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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dilma e a Rede Cegonha & Dilemas de Dona Lô...




Fátima Oliveira

“Não sei se chamo uma coletiva de imprensa ou se faço uma cartinha pra Dilma. Ô dilema cruel!”
Era o que pensava Dona Lô ao sentar em sua cadeira de balanço na calçada de sua casa na Chapada do Arapari. Parecia agoniada, fadigada... Muitas coisas fora do seu controle. Situação horrível para quem está acostumada a ter nas mãos as rédeas de tudo que lhe compete.
Primeiramente porque Maria Helena, filha de Memélia, a mocinha que substituiu Gracinha – “aquela sim era de forno e fogão e ainda de troco um latão” – era lenta que só uma lesma. Boazinha, é verdade, mas pra virar uma Gracinha, bote tempo! E Dona Lô não parecia lá muito disposta a esperar tanto... Falta de paciência mesmo.
Ela sabe que “O que não tem remédio, remediado está”.
‘‘C’os diachos essa invenção de Gracinha de não se aguentar e andar mijando de tiquim por Zé Vaqueiro! E a lesa aqui nem ter percebido, nadica de nada, oxente! Imperdoável, viu, Lô! De besta aqui só eu mesma. Até Cesinha disse! Depois desdisse, mas deu sua opinião”. Era o que passava em sua cabeça...
E remoía... “Como se a vida estivesse em céu de brigadeiro, aparece Dilma toda porloche na TV anunciando, nada mais e nada menos, do que o minimalismo das ações em saúde da mulher, falado em programa de campanha eleitoral. O mais cristalino retrocesso”. É o que dizem as pessoas entendidas no assunto. E sou forçada a reconhecer que elas têm toda a razão do mundo. Estou com elas e não abro!
Na época Dona Lô não deu muita bola. Imaginou que era o escape possível do acirramento do fundamentalismo do Serra. Tudo para venerar as mães e, por tabela, condenar o aborto. Pois sim, santificando as mães os contras vão entender que não se apoia aborto. Ô raciociniozinho tacanho, fulerim, fulerim... Bem, ali era a campanha eleitoral no momento do “Vai ou racha e quem for podre que se arrebente”. Até compreensível. Era, sim! Mas aquilo era promessa pra ficar só no discurso meu Deus do céu! Tu bem sabes meu Deus!
... Se bem que aquela feminista que é médica, espertíssima, como de costume cantou a pedra, bem antes do segundo turno. Mas ficou por isso mesmo... Eu, Lô, até achei que ela estava radicalizando, que era um exagero, pois Dilma daria continuidade às políticas de Lula na saúde da mulher que, na prática não foram nenhuma brastemp, mas eram bem intencionadas. Quem é especialista no assunto, por profissão ou por militância, concordava, pois ajudou a elaborar aquela política anos a fio até chegar ao que está documentado. Logo, eu nem “Seu Souza” para a implicância da Dra. Fátima Oliveira! É sério. Achei que era um preciosismo, uma inticância dela.
Pois não é que a danisca foi bem na ferida que agora sangra? Ela escreveu: "Numa olhada de relance nos discursos das campanhas à Presidência, a concepção de mulher-mala (mãe e filho) foi o tom das propostas para a saúde feminina. Foi de amargar... Ai, meus sais! Voltaremos ao tema."... ["Algumas ausências que foram paradigmáticas no debate eleitoral"]
E olhe que ela escreveu o que estou lembrando agora foi no dia 5 de outubro de 2010! Não é profetisa, não! Apenas analista criteriosa da conjuntura e de pés bem fincados no chão. Mas não dei pelotas. E olhem que ela é uma mulher com Dilma desde a primeira hora! Comprou a briga em defesa do nome de Dilma nas entranhas do movimento feminista! Foi um bom artigo aquele "Não serve ao feminismo tentar nivelar ideologias díspares".


Já na calçada, bem acomodada em sua cadeira de balanço, ficou a olhar com indisfarçável ternura, a meninada a brincar no adro da capela... E com as pernas inquietas, em petição de miséria, sem achar lugar pra elas, decidiu: “Vou assuntar com Estela. É hora de assuntar mesmo. O bicho, ou melhor, a bicha, que é a cegonha, tá pegando e grudou que nem chiclete... E com razão... Precisava disso não, minha gente! Parece que estou vendo aquela meninada zanzando e estribuchando pra agradar a presidenta. Pura falta de expediente! Donana, minha mãe, dizia que a derradeira disgrota da vida é uma pessoa sem expediente, pois o mundo engole quem não tem expediente!”
E resmungava, falando sozinha: “Só mesmo falta de expediente explica que depois do sucesso do Programa ‘Saúde não tem preço’, o governo de Dilma tenha caído numa esparrela sem tamanho com a tal cegonha! Espiem só, no dia 04 agora, de abril, no Café com a Presidenta, ela falou que o Programa ‘Saúde não tem preço’ já atendeu quase 3,5 milhões de pessoas em dois meses de funcionamento!



Disse a presidenta: “‘Nos primeiros 45 dias, quase 3,5 milhões de pessoas receberam de graça seus remédios para diabetes e pressão alta. É quase o dobro do que a rede ‘Aqui Tem Farmácia Popular’ distribuía quando os remédios tinham que ser pagos. Isso indica que a nossa campanha sobre a importância do tratamento está no caminho certo”, afirmou. “Queremos que todos os diabéticos e hipertensos possam fazer o tratamento direito, sem interrupção... O problema é que essas doenças, se não forem tratadas, levam a complicações muito graves, que podem até matar. Daí a importância da prevenção, com uma vida saudável, uma alimentação saudável e exercícios físicos, desde que o médico controle e receite. E, além disso, o tratamento com os medicamentos corretos”.




“Hemhem, sem dúvida, uma ação bola dentro que concretiza o direito humano ao remédio. Ai, que agonia nas pernas! Fico assim sempre que estou agoniada. Nunca descobri pucardiquê. C’os diachos que Estela não atende ao telefone!” Fincou pé e insistiu em falar com a afilhada, enquanto se deixava encharcar da sensação de agradecimento pela tarde de brisa suave e por aquelas crianças bem vestidas brincando, saltitando, alegres e felizes... Em outras eras, numa horinha dessas estavam todas nas roças, no cabo do enxadeco. Agora, não! Todo mundo na escola, feito gente! Nem sempre foi assim. A melhoria de vida daquela gente se deu mesmo foi com Lula...


– Ô Maria Helena, minha filha, ligue aí de dentro pra casa de Estela e peça que telefone aqui. Preciso falar com ela! É conversa demorada. Não dá pra ficar de lero em celular, não! Tá caro demais! Depois chame a meninada que está ali brincando e dê umas frutinhas pros bichins, viu? Sim, banana prata! Ah, e aquela bandeja de ata madurinha. Há muitas atas e bananas aí que trouxeram da Matinha hoje. Dê o tanto que elas quiserem, a folote mesmo. Se a gente não comer logo vão estragar. Melhor dar pros bichins.
– ...
– Né brinquedo, não Estela! “O programa tem atualmente 15.097 farmácias credenciadas, além de 548 unidades do governo. Para receber gratuitamente os remédios de diabete e hipertensão, o paciente precisa apresentar no posto autorizado a receita médica, o CPF e um documento com foto”. Melhor do que isso cheirosa, nem maná caído do céu! E agora, o que eu faço, hein Estela? Não se sei chamo uma coletiva de imprensa ou se faço uma cartinha pra Dilma.
– Como assim Dindinha? Deixe de maluquice, senhora! Não disse que está aposentada? Tem um montão de organizações feministas que precisam dar o ar da graça nessa refrega, dando o tom e dizendo como é que a roda gira. Praticamente ainda não fizeram nenhum barraco. Tem de haver barraco! Saiu só uma notinha e a entrevista da Rede Feminista de Saúde, que eu considero de alto nível, pois é uma abordagem filosófica, técnica e política da visão da saúde integral da mulher. O feminismo falou e disse! Agora é a vez do ministro Padilha se explicar. Olhe que hoje já é dia 7 de abril. O frege está armado. É isso! No centro, o debate sobre atenção integral à saúde da mulher.
– Como dizia uma amiga feminista, a médica Ana Reis, saúde integral é como o arroz com casca e tudo... Fica facim, facim de entender o que se quer dizer quando se fala em saúde integral, é só pensar em arroz com casca.



– Taí, gostei! É preciso lembrar tal comparação para o ministro Padilha.
– A presidenta lançou o Programa Rede Cegonha dia 28 de março... De lá mesmo de Belo Horizonte ela se mandou pra Portugal, depois voltou na maior carreira, que morreu Zé Alencar... Se a mulherada que entende do riscado ainda não foi pra cima, aí fica difícil mesmo...
– ...

– E o que faço, hein Estela? É que estou vendo a vaca ir pro brejo. Ir, não! Está atolada no brejo... Boto a boca no trombone ou no ouvido da mulher? Me diga!
– O bom senso, ético e político, manda que a senhora faça uma carta, uma coisa pessoal. Da senhora pra Dilma, abrindo os olhos dela, ôche! Deixe o embate político, quero dizer, o grande embate, para quem tem a obrigação de fazê-lo... Por mais irada que esteja com a cegonha... E eu pensava que a senhora gostava de bicho...
– Estela, vamos por partes! Gostava, não! Gosto. Fui uma criança cercada de bichos por todos os lados... Menos de cegonha rsrrsrsrsrsrsrs, bicha que nem tem no Brasil. A bicha ainda por cima, é estrangeira, oxente! Importada, Estela! Cegonha no Brasil só importada, minha rosa!
–...
– Só não tive gato e cachorro. Não podia porque era asmática e mamãe dizia pra nem chegar perto de pelo de gato e de cachorro... Coisa da sabedoria do povo, que parece ser certa. Mas criei de tudo: curica, papagaio, periquito, paca, cotia, jabuti, tatu... Em meu tempo de criança, sempre tive minhas galinhas, meus patos e até um pavão! Sem falar nos cabritinhos e carneirinhos enjeitados, quando a mãe morria, que papai trazia pra casa pra que eu cuidasse deles. Dava leite na mamadeira pros bichinhos. Nunca morreu um! Papai dizia que criança aprende a respeitar a natureza é cuidando de bichos! Portanto, toda criança precisa ter um animal de estimação... Nem que seja só um! Pode ser até peixe em aquário...
– Ave-Maria Dindinha, zoológico é pouco, hein?
– Acontece Estela, como li num comentário na internet, que a meninada que está no Ministério da Saúde é crua e inocente, inocente – pra não dizer coisa que agrave Seu Ninguém. Só inocência mesmo, pois nem o beabá da cartilha da continuidade de um governo essa gente se deu ao trabalho de ler. Sequer sabem que a pólvora foi descoberta faz é tempo! Estão gostando de puxar a mãe do corpo da presidenta... Só pode, ôche! É um surto de puxa mãe do corpo! Se Dilma fosse homem, seria surto de puxa saco!
– Hemhem... Como assim? Pucardiquê?
– Como assim e pucardiquê? Num tá acompanhando não, minha rosa?

– Médio... Li o artigo da professora Clair Castilhos “As cegonhas vão parir… tudo está resolvido!!” O veio é bom; e o estilo gozador é perfeito! Uma delícia de leitura. Por alguns comentários, percebe-se que muita gente interessada no assunto não entendeu direito que o buraco é bem mais embaixo. Tem muita gente achando que as feministas gostam mesmo é de encrenca. E não é nada disso. Vai ser preciso popularizar a linguagem pra que as pessoas entendam do que se trata. Ah, isso vai!
– ...
– Por exemplo, o Pedro, no Azenha, no blog Vi o Mundo, disse: “Ela criticou somente o nome? Porque não vi nenhum argumento contra o programa em si”. Houve um que escreveu: “Durante a campanha ela já falava ‘Rede Cegonha’. Portanto, o nome não foi invenção de alguém do Ministério sem consultá-la (João Sérgio). Até separei os comentários que li sobre o assunto, tanto no Azenha, quanto no Saúde com Dilma...
– Aaaaaaaah, e foi? Pois leia aí Estela! Vamos apreciá-los juntos.
– ...
– Tudo, não! Só os mais representativos... Quer dizer, que confirmam a sua hipótese de que muita gente não está entendendo direito que esse tal de Programa Rede Cegonha enterra ou faz sombra à  Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher”...


Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, “investiremos em toda a rede de serviços que devem assumir o cuidado à gestante e à criança, desde o pré-natal até os dois anos: começa pela unidade básica de saúde, passa pelos exames do pré-natal, pelo transporte seguro, até o parto nos leitos maternos do SUS “. Estimativas apontam que o Brasil tem cerca de três milhões de gestantes no momento, sendo que mais de dois milhões são assistidas exclusivamente pelo SUS.


– O Luís Alberto Furtado, aquele contista do Site Lima Coelho que inventou a personagem Dona Luisinha, no Saúde com Dilma, assim se expressou: “Um texto que soube brincar com as coisas sérias de modo a chamar a atenção pros problemas. Parabéns professora Clair. Concordo com tudo que você escreveu. A presidenta Dilma foi enganada pelos seus assessores (leia-se ministro Padilha e seu imediato Helvécio Magalhães), pois nenhum dos dois entende de Saúde da Mulher, pois se entendessem teriam dito: ‘Peraí presidenta, isso tudo de dinheiro é pra ir para a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher' ... E não para ficar inventando retrocesso, como é o caso dessa tal Rede Cegonha. Que vergonha! Ou esse dois senhores sentam suas digníssimas bundas nas cadeiras que ocupam para ouvir e aprender com os movimentos sociais, ou não vão dar conta do recado e levarão a presidenta pro buraco. No caso da Política de Saúde Indígena, o bicho também tá pegando”. (03/04/2011 www.saudecomdilma.com.br/).
“O programa Rede Cegonha é uma resposta pela vida de que a atenção integral à saúde da mulher e da criança é prioridade absoluta no governo da primeira presidente mulher da história do Brasil”, disse o secretário de Atenção à Saúde do Ministério, Helvécio Magalhães, durante coletiva de imprensa realizada neste domingo (27) na capital mineira.
– E olhe que Luís Alberto é danado de inteligente. Um sábio! Um feminista... É casado com uma feminista que entende do assunto e sabe muito bem que nós, feministas, contrapomos ao Programa Rede Cegonha uma política mais ampla e bem elaborada, que já existe, que é a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), uma política de governo, elaborada no Governo Lula, na qual a mortalidade materna está devidamente contemplada e é uma das áreas, que está sendo efetivada bem. Inclusive o Brasil já recebeu prêmios internacionais por conta do bom andamento da ação. Há o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal (2005), onde as ações de redução da morte materna e neonatal estão bem desenhadas. É só cumpri-las!
– ...
– Então Estela, o que sobraria para Rede Cegonha? A parte de Assistência Social. Em outras palavras: o apoio às gestantes ditas “carentes” (odeio essa palavra!). Isto é, a parte estritamente de atenção à saúde da gestante, parto, puerpério e quetais já existe no PNAISM e estão detalhadas no Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal (2005). E agora, vão jogá-lo fora? Não creio! É maluquice elevada à enésima potência! É deixar com a cegonha a parte de assistência social. Não mais! É, pelo menos pra aproveitar aquele monte de obra de arte doada por Romero Britto. É isso! Não mais! Minto...


– Como mente?
– Minto por estar sendo rasteira, com preguiça de pensar. Mas, deixando a preguiça de lado, vou ser franca. A Rede Cegonha como dizem ser a expressão do sentimento da presidenta de cuidar adequadamente das mulheres que vão ter filhos deveria ter sido pensada como parte de uma política de cuidados. É isso! Seria um programa social de cuidados de grávidas e puéperas, dentro das ações de saúde. Mas como “Quem não sabe assar, queima”... O Ministério da Saúde queimou o sentimento de cuidado da presidenta! Falta de expediente, mesmo!
"Um país deve ser medido pela atenção que dá as mães e às crianças". Presidenta Dilma Rousseff
Apresentador: A senhora está indo hoje a Belo Horizonte, lançar o programa Rede Cegonha, mais uma novidade dirigida às mulheres. A senhora já falou do Rede Cegonha aqui rapidamente, mas gostaríamos de saber mais, pode ser?
Presidenta: Pode sim, Luciano. Você sabe que uma das grandes preocupações do meu governo é assistência à mulher e ao bebê. Um país só pode ser medido pela atenção que dá às suas mães e às crianças. O Rede Cegonha é um programa que vai dar atendimento à mulher do início da gravidez até o segundo ano de vida do bebê. Vamos agir bem cedo, sabe por quê? Porque o futuro de uma criança começa muito antes do nascimento dela, começa na qualidade de vida da mãe, nas condições da gravidez e nas condições do parto. Vamos investir R$ 9 bilhões até 2014 para garantir um atendimento integral.
REDE CEGONHA DARÁ ATENDIMENTO À MULHER DA GRAVIDEZ ATÉ O SEGUNDO ANO DO BEBÊ


– ...
– Um passo além do que era a antiga LBA (Legião Brasileira de Assistência). Lembrando que em saúde “uma política de cuidados exige um novo contrato social e ético a ser celebrado entre governo X profissionais de saúde X instituições de saúde, fundado no respeito ao ser humano, na alteridade e no entendimento de que assegurar qualidade de vida possui um valor moral e um sentido político”.
– Eu também vejo assim. Mas agora ficou mais cristalino que é preciso fazer um escarcéu! Mas vamos a outro comentário: “Professora Clair, a benção! Eu estava muito incomodada com o silêncio das feministas diante dos descasos do Ministério da Saúde para com a Saúde da Mulher, jogando no lixo uma proposta de Política Nacional de Atenção à Saúde Integral da Mulher. Pois sim jogou no lixo. E aparece com Rede Cegonha como se saúde da mulher fosse apenas gravidez e parto e dentro de um olhar antigo: mulher e filho. Pensando bem, esses meninos que estão dando as cartas no Ministério da Saúde são leigos em saúde integral da mulher ou finíssimos bajuladores – quiseram agradar a presidenta que na campanha eleitoral foi mal assessorada de um tanto que a única proposta pra saúde da mulher foi essa tal de Rede Cegonha que, como vemos, ludibriaram a presidenta e ela, leiga, caiu no canto da cegonha. E o ministro da saúde, idem.” (Terezinha Sanches).

– ...
– E há outro excelente comentário de Terezinha Sanches, respondendo ao João Sérgio, que já li bem no começo, que dizia que a Rede Cegonha havia sido falada por Dilma num programa de TV, durante a campanha eleitoral: “Aquilo era uma bobagem da ignorância de quem assessorava a ministra. Ou seja, falar em Rede Cegonha em detrimento de uma política elogiada no mundo inteiro. Engabelaram a candidata e agora a presidenta! Sobre o assunto a Dra. Fátima Oliveira, que entende de saúde da mulher como gente grande, e está nessa luta desde que eu a conheço há mais de vinte anos, escreveu no artigo: “Algumas ausências que foram paradigmáticas no debate eleitoral” (...) (Terezinha Sanches).
– ...
“Ah, a professora Clair Castilho disse bem: a RELAÇÃO DAS CEGONHAS COM OS RECÉM-NASCIDOS NÃO PASSA DE LENDA!!! Eis o conto e o canto da cegonha. Mas pra frente é que se anda. Espero que a presidenta Dilma dê uma puxada de orelha nesses meninos dela que estão no Ministério da Saúde para que aprendam e respeitem a luta feminista brasileira, que vê a saúde da mulher na REAL, sem cegonha... Ôche, nunca vi cegonha no Brasil mesmo... Tudo embromação. (Terezinha Sanches).

As cegonhas (Ciconia spp.) são aves migrantes da família Ciconiidae. As cegonhas têm cerca de 1 metro de altura e 3 kg de peso. O seu habitat é variado e a alimentação inclui pequenos vertebrados. São animais migratórios e monogâmicos. As cegonhas não têm faringe e por isso não emitem sons vocais, emitem sons batendo com os bicos, atividade a que se dá o nome de gloterar.



As cores vibrantes do artista plástico pernambucano Romero Britto vão ilustrar o novo programa do Ministério da Saúde, o Rede Cegonha, que será lançado nesta segunda-feira (28/3), pela presidenta Dilma Rousseff, em Belo Horizonte (MG). Britto doou peças originais que serão a logomarca do plano que amplia a atenção à saúde da mulher, com foco no planejamento familiar, na gravidez, no parto e pós-parto, assim como o cuidado até o segundo ano de vida da criança.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou a ideia do modelo de atendimento para o artista, em março, durante uma agenda de Pernambuco. Entusiasmado pela assistência à mãe e ao bebê, Britto se prontificou a doar imagens para ilustrar o plano. “Considerando a importância da melhoria da qualidade da atenção à saúde da mulher e da criança, doei uma série de 10 quadros, de acrílicos sobre tela, produzidos por mim”, explicou o artista, que é considerado um ícone da cultura pop moderna. Os quadros estão avaliados em US$ 800 mil.
Romero Britto doa imagens para ilustrar Rede Cegonha

– ...
– E a Caetana postou a nota que saiu no Estadão, tanto no Azenha quanto no Saúde com Dilma: "Movimento de mulheres critica programa para gestantes lançado por Dilma"
– Dindinha, qual o dia da Semana Santa que a senhora vai fazer o “Bacalhau à espanhola”?
– Ora Estela, no de sempre, na Sexta-feira da Paixão, esqueceu? Increduincruz, só pensa em comer!
– Quêquisso Dindinha, assim a senhora me ofende... Perguntei por perguntar, só pra mudar de assunto. Ah, dá pra mandar pro meu email a receita do “Bacalhau à espanhola”?
– Pucardiquê Estela? Desde quando tu não passas a Semana Santa na Matinha de Dona Lô? Vais inventar moda de ficar em tua casa e cozinhar nos Dias Grandes, é?
– Nããããão e não, Dindinha! Imagina! É que uma amiga minha, que já passou uma Semana Santa aí comigo e mora no Espírito Santo, pediu a receita...
– Aaaaaaaaaah, bem!

Chapada do Arapari, 07 de abril de 2011
 

Maria, Maria
Milton Nascimento

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta

Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida....

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria...

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida....

Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!...

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria...

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho, sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!...

Bacalhau à espanhola de panela
(receita de Fátima Oliveira)

Ingredientes:  
2 kg de bacalhau do Porto
½ kg de pimentão vermelho
½ kg de pimentão verde
½ kg de pimentão amarelo
1 kg de tomate maduro
1 kg de cenoura
1 kg de batata
1 kg de cebola
250 g de azeitona verde
250 g de alcaparra
1 cabeça de alho de tamanho médio
1 maço de salsa ou coentro (escolher a gosto)
1 maço de cebolinha verde
1 folha de louro
Pimenta do reino moída (a gosto)
Azeite de oliva (a gosto, em média entre 300 a 500 ml) 1 limão
**
Modo de fazer:
1. Deixe o bacalhau de molho de 12 a 24 horas em numa vasilha com cerca de 5 litros de água fria;
. Escorra a água do bacalhau a cada duas horas (em média);
. Após 24 horas escorra o bacalhau e retire as peles e as espinhas;
. Enxugue os pedaços de bacalhau;
. Corte o bacalhau em postas do tamanho e da espessura que desejar;
. Esprema um limão nas postas de bacalhau; passe a pasta de alho (sem sal!), feita com a cabeça de alho; e salpique pimenta do reino moída a gosto (reserve por meia hora).
2. Corte em rodelas os pimentões, as cenouras, as batatas, os tomates e as cebolas (reserve).
3. Pique a cebolinha e a salsinha ou o coentro (reserve).
4. Deixe as azeitonas e as alcaparras de molho em um litro água fria por cerca de meia hora (para retirar o gosto de conserva!).
5. Numa panela grande, preferencialmente de barro ou de ferro, comece a montagem do prato:
5.1. Desepeje um pouco de azeite de oliva na panela e espalhe por ela toda;
5.2. Distribua as verduras em camadas: cebola; tomate; batata; cenoura e pimentões;
5.3. Cubra as verduras com uma camada de bacalhau;
5.4. Despeje azeite de oliva a gosto;
5.4. Salpique as azeitonas, as alcaparras, a cebolinha e a salsinha (ou coentro);
5.5. Faça outra camada de cebola; tomate; batata; cenoura e pimentões;
5.6. Cubra as verduras com mais uma camada de bacalhau;
5.7. Despeje azeite de oliva a gosto;
5.8. Salpique as azeitonas, as alcaparras, a cebolinha e a salsinha (ou coentro);
5.9. Finalize com outra camada de cebola; tomate; batata; cenoura e pimentões...
5.10. Coloque a folha de louro!
6. Tampe bem a panela e leve ao fogo baixíssimo durante 60 minutos;
7. Depois de 60 minutos de fogo baixíssimo, cozinhar em fogo médio por mais 60 a 90 minutos!
**

Observações:
1. Dependendo do tamanho da panela os ingredientes são suficientes para duas ou mais camadas de bacalhau e de verduras; e
2. Finalize com uma camada de verduras! Azeite de oliva a gosto.
Lembretes:
1. Não mexer com colher! Apenas dê “sacudidelas” a cada 15 m para que o sabor se misture por igual e nada grude no fundo da panela!
2. Não colocar água! O bacalhau e as verduras cozinham na água que vai soltando do bacalhau e das verduras!
Sirva com arroz de alho ou à la grega
***
*,**,*** Fotos de La Belle Cuisine 

terça-feira, 5 de abril de 2011

As práticas zooterapêuticas são fonte de saúde e felicidade


Sabedoria popular já tinha percebido os efeitos positivos
Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br

Os preconceitos contra a zooterapia estão sendo superados. A terapia assistida por animais e a mediação por animais são assistências terapêuticas. Nada a ver com a Rede Cegonha, tema de conversa próxima. Era ignorância crer que da relação afetiva de seres humanos e animais não decorreriam benefícios à saúde humana.

[zooterapia04.jpg] 

Hipócrates (460-377 a. C.), no século III a. C., louvava os benefícios da cavalgada para tratar doenças neurológicas. Está cientificamente comprovado o uso do cavalo, em todos os esportes equestres, como agente terapêutico coadjuvante em neurologia e psiquiatria. No Brasil, a pioneira da zooterapia, com gatos e cães, foi a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999).

E Caralâmpia ganhou um dono

A zooterapia ou Terapia Assistida por Animais (TAA) data de 1792, na Society of Friends, Inglaterra, onde o dr. William Tuke, pioneiro no tratamento de doentes mentais sem coerção, dizia que os animais propiciavam autocontrole. No século XVIII, o Retiro de York, na Inglaterra, criava animais em seus pátios por constatar que os doentes ficavam mais calmos após contato com eles. Fato comprovado pelo norte-americano Boris M. Levinson, cujos estudos "registram para a ciência e a prática a riqueza do potencial terapêutico da relação entre pessoas e animais" (1960).


O Instituto Technion, em Israel, realizou estudo com esquizofrênicos, tendo cães como coterapeutas - por dez semanas, um grupo participou de consultas com a presença de cães e outro só com o terapeuta. Quem esteve com os cães reagiu melhor aos estímulos nas sessões (2005). Todos os animais domesticados, como cães (presentes em 80% das práticas zooterapêuticas), gatos, coelhos, porcos, aves, cavalos, burros, jumentos, carneiros, cabritos e bezerros, podem ser usados para fins fisioterápicos e psicoterápicos.
Em São Paulo, há o projeto Dr. Escargot (Fátima Martins) e, em Manaus, o Pró-Répteis, com cobras, lagartos e aranhas (Del Nero) e com botos (Igor Simões). É indiscutível o poder calmante dos aquários. "Observar e cuidar de peixes religou-me à vida", disse um bipolar. A zooterapia já é disciplina em várias faculdades de medicina e de veterinária do Brasil e usada em hospitais, escolas, creches, asilos e em presídios, com resultados promissores.
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Protetor de Tela de Peixes Tropicais

Destaca-se o sucesso impressionante da zooterapia na ressocialização de presidiários; no tratamento de drogadização; e em casos de expressividade antissocial, - como Transtorno de Personalidade Antissocial (TPS) ou Distúrbio da Personalidade Antissocial (DPA); Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA); e Transtorno de Espectro Bipolar, a antiga Psicose Maníaco-Depressiva (PMD).



A constatação é alvissareira: transtornos químicos que alteram o funcionamento do cérebro são positivamente influenciados pela zooterapia, tanto a TAA quanto a mediação por animais - incluindo a técnica de "portage" (do francês: être portée - deixar-se levar) da asinomediação, terapia equestre com jumento (ou burro), cujo foco não é a montaria, mas os cuidados com o animal, banho e alimentação, e levá-lo para passear, vincando uma nova forma de linguagem e comunicação, pois as emoções e sensações de relaxamento do contato com o animal geram bem-estar psicológico e social.
"Portage" lembra-me Lequer, maluco oficial de minha cidade natal que amava cuidar e puxar jumentos pelo cabresto, rua acima, rua abaixo! O que dá razão à sabedoria popular que ter um animal de estimação é fonte de bem-estar e de felicidade.

Publicado no Jornal OTEMPO em 05.04.2011

Crônicas de Fátima Oliveira sobre cavalos, cavalgadas & Diversão e saúde:
Taj Mahal, meu mangalarga marchador (22.07.2008)
As endorfinas das cavalgadas são tudo de bom e muito mais (28.04.2009)
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Toon Mastenbroeck, Fazenda Courtzire Milieu, no sopé dos Pirineus (França) - Terapia com "burros" (portege): Deixe um burro assumir por um tempo: permita-se um FERIADO terapêutico com um burro como seu amigo e guia.



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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulheres se reúnem para discutir Brasil com Dilma na Presidência




Cerca de 600 mulheres de 23 estados brasileiros se encontram, a partir desta quarta-feira (30), no 2º Encontro Nacional de Mulheres Brasileiras (ENAMB 2011). De acordo com Sílvia Camurça, da coordenação nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), o Governo da presidenta Dilma Rousseff "exige um reposicionamento feminista”. O objetivo do evento é contribuir com propostas para as ações e os debates feministas dentro do movimento.

As atividades começaram na tarde desta quarta-feira (30), com três atos de lançamento em Brasília. "Realizaremos atos públicos no Congresso Nacional, para ocupar o espaço político; na rua (Rodoviária do Plano Piloto), para estabelecer diálogo com a sociedade; e no alojamento (Centro Comunitário da UnB), entre as delegações”, revela Sílvia Camurça,
O Encontro, convocado em 2010, assume uma importância ainda maior no atual cenário político brasileiro, quando, pela primeira vez, o país tem uma mulher na presidência. Isso porque, na opinião de Sílvia Camurça, a emancipação feminina passa a ser foco de disputa não só na política, como também nos meios de comunicação e em outros espaços.
"É desafiador (para o movimento) essa disputa simbólica sobre como a mulher pode ou não se comportar, até onde ela pode chegar”, comenta.
Outros pontos que exigem atenção do movimento feminista no Governo Dilma, segundo Sílvia, são o modelo desenvolvimentista adotado pela presidente - considerado pela feminista como um problema no atual contexto de crise ambiental - e as políticas para as mulheres.
"(A expectativa é que as) políticas para as mulheres ganhem realce nesse Governo, principalmente pelo destaque na erradicação da pobreza. E sabemos que a pobreza é maior entre as mulheres”, observa.
Na quinta-feira (31), as participantes debaterão sobre a linha de atuação da presidenta Dilma Rousseff no contexto de crise ambiental e social. No dia seguinte (1°), será feito um balanço das lutas da Articulação com destaque para os avanços e os desafios encontrados nas três principais linhas de luta da AMB: a antirracista, a anticapitalista e a antipatriarcalista.
O evento acontece até sábado (2 de abril) na Universidade de Brasília (UnB).

Por Paula de Andrade

O governo da presidenta Dilma Rousseff, de acordo com Silvia Camurça, da coordenação nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), "exige um reposicionamento feminista”.

BRASIL - Encerramento do Encontro Nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (2/4/2011).

O Encontro produziu uma série de recomendações que serão objeto de análise e deliberação no Comitê Político da AMB, que é formado por representantes de Fóruns e Movimentos estaduais da AMB e que tem a atribuição de dirigirir o movimento.
724 feministas de 24 estados estiveram participando ativamente dos debates e da organização do Encontro. O ENAMB foi realizado a partir do esforço dos Fóruns Estaduais, movimentos e entidades que formam a AMB. Elas realizaram atividades de coleta de recursos, venda de camisetas, bazares e brechós. Com esses recursos conseguiram alugar ônibus e contrar alojamentos. Foi um encontro auto-financiado.
As milhares de feministas que ficaram nos estados e não puderam participar diretamente do ENAMB, receberão os informes e documentos. Poderão assistir os vídeos, ver as fotos e observar que suas propostas e sugestões foram apresentadas e estarão fazendo parte dos debates que continuam em todo o país e no Comitê Político da AMB.

Com informações da AMB
FONTE: Vermelho
ENAMB 2011 - encerramento from Universidade Livre Feminista on Vimeo.

Presidenta discreta: Com poucos seguranças e sem o carro oficial Dilma vai a teatro em Brasília


Presidenta vai ao Centro Cultura Banco do Brasil sem carro oficial e vê "A Lua Vem da Ásia", estrelada pelo ator Chico Diaz

De forma discreta, com poucos seguranças e sem o carro oficial da presidência, Dilma esteve no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) para assistir ao monólogo "A Lua Vem da Ásia", estrelado pelo ator Chico Diaz e baseado em um livro do escritor mineiro Walter Campos de Carvalho. "Vocês deveriam ver essa peça", recomendou Dilma a frequentadores do CCBB e à reportagem do Estado ao deixar o local.
Apesar de a segurança ter impedido que que as pessoas se aproximassem de Dilma na saída do espetáculo, a presidenta demonstrou descontração. Elogiada por um rapaz que disse que ela estava "linda", a presidente respondeu: "Achou?!" Quando a reportagem perguntou sobre as conclusões do relatório da Polícia Federal a respeito do esquema do mensalão, ela voltou a elogiar a peça de teatro. A notícia sobre o relatório da PF é a reportagem de capa da edição deste fim de semana da revista Época.
Dilma esteve no CCBB junto com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e a primeira dama do Estado, Fátima Mendonça, que é amiga do ator Chico Diaz. Após o espetáculo, Dilma foi ao camarim cumprimentar Diaz. Eles brindaram com champanhe. "Ela (Dilma) é fã do Campos de Carvalho", comentou o ator após a peça. "Só o fato dela vir aqui ao teatro é muito bacana", afirmou Diaz.

Pesquisa Ibope divulgada na semana passada mostrou que a popularidade de Dilma é maior do que a obtida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início do governo.



FONTE: Último Segundo

domingo, 3 de abril de 2011

Faltou alguém no velório do Zé



José Alencar Gomes da Silva

José Ribamar Bessa Freire



Os dois morreram com a mesma idade: 79 anos. Os dois foram abatidos pela mesma doença maligna contra a qual lutaram bravamente por um longo período. José Alencar (1931-2011), vice-presidente do Brasil, câncer no intestino. François Mitterrand (1916-1996) presidente da França, câncer na próstata. Ambos tiveram funerais solenes com pompa de chefe de Estado. No velório do francês, porém, foi registrada uma presença, que esteve ausente no enterro do brasileiro.



François Mitterrand


Quase 15 mil pessoas desfilaram diante do corpo de Alencar, velado no Palácio do Planalto, em Brasília e, no dia seguinte, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, com direito a desfile em cortejo fúnebre, limusine preta, celebração presidida pelo núncio apostólico, honras militares, 21 tiros de canhão, bandeira a meio mastro, luto oficial. Alguém, no entanto, sentiu a perda, mas não foi aos dois palácios. Quem?
Estavam lá a presidente Dilma Rousseff, quatro ex-presidentes, entre os quais Lula, ministros, senadores, deputados, juízes, governadores, autoridades civis, militares e eclesiásticas, políticos de todos os partidos, gente do povo. Enfim, todos os poderes constituídos. O comandante do Exército, general Enzo Peri, lembrou que o morto, quando jovem, havia feito ‘tiro de guerra’: “Nós sentimos profundamente. Era um grande patriota, amigo das Forças Armadas”.
O médico do ex-vice-presidente, Raul Cutait, declarou que Alencar era “um exemplo de paciente”. Ele teve “um papel quase que didático em relação ao câncer”, confirmou Josias de Souza, colunista da Folha de SP. Efetivamente, o Brasil inteiro acompanhou, solidário, a luta daquele mineiro de Muriaé, corajoso, esbanjando a disposição de um touro, sempre com um sorriso descontraído depois de cada uma das inúmeras cirurgias a que foi submetido. Era duro de queda, o Zé. Dava a impressão de ser imortal.
“Ele levou esperança a milhares de pacientes, abriu discussão sobre os avanços no combate ao câncer, ensinou ao Brasil a fé, a coragem no enfrentamento à doença e a importância fundamental da família e dos amigos para o sucesso do tratamento” - disse Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia. Na sua fala, nada foi dito sobre uma pessoa, ali ausente, que não havia recebido essa injeção de esperança.

Ritual do Poder
De qualquer forma, quem teve alguém próximo com câncer – e quase todo mundo teve alguém próximo com câncer – se sentiu unido a José Alencar. O Globo registrou muitas mensagens de mulheres e homens comuns como Sidney Tito – “Adeus Zé, Deus te receberá com honras destinadas aos humildes, aos bons e aos justos” – ou Fátima Cremona – “O Brasil perde um grande guerreiro”.
Até mesmo adversários não hesitaram em entrar na fila de cumprimentos no velório, entre eles o ex-presidente Itamar Franco, classificado como “péssimo caráter” por Alencar em depoimento a Eliane Cantanhêde, autora de “José Alencar, Amor à Vida”. Itamar não chegou a chorar, como Lula, mas provou que mineiro é solidário no câncer, como queria Otto Lara. Outro ex-presidente, José Sarney (vixe, vixe!), com ar compungido, moveu o bigode de ratazana e se pronunciou:
- “No meu tempo, não vi um político ser objeto de opinião tão unânime e receber uma solidariedade tão sem contrastes de todos os segmentos da sociedade quanto José Alencar”.
Será? O senador Aécio Neves concordou e, crente que o purgatório de Alencar foi aqui na terra, despachou-o direto pro céu: “O Criador deve ter dito: uai Zé, achei que você não vinha nunca”.Ninguém questionaria o sotaque mineiro de Deus se não houvesse um lugar vazio no velório. Mas havia, embora despercebido por pessoas tão familiares como o ex-ministro José Dirceu e a presidente Dilma.
Dilma contou que Alencar a “adotou” quando ela chegou a Brasília, em 2003: “Foi meu segundo pai”. Na mesma linha, Dirceu afirmou, ao sair do velório: “Lula disse que perdeu um irmão. Eu perdi quase um pai”.
Com tal paternidade declarada, não precisa de um estudo profundo sobre estrutura de parentesco para ver que a cerimônia do adeus ao patriarca reuniu toda a quase-família: a esposa dona Mariza, os três filhos Josué, Graça e Patrícia. Além do quase-filho Dirceu, lado a lado de sua quase-irmã Dilma e do seu tio Lula. Só faltou mesmo alguém que esteve nos funerais de Mitterand.
Quando o presidente da França morreu no cargo, foram se despedir dele, na Catedral de Notre Dame, em Paris, cerca de 1.500 personalidades: reis, rainhas, príncipes, presidentes e chefes de governo de quase todos os países do mundo. Mas não foi nenhum deles que fez falta no enterro de Alencar. Quem fez falta foi alguém ainda mais importante, que concentrou todo o foco da imprensa mundial: Mazarine.



Mazarine e seu pai François Mitterrand


Mazarine
Mazarine foi registrada com esse nome em homenagem à biblioteca mais antiga da França. É que seus pais adoravam livros. Sua mãe Anne Pingeot era bibliotecária do Museu d´Orsay. Seu pai François Mitterand discutia com intimidade, entre outras, as obras de escritores latino-americanos como Júlio Cortázar e Garcia Marquez, que foram convidados para sua posse.
Acontece que Mazarine Marie, nascida em 1974, era filha de uma relação adúltera. Foi discretamente reconhecida, em cartório, pelo pai, que conseguiu manter o segredo durante anos, até 1994, quando foi revelado publicamente pela revista Paris-Match. Hoje, ela é Mazarine Marie Pingeot-Miterrand, escritora, autora de um romance – Cemitério de bonecas – em que uma mulher mata seu bebê e o coloca num congelador.
Mazarine e sua mãe não foram mortas nem ficaram no congelador. As duas foram convidadas para os funerais pela própria Danielle Miterrand, esposa do presidente, que bateu de frente com o poder e subverteu as normas do cerimonial. Uma foto estampada na primeira página dos jornais do mundo todo mostra Danielle ladeada por seus dois filhos Jean-Christophe e Gilbert, tendo Mazarine e Anne à sua esquerda.
No velório de Alencar, quem ficou de fora foi a Mazarine brasileira, conhecida em Caratinga (MG) como Alencarzinha, uma quase-irmã do Dirceu e da Dilma. Trata-se de uma professora aposentada de 55 anos, que em 2001 entrou com uma ação de reconhecimento de paternidade, reivindicando ser filha de um romance entre José Alencar e a enfermeira Francisca Nicolina de Morais.
Com a mesma teimosia com que lutou contra o câncer, seu quase pai, Zé Alencar, se recusou a fazer exames de DNA e morreu sem reconhecer aquela que diz ser sua filha. Diante da recusa, o juiz da comarca de Caratinga (MG), José Antônio de Oliveira Cordeiro, fez o que manda a lei. Declarou oficialmente José Alencar Gomes da Silva como o pai da professora, que recentemente passou a assinar, legalmente, Rosemary de Morais Gomes da Silva.
Entrevistado no programa de Jô Soares, em 2010, diante das câmeras e dos microfones, José Alencar não negou que havia tido uma relação com Nicolina, mas disparou um tiro de guerra. Revelou que “como todo jovem na época” era freqüentador das zonas de meretrício das cidades onde morou, insinuando que a mãe de sua eventual filha era uma prostituta e que qualquer um podia ser o pai.



Rosemary de Moraes





Rosemary de Moraes


Alencarzinha
Confesso que nutria enorme admiração pela luta de Alencar contra o câncer, mas ela se esfumou quando ouvi sua declaração, digna de um Bolsonaro, ultrajante e ofensiva a todas as mulheres brasileiras, virtuosas ou pecadoras, que não mereciam um comportamento público tão machista, mesquinho e vulgar. Fiquei envergonhado, afinal ele me representava. Não era um quase-pai, mas era um quase-presidente. Nem o insensato coração de André Lázaro Ramos foi capaz de discurso tão abominável e covarde, indigno de um homem tão bom, que pelo seu cargo deveria ter um comportamento mais republicano. O pior é que, pelo lugar de onde fala, ele tem um “papel didático” também nessas questões de gênero.
Alencarzinha assistiu pela televisão à cobertura do velório de um homem poderoso, rico, com grandes qualidades, mas asquerosamente machista. “Não fui a Belo Horizonte porque não ia ser bem aceita lá”, ela disse. Judicialmente, podia ter tentado impedir a cremação para realizar o exame de DNA, pelo qual tanto lutou. Mas não o fez. “Queria ter conversado com ele em vida, para mostrar quem eu sou, a filha que ele tem, todo pai gosta de conhecer a pessoa que ele colocou no mundo. Agora, não adianta mais”.


 Danielle Mitterrand recebeu criticas impiedosas pela presença de Mazarine e Anne Pingeot nos funerais do presidente francês. Num belo texto que tornou público, ela condenou a hipocrisia e o conformismo, dizendo que um homem ou uma mulher sensível podia se enamorar e se encantar com outras pessoas: “É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente”. Ela fez um apelo:
- “Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem: - 'Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderei ir ao enterro porque a mulher dele não aceita (...). Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.
Foi essa generosidade que faltou no enterro de Alencar.


Mazarine, filha de Mitterrand junto a sua mãe Anne Pingeot , no enterro de François Mitterrand. Embaixo Danielle Mitterrand, esposa do presidente defunto junto com seu filho, Mazarine e Anne.
Íntegra do texto de Danielle Mitterrand, esposa do ex-presidente François Miterrand, ao povo francês,

Antes de mais nada devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros. Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos.
Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens.
Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam embora componham o cenário da situação presumível de uma vida de altos e baixos.
Na época da Resistência nunca sabíamos onde iríamos passar a noite - se na cama, na prisão, nos bosques ou estendidos por toda a eternidade. Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra. Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com as variações de sua pessoa e não de seu caráter...
Quem entende ou, pelo menos, luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais os conhecemos, o eu também, não é um engano. Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador tudo antes do tempo em forma de tranqüilidade. Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não enfastiada.
Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da política. Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar.
Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente.
Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago.
Simone de Beauvoir dizia bem, que temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida.
Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem: - 'Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderei ir ao enterro porque a mulher dele não aceita.
É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões.
Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.
'Deus não prometeu Dias sem Dor; Risos sem Sofrimentos; Sol sem Chuva. Ele prometeu Força para o Dia; Conforto para as Lágrimas e Luz para o Caminho...



Danielle Mitterrand


 
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Diário do Amazonas (03.04.2011)
FONTE: www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=910
Extraído do Site Lima Coelho
www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=5045