Visualizações de página do mês passado

domingo, 20 de março de 2011

Declaração da presidenta Dilma Rousseff na recepção a Barack Obama

Dilma recebeu o presidente dos EUA por volta de 10h30 deste sábado
Dilma recebeu o presidente dos EUA por volta de 10h30 deste sábado

A presidenta Dilma Rousseff e o presidente dos EUA, Barack Obama, fizeram neste sábado a primeira declaração oficial após o encontro entre os dois chefes de governo, em Brasília. Veja abaixo a íntegra do depoimento da presidenta brasileira.


Excelentíssimo senhor Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América,
Senhoras e senhores integrantes das delegações dos Estados Unidos da América e do Brasil,
Senhoras e senhores jornalistas,
Senhoras e senhores,
Senhor presidente Obama,


A sua visita ao meu país me enche de alegria, desperta os melhores sentimentos de nosso povo e honra a histórica relação entre o Brasil e os Estados Unidos. Carrega também um forte valor simbólico.
Os povos de nossos países ergueram as duas maiores democracias das Américas. Ousaram também levar aos seus mais altos postos um afrodescendente e uma mulher, demonstrando que o alicerce da democracia permite o rompimento das maiores barreiras para a construção de sociedades mais generosas e harmônicas.
Aqui, senhor presidente Obama, sucedo a um homem do povo, meu querido companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tive a honra de trabalhar. Seu legado mais nobre, Presidente, foi trazer à cena política e social milhões de homens e mulheres que viviam à margem dos mais elementares direitos de cidadania.
Dos nove chefes de Estado norte-americanos que visitaram oficialmente o Brasil, o senhor é aquele que encontra o nosso país em um momento mais vibrante.
A combinação de uma política econômica séria com fundamentos sólidos e uma estratégia consistente de inclusão fez do nosso país um dos mais dinâmicos mercados do mundo. Fortalecemos o conteúdo renovável da nossa matriz energética e avançamos em políticas ambientais protetoras de nossas importantes reservas florestais e de nossa rica biodiversidade.
Todo esse esforço, presidente Obama, criou milhões de empregos e dinamizou regiões inteiras antes marginalizadas do processo econômico. Permitiu ao Brasil superar, com êxito, a mais profunda crise econômica da história recente, mantendo, até os dias atuais, níveis recordes de geração de postos de trabalho.
Mas são ainda enormes os nossos desafios. Meu governo, neste momento, se concentra nas tarefas necessárias para aperfeiçoar nosso processo de crescimento e garantir um longo período de prosperidade para o nosso povo.
Meu compromisso essencial é com a construção de uma sociedade de renda média, assegurando oportunidades educacionais e profissionais para os trabalhadores e para a nossa imensa juventude, garantindo também um ambiente institucional que impulsione o empreendedorismo e favoreça o investimento produtivo.
O meu governo trabalhará com dedicação para superar as deficiências de infraestrutura, e não pouparemos esforços para consolidar nossa energia limpa, ativo fundamental do Brasil.
Enfim, daremos os passos necessários para alcançar nosso lugar entre as nações com desenvolvimento pleno, forte democracia e ampla justiça social.
É aqui, senhor presidente Obama, que enxergo as melhores oportunidades para o avanço das relações entre nossos países. Acompanho com atenção e a melhor expectativa seus enormes esforços para recuperar a vitalidade da economia americana.
Temos assim, como o mundo todo, uma única certeza: a de que o povo americano, sob a sua liderança, saberá encontrar os melhores caminhos para o futuro dessa grande nação.
A gentileza da sua visita, logo no início do meu governo, e o longo histórico de amizade entre nossos povos me permitem avançar sobre dois temas que considero centrais nas futuras parcerias que fizermos: a educação e a inovação.
Aproximar e avançar em nossas experiências educacionais, ampliando nosso intercâmbio e construindo progresso em todas as áreas do conhecimento é uma questão chave para o futuro dos nossos países.
Na pesquisa e inovação, os Estados Unidos alcançaram as mais extraordinárias conquistas nas últimas décadas, favorecendo a produtividade em diferentes setores econômicos. O Brasil, senhor presidente Obama, está na fronteira tecnológica em algumas importantes áreas, como a genética, a biotecnologia, as fontes renováveis de energia e a exploração do petróleo em águas profundas.
