governo de continuidade? Quem votou e elegeu Dilma entendeu assim.
– Mas Dona Lô, fique calma, veja só...

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– Calma qual o quê Pedro! O governo Dilma é continuidade do Governo Lula! Foi isso que foi aprovado pelo eleitorado! Esqueceu? O lulismo, confiando na palavra de Lula derrotou o serrismo. Ou não foi? “Home” deixe de asneiras! Agora estão querendo que Dilma coloque ministros do PSDB? Do DEM também? Era só o que estava faltando! Eita magote de doido em surto psicótico. “Ora, me compre um bode!”
– E a paridade de gênero para os ministérios, colou ou não?
– Ah, quem dera meu filho! Foi pros ares. As más línguas juram que só do colete de Lula saíram uns dez ministros! Tão se roendo de inveja! Mas nesse meio, só uma mulher. Sem jeito! Veja bem, temos no Governo Lula 37 ministros, sendo 32 ministérios, 3 secretarias com status de ministério, o presidente do Banco Central e o Advogado-geral da União, ambos com status de ministros!
– Mas Dona Lô, se Lula abocanha 1/4... É rezar! Valei-me meu São José de Ribamar! Precisa muita reza brava, pois sendo assim Lula vira um latifundiário de ministérios. Coisa mais esquisita! Se for verdade é demais mesmo. Cabe bem o que Lula gosta de dizer: “Nunca dantes na história desse país” se viu tanto mandonismo. É como se Lula fosse um coronel do sertão...
– É! Nesse raciocínio tens razão Pedro. O que está errado é a base do teu raciocínio, meu chapa! De modo que, perdeste o eixo! E olhe: continuo dizendo que “Sou Lula até debaixo d’água!”




– E quem não sabe que a senhora é “paridinha” por Lula, hein?
– “Home” deixe de bobagem! Quem perdeu a eleição tem de aceitar o resultado da lisura das urnas. Só não entendo que sendo também do PMDB, que tem o vice de Dilma, esteja tão contra Lula! Que bicho te mordeu, hein “bichim”? Precisas ler Marcos Coimbra de vez em quando, meu filho. Gostei quando ele disse que o eleitorado entendeu bem o recado de Lula: “Votar em Dilma é votar em mim”! Não foi o combinado? Reclamar de quê, hein?
– Você está afiada que nem lâmina de punhal...
– Não acredito nessa fuxicada à boca miúda, nem na das arraias grandes do PSDB e nem das “pitititas” do DEM. Pode estar faltando senso a Lula? Pode! Entendo “direitim” quando dizem que o poder é afrodisíaco! Mas nada que um grito não corrija. “Cê” sabe, “Por falta de um grito se perde uma boiada”. Precisam deixar a mulher governar, minha gente!
– E pra governar ela tem de escolher a sua equipe de governo!


– E quem disse que ela não está escolhendo? Hem-hem, só quem não conhece Dilma! Ora, vamos combinar, né Pedro?! Ocupante de ministério é cargo de confiança da presidência da República. E fim de papo! Já disse que acredito piamente que Dilma não é besta!
– ...
– Na certa que perde dinheiro quem comprar a Dilma por besta. Tanto não é que chegou onde chegou. Quem diria, não é?
– Esse povo da política está com a vida ganha, deixa o trem arder...
– Hem-hem... Pois bem, vou fazer a minha parte, que é assistir a primeira presidenta do Brasil receber a faixa presidencial. Não há dinheiro que pague! Depois voltar aqui pro meu canto, feliz da vida! E la nave va!
– Não adianta. A senhora arruma desculpas pra tudo dessa sua gente...
– Ai, Jesus me abana! Meu juízo está “curtim”, “curtim”, viu Pedro? Depois não diga que não lhe avisei!
– Beijim, Dona Lô! Estela está pedindo pra falar mais um pouquinho. De certeza quer pedir mais uma receita de alguma comida. Acho que é de Queijo de ovos mole ou de Toucinho do céu. Êh mulher que só pensa em comer! E toda vez que ela volta da Matinha só fala em comida. Fica impossível! A bicha não engorda de ruim que é porque ali come, meu Deus E como come!



Queijo de ovos mole

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Toucinho do céu
Chapada do Arapari, 05 de dezembro de 2010

GRAÇA MACHEL SOBRE DILMA ROUSSEFF




Presidente Lula, o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela e sua esposa Graça Machel, durante encontro em Maputo, 16/10/2008), Foto: Ricardo Stuckert/PR

ÉPOCA – Como defensora dos direitos das mulheres, o que representou para a senhora a eleição de Dilma Rousseff à Presidência do Brasil?

Graça – A ascensão dela à Presidência de um país da importância do Brasil é uma vitória de todas as mulheres do mundo. Há uma luta que vem de muitas gerações. Mesmo depois do direito ao voto, era impensável três décadas atrás, mesmo neste país, que uma mulher pudesse ser presidente. É uma transformação social muito grande. As pessoas passaram a acreditar que uma mulher pode liderar não só este país, mas também os grandes desafios do mundo. O Brasil faz parte do G20, dos Brics, representa todo o Hemisfério Sul. Acreditar numa mulher como voz deste país lá fora é um avanço considerável.


FONTE: Graça Machel: “O mito Mandela fica fora de casa