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terça-feira, 15 de novembro de 2016

São Luís do Maranhão é a capital mundial da paz em novembro

Fátima Oliveira
Médica – fatimaoliveira1953@gmail.com @oliveirafatima_


São Luís é a capital mundial da luta pela paz em novembro. Recepcionado pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz, o Conselho Mundial da Paz, criado em 1948 e constituído por personalidades e movimentos contra a guerra e a opressão, realizará na capital a Assembleia Mundial da Paz em 18 e 19 deste mês, e a Conferência Mundial da Paz, no dia 20, Dia Nacional da Consciência Negra!


Pablo Picasso criou a Pomba da Paz para o I Congresso Mundial da Paz (20-23.04.1949 em Paris)
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Resultado de imagem para palácio dos leões são luís maranhão   (São Luís-MA)


A luta pela paz é bandeira da esquerda mundial, numa visão de que a paz não é só a ausência de conflitos entre as nações, mas também uma conjuntura na qual os povos não tenham tolhida sua autodeterminação.


Resultado de imagem para frases de maria montessori em português Maria Montessori (1870-1952), médica e educadora italiana, incluiu a paz como eixo do método montessoriano. Dizia que “a educação é a melhor arma para a paz” e que “a responsabilidade de evitar conflitos é dos políticos, e a de estabelecer uma paz duradoura é dos educadores”. De 1932 a 1939, fez várias palestras sobre a paz, que, para ela, se inicia pela construção da harmonia entre a criança e o adulto. Em 1947, proferiu na Unesco a palestra “Educação e paz”. Em 1949, publicou “A Educação e a Paz”, no qual diz que “a paz não é o resultado de negociações, mas uma construção”; e que “a paz é uma ciência, uma arte, uma cultura. A paz se aprende”.

(Releitura da obra de Picasso)


A brasileira Socorro Gomes, que preside o centro e o Conselho Mundial da Paz, em breve histórico da luta organizada pela paz, disse em Damasco, na Síria, em 25.10.2009: “Pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, num momento em que a situação internacional se agravava em consequência da política belicista do imperialismo norte-americano, vozes se levantaram em numerosos países, proclamando a necessidade de criar um movimento mundial para impedir nova catástrofe”.


Resultado de imagem para Socorro Gomes e o Congresso Mundial da Paz  (Socorro Gomes)


Em agosto de 1948, foi realizado o Congresso dos Defensores da Paz, em Wroclaw, na Polônia. Presentes mais de 400 personalidades de 46 países, criaram o Comitê de Enlace dos Intelectuais pela Paz, que, em fevereiro de 1949, reunido em Paris, convocou, junto com a Federação Democrática Internacional de Mulheres, um novo Congresso Mundial pela Paz, de 20 a 23 de abril de 1949, na mesma cidade.


Resultado de imagem para cartaz do Congresso Mundial da paz, 1949   “Certa manhã de março, um cartaz apareceu nos muros de Paris e das grandes cidades francesas. Anunciava a data e o lugar do Congresso Mundial da Paz e exibia como emblema uma pomba, que se tornou célebre e até hoje simboliza o movimento pela paz no mundo. Era a pomba de Pablo Picasso. Alguns dias mais tarde, o cartaz aparecia simultaneamente em Varsóvia e no Rio de Janeiro... Em pouco tempo, reproduzida por todo o mundo, a pomba tornou-se o símbolo universal das forças da paz” (Socorro Gomes).
O lema do 1º Congresso Mundial da Paz, “Doravante a paz é uma questão dos povos”, recebeu adesões em massa de todo o mundo! Presentes 2.198 delegados de 72 países. “No mesmo dia, abriam-se as portas do Parlamento da Tchecoslováquia para receber os 281 congressistas que compunham a sessão de Praga do congresso, proibidos de entrar na França”.

Resultado de imagem para Zélia Gattai e Jorge Amado na Tchecoslováquia   Na época, estavam exilados na Tchecoslováquia Jorge Amado (1912-2001), um dos expoentes da luta pela paz; e Zélia Gattai (1916-2008), que muito se envolveu com a mobilização. Ela relatou em “Jardim de Inverno!” (1988) sobre o Conselho Mundial da Paz: “Segundo a opinião de muitos, esse órgão seria apenas um instrumento da política externa soviética. Para nós, era um órgão que se propunha lutar pela paz, mantendo uma vigilância permanente contra as ameaças de guerra”. Paloma Jorge Amado (19.11.1951), filha do casal, nasceu em Praga.



Resultado de imagem para Zélia Gattai,   Jorge Amado e Paloma na Tchecoslováquia  (Zélia Gattai com Paloma Jorge Amado) 
Resultado de imagem para Picasso e a pomba da paz PUBLICADO EM 15.11.16
0 (DUKE) FONTE: OTEMPO






terça-feira, 8 de novembro de 2016

A santíssima trindade da teocratização da República

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Fátima Oliveira
Médica – fatima.oliveira1953@gmail.com @oliveirafatima_


As duas versões do Escola sem Partido, movimento e projetos de lei, são de caráter não republicano e antidemocrático! O rótulo “escola sem partido” engloba duas coisas, a saber: um movimento idealizado, em 2003, pelo procurador do Estado de São Paulo, Miguel Nagib, católico; e, a partir de 2014, projetos de lei baseados nas ideias de Nagib que adquiriram visibilidade e fôlego sob o patrocínio da família Bolsonaro (PSC-RJ): o deputado estadual Flávio Bolsonaro apresentou, na Assembleia do Estado do Rio de Janeiro, um projeto de lei; e o vereador Carlos Bolsonaro, um similar na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.


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Escritos por Miguel Nagib viraram “modelos” para parlamentares ultraconservadores nas esferas municipal, estadual, federal. No Senado, o Projeto de Lei 193/2016, do senador Magno Malta (PR-ES), cantor gospel e pastor evangélico, visa alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, para incluir o programa Escola sem Partido, extinguindo a liberdade de cátedra e a pluralidade de ideias! Há PLs de igual teor tramitando em Legislativos municipais e estaduais – e muitos já aprovados!


Resultado de imagem para escola sem partido  Nagib declarou que sua motivação foi a “percepção” de que o professor de história “doutrinava” sua filha: em setembro de 2013 ela disse-lhe que o docente comparou Che Guevara a são Francisco de Assis ao exemplificar pessoas que abandonaram tudo por uma ideologia política ou religiosa. (“O professor da minha filha comparou Che Guevara a são Francisco de Assis”, “El País”, 26.8.2016).

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       Resultado de imagem para fernando penna uff     O eixo ideológico do movimento Escola sem Partido é que a educação atenderá os princípios da neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado sobre quatro pilares: 1. estudantes são folhas em branco; 2. “meus filhos, minhas regras”; 3. contra a teoria de gênero, que chama de “ideologia de gênero”; e 4. censura a quem não seguir o figurino da neutralidade ao ensinar. São teses afinadas com a Santa Sé/Vaticano e com os evangélicos fundamentalistas.


          Resultado de imagem para daniel cara   O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, diz ser impossível uma educação neutra. Considerar o estudante totalmente passivo e censurar a livre expressão de docentes são disparates! “Especialistas em educação consideram as propostas do movimento absurdas do ponto de vista educativo, inconstitucional do ponto de vista jurídico e uma forma de censurar professores”. (“Cinco argumentos contrao Escola sem Partido”, Caio Zinet, “O Jornal de Todos os Brasis”, 29.7.2016).


         Resultado de imagem para Fernando Penna     Fernando Penna, da Universidade Federal Fluminense e da rede Professores contra o Escola sem Partido, “acredita que a concepção prevista no PL cria um ambiente propício para a perseguição política. Ele questiona como um professor faria para respeitar absolutamente todas as convicções de todas as famílias”.


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Resultado de imagem para frase do papa Francisco sobre teoria de gênero Vivenciamos uma luta ideológica contra três bandeiras feudais sob o guarda-chuva do Cristianismo que, de tão imbricadas, podemos chamar de “santíssima trindade da teocratização da República”: 1. contra o aborto; 2. contra a teoria de gênero; e 3. movimento e projetos de lei Escola sem Partido. Não é pouco!
            Como se não fosse o bastante, a reforma do ensino médio do governo Temer (MP 746/2016) propôs extinguir disciplinas como filosofia e sociologia para enquadrar e amordaçar a possibilidade de pensamento crítico, personificando a subtração da República! E a PEC 55, ao inviabilizar o Plano Nacional de Educação, é a concretização do roubo do futuro! Resistiremos. Todo apoio às ocupações estudantis contra o futuro roubado!


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 FONTE: OTEMPO

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0 (DUKE) A cruzada do papa Francisco de satanização da teoria de gênero, Por Fátima Oliveira (25.10.2016)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A agenda pela concretização dos direitos da mulher

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Fátima Oliveira
Médica - fatima.oliveira1953@gmail.com @oliveirafatima_


Até 2002, o feminismo, sem muitas ilusões, apresentava às candidaturas ao Executivo (Presidência da República, governos estaduais e municipais) a plataforma eleitoral das mulheres – prática iniciada após a redemocratização do país (1985). A “Plataforma das Mulheres” servia de guia para a ação após as eleições. Era com ela nas mãos que conversávamos com os novos governos sobre as demandas femininas mais prementes. Era um documento geral, em que pontuávamos temas como creches, lavanderias e restaurantes públicos, escolas de qualidade, delegacias de mulheres, casas-abrigo, combate à mortalidade materna e implantação dos serviços de aborto previsto em lei (estupro e risco de vida da gestante). Após a Conferência de População do Cairo, em 1994, incluímos direitos reprodutivos.


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O maior problema era, a cada quatro anos, “ensinar” aos secretários estaduais e municipais de Saúde a história do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher, de 1983/1985, e o conceito de direitos reprodutivos. Ô canseira! Quando estavam quase aprendendo, chegavam novos governos e secretários! Sem falar nas habituais trocas de secretários durante uma mesma gestão! E nós lá, penitentes: “Caminhando e cantando e seguindo a canção”...


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Nas eleições de 2014 não li “Plataforma das Mulheres” às candidaturas à Presidência da República nem aos governos estaduais. Em 2016, desconheço documentos reivindicatórios de igual teor das candidaturas às prefeituras! O que não quer dizer que não foram feitos, apenas que não os conheço.


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Plataforma da Rede Feminista: mulheres votam pela saúde integral (2010)
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Se não foram elaboradas, é lamentável! Mas é catastrófico na área de saúde da mulher, porque estamos em plena “era do leilão de ovários” – os corpos femininos como alicerce da agenda fundamentalista –, e a luta contra as trevas é de âmbito local: Estados e municípios, numa conjuntura em que saúde da mulher, direitos sexuais e direitos reprodutivos são terminologias proscritas da agenda da saúde pública brasileira – uma derrota significativa que foi iniciada ainda no primeiro governo Dilma Rousseff.




Se não há “Plataforma das Mulheres”, até agendar uma conversa com os novos governos será mais difícil. No entanto, não chegaremos a eles sem nada nas mãos porque temos instrumentos de cobrança de políticas públicas que nos foram legados pelo governo Lula. Eis alguns: Lei Maria da Penha (2006), Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (2004) e Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (2009). Ou seja, é dever lutar para garantir em cada município as ações decorrentes de tais políticas, ou elas serão relegadas ao esquecimento porque são ações para gente, e não “causa”!


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Resultado de imagem para Política Nacional de Saúde Integral da População Negra     No cenário nacional conturbado – de perda de direitos e uma avalanche de notícias sobre outras prováveis perdas; e o fundamentalismo cristão, além de ser contra o aborto, empunha uma nova bandeira: a cruzada contra a teoria de gênero –, onde vivemos precisa ser nossa trincheira de luta por nenhum direito a menos. Tem nome agir assim: é pragmatismo político, que nos mostra que uma das saídas é ocupar os espaços de participação popular em defesa dos direitos conquistados. Em outras palavras, está na ordem do dia a participação feminista qualificada nos conselhos em cada município e em cada Estado, já que perdemos a zona de conforto e, de algum modo, o “luxo” de Presidência da República sensível aos direitos da mulher.
Há muita luta a ser “lutada” para além das lamentações e da resistência ao conservadorismo aboletado no governo brasileiro que está a exigir muito de quem ama a democracia.


Resultado de imagem para Plataforma Eleitoral  Feminista  PUBLICADO EM 01.11.16
 FONTE: OTEMPO
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