Combinar as nossas mais avançadas capacidades no campo da pesquisa e da inovação certamente trará os melhores frutos para as nossas sociedades. Tomo como exemplo o pré-sal, a mais recente fronteira alcançada pela tecnologia brasileira. Acreditamos que os enormes desafios de cada etapa da exploração dessas riquezas poderão reunir uma inédita conjunção do conhecimento acumulado pelos nossos melhores centros de pesquisa.
Mas, senhor Presidente, se queremos construir uma relação de maior profundidade é preciso também, com a mesma franqueza, tratar de nossas contradições.
Preocupam-me em especial os efeitos agudos decorrentes dos desequilíbrios econômicos gerados pela crise recente. Compreendemos o contexto do esforço empreendido por seu governo para a retomada da economia americana, algo tão importante para o mundo. Porém, todos sabem que medidas de grande vulto provocam mudanças importantes nas relações entre as moedas de todo o mundo. Este processo desgasta as boas práticas econômicas e empurra países para ações protecionistas e defensivas de toda natureza.
Somos um país que se esforça por sair de anos de baixo desenvolvimento, por isso buscamos relações comerciais mais justas e equilibradas. Para nós é fundamental que sejam rompidas as barreiras que se erguem contra nossos produtos – etanol, carne bovina, algodão, suco de laranja, aço, por exemplo. Para nós é fundamental que se alarguem as parcerias tecnológicas e educacionais, portadoras de futuro.
Preocupa-me igualmente a lentidão das reformas nas instituições multilaterais que ainda refletem um mundo antigo. Trabalhamos incansavelmente pela reforma na governança do Banco Mundial e do FMI. Isso foi feito pelos Estados Unidos e pelo Brasil, em conjunto com outros países. E saudamos o início das mudanças empreendidas nestas instituições, embora ainda que limitadas e tardias, quando olhada a crise econômica. Temos propugnado por uma reforma fundamental no desenho da governança global: a ampliação do Conselho de Segurança da ONU.
Aqui, senhor Presidente, não nos move o interesse menor da ocupação burocrática de espaços de representação. O que nos mobiliza é a certeza que um mundo mais multilateral produzirá benefícios para a paz e a harmonia entre os povos.
Mais ainda, senhor Presidente, nos interessa aprender com os nossos próprios erros. Foi preciso uma gravíssima crise econômica para mover o conservadorismo que bloqueava a reforma das instituições financeiras. No caso da reforma da ONU, temos a oportunidade de nos antecipar.
Este país, o Brasil, tem compromisso com a paz, com a democracia, com o consenso. Esse compromisso não é algo conjuntural, mas é integrante dos nossos valores: tolerância, diálogo, flexibilidade. É princípio inscrito na nossa Constituição, na nossa história, na própria natureza do povo brasileiro. Temos orgulho de viver em paz com os nossos dez vizinhos há mais de um século, agora.
Há uma semana, senhor Presidente, entrou em vigor o Tratado Constitutivo da Unasul, que deverá reforçar ainda mais a unidade no nosso continente. O Brasil está empenhado na consolidação de um entorno de paz, segurança, democracia, cooperação e crescimento com justiça social. Neste ambiente é que deve frutificar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos.
Senhor Presidente, quero dizer-lhe que vejo com muito otimismo nosso futuro comum.
No passado, esse relacionamento esteve muitas vezes encoberto por uma retórica vazia, que eludia o que estava verdadeiramente em jogo entre nós, entre Estados Unidos e Brasil.
Uma aliança entre os nossos dois países – sobretudo se ela se pretende estratégica – é uma construção. Uma construção comum, aliás, como o senhor mesmo disse no seu pronunciamento sobre o Estado da Nação.
Mas ela tem de ser uma construção entre iguais, por mais distintos que sejam esses países em território, população, capacidade produtiva ou poderio militar.
Somos países de dimensões continentais, que trilham o caminho da democracia. Somos multiétnicos e em nossos territórios convivem distintas e ricas culturas.
Cada um, a sua maneira, temos o que um poeta brasileiro chamou de “sentimento do mundo”.
Sua presença no Brasil, senhor Presidente, será de enorme valia nessa construção que queremos juntos realizar.
Uma vez mais, presidente Obama, bem-vindo ao Brasil."



Obama, Dilma e Michelle Obama visitam a exposição Mulheres Artistas e Brasileiras, no Palácio do Planalto, e posam ao lado do quadro Abapuru, de Tarsila do Amaral
Obama, Dilma e Michelle Obama visitam a exposição Mulheres Artistas e Brasileiras, no Palácio do Planalto, e posam ao lado do quadro Abapuru, de Tarsila do Amaral

Presidente do EUA desembarca ao lado da mulher, Michelle, e das filhas Malia e Sasha
Presidente do EUA desembarca ao lado da mulher, Michelle, e das filhas Malia e Sasha
Dilma Rousseff e Barack Obama cumprimentam crianças que se emocionaram na cerimônia oficial


Dilma Rousseff e Barack Obama discursaram novamente antes do almoço e finalizaram com um brinde




sábado, 19 de março de 2011

Dilma garante guerra à inflação (entrevista)



Claudia Safatle, do VALOR (17.03.2011)
"Temos que apostar que o pré-sal é um passaporte para o futuro. Não vamos explorar para usar, mas para exportar. Queremos nossa matriz energética limpa e queremos, também, ter ganhos na cadeia industrial do petróleo", disse a presidente Dilma Rousseff ao Valor, na primeira entrevista exclusiva concedida a um jornal brasileiro.

A presidente Dilma Rousseff anunciou que vai abrir os aeroportos do país ao regime de concessões para exploração do setor privado. Disse, também, que é preciso acabar com o incentivo fiscal dado por vários Estados que reduziram para apenas 3% a alíquota do ICMS para bens importados que chegam ao país por seus portos. "Estão entrando no Brasil produtos importados com o ICMS lá embaixo. É uma guerra fiscal que detona toda a cadeia produtiva daquele setor", comentou a presidente, citando proposta de projeto de lei que já se encontra no Senado para acabar com essa distorção.
Dilma já definiu as propostas que enviará ao Congresso ainda neste semestre: a criação do Programa Nacional de Ensino Técnico (Pronatec) e do Programa de Erradicação da Pobreza, além de medidas específicas que alteram alguns tributos (e não uma proposta de reforma tributária). Ela admitiu, também, concluir a regulamentação da reforma da previdência do servidor público, com a aprovação da proposta que institui os fundos de pensão complementar. "Mas não vamos tirar direitos do trabalhador, não", assegurou.
Em entrevista ao Valor, a primeira concedida a um jornal brasileiro, a presidente adiantou: "Agora nós estamos nos preparando para fazer uma forte intervenção nos aeroportos. Vamos fazer concessões, aceitar investimentos da iniciativa privada que sejam adequados aos planos de expansão necessários. Não temos preconceito contra nenhuma forma de expansão do investimento nessa área, como não tivemos nas rodovias." Até o fim do mês ela deve enviar ao Congresso a medida provisória que cria a Secretaria de Aviação Civil com status de ministério, que agregará a Anac, a Infraero e toda a estrutura para fazer a política de aviação.
Diante da falta de mão de obra tecnicamente qualificada para atender à demanda de uma economia que cresce, o governo está concluindo o desenho do Pronatec, programa de pretende garantir que o ensino médio tenha um componente complementar profissionalizante. Promessa de campanha, o projeto de erradicação da pobreza terá como meta retirar o máximo possível dos 19 milhões de brasileiros da situação de miséria que ainda se encontram.
Desta vez, porém, o programa virá acompanhado de portas de saída, disse. A erradicação da pobreza usará o instrumental reformulado do Bolsa Família e terá tanto no Pronatec, quanto nos mecanismos do microcrédito e de novos incentivo à agricultura familiar, as portas de saída da mera assistência social. "Estamos passando as tropas em revista e mudando muita coisa", comentou a presidente. Nada disso, porém, prescinde do crescimento da economia. A seguir, a entrevista:



Valor: Qual o impacto do desastre no Japão sobre a economia mundial e sobre o Brasil?
Dilma Rousseff: Primeiro, acho que ficamos todos muito impactados. A comunicação global em tempo real cria em nós uma sensação como se o terremoto seguido do tsunami estivessem na porta de nossas casas. Nunca vi ondas daquele tamanho, aquele barco girando no redemoinho, a quantidade de carros que pareciam de brinquedo! Inexoravelmente, a comunicação faz com que você se coloque no lugar das pessoas! Essa é a primeira reação humana. Acredito, numa reflexão mais fria depois do evento, se é que podemos chamar alguma coisa de fria no Japão, acho que um dos efeitos será sobre o petróleo.


"Não há inconsistência em cortar R$ 50 bilhões do Orçamento e repassar R$ 55 bilhões para o BNDES investir"


Valor: Aumento de preço?
Dilma: Vai ampliar muito a demanda de petróleo ou de gás para substituir a energia nuclear. Pelo que li, 40% da energia de base do Japão é nuclear. Os substitutos mais rápidos e efetivos são o gás natural ou petróleo. Acredito que esse será um impacto imediato. Nós sempre esquecemos da diferença substantiva entre nós e os outros países.


Valor: Qual?
Dilma: Água. Nesse aspecto somos um país abençoado. Não tenho ideia de qual vai ser a política de substituição de energia. Não sei como a Alemanha, por exemplo, vai fazer. Os Estados Unidos já declararam que não vão interromper o programa nuclear. Nós não temos a mesma dependência. Temos um elenco de alternativas que os outros países não têm. A Europa já usou todo o seu potencial hídrico. Energia é algo que define o ritmo de crescimento dos países e o Brasil tem na energia uma diferença estratégica e competitiva.


Valor: E tem o pré-sal. O governo poderia acelerar o programa de exploração?
Dilma: Não. Vamos seguir num ritmo que não transforma o petróleo em uma maldição. Queremos ter uma indústria de petróleo, desenvolver pesquisas, produzir bens e serviços e exportar para o mundo. Não podemos apostar em ganhos fáceis. Temos que apostar que o pré-sal é um passaporte para o futuro. Não vamos explorar para usar, mas para exportar. Queremos nossa matriz energética limpa e queremos, também, ter ganhos na cadeia industrial do petróleo. Esse é um país continental com uma indústria sofisticada e uma das maiores democracias do mundo. Não somos um paisinho.


Valor: A sra. acha que a tragédia no Japão vai atrasar a recuperação da economia mundial?
Dilma: Acredito que atrasa um pouco, mas também tem um efeito recuperador, de reconstrução. O Japão vai ter que ser reconstruído. É impressionante o que é natureza. Nem nos piores pesadelos conseguimos saber o que é uma onda de dez metros.


Valor: O esforço de reconstrução de uma parte do Japão deve demandar grandes somas de recursos. Isso pode reduzir o fluxo de capitais para o Brasil?
Dilma: Pode ter um efeito desses. Acho que vai haver um maior fluxo de dinheiro para lá e isso não é maléfico. Tem dinheiro sobrando para tudo no mundo. Para a reconstrução do Japão, para investir aqui e para especular.


Valor: O governo, preocupado com a taxa de câmbio, tem mencionado a necessidade de novas medidas. Uma delas seria encarecer os empréstimos externos para frear o processo de endividamento de bancos e empresas? A sra. já aprovou essas medidas?
Dilma: Primeiro, é preciso distinguir o que é dívida para investimentos do que é dívida de curto prazo. Imagino que quem está se endividando esteja fazendo "hedge". Todo mundo aí é adulto.


Valor: Mas o governo prepara um pacote de medidas cambiais?
Dilma: Tem uma coisa que acho fantástica. Às vezes abro o jornal e leio que a presidenta disse isso, pensa aquilo, e eu nunca abri minha santa boca para dizer nada daquilo. Tem avaliações de que um ministro subiu, outro desceu, que são absurdas. Absurdas! Falam que tais ministros estão desvalorizadíssimos na bolsa de apostas. Acho que o governo não pode se pautar por esse tipo de avaliação. Nenhum presidente avalia seus ministros dessa forma. E nenhum presidente pode fazer pacotes de acordo com o flutuar das coisas. Toma-se medidas que tem a ver com o que se está fazendo. Mas posso lhe adiantar algumas coisas.


Valor: Quais?
Dilma: Eu não vou permitir que a inflação volte no Brasil. Não permitirei que a inflação, sob qualquer circunstância, volte. Também não acredito nas regras que falam, em março, que o Brasil não crescerá este ano. Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano. Não tem nenhuma inconsistência em cortar R$ 50 bilhões no Orçamento e repassar R$ 55 bilhões para o BNDES garantir os financiamentos do programa de sustentação do investimento. Não tem nenhuma inconsistência com o fato de que o país pode aumentar a sua oferta de bens e serviços aumentando seus investimentos. E ao fazê-lo vai contribuir para diminuir qualquer pressão de demanda. Hoje, eu acho que aquela velha discussão sobre qual é o potencial de crescimento do país tem que ser revista.


Valor: Revista como?
Dilma: Você se lembra que diziam que o PIB potencial era de 3,5%? Depois aumentou, e baixou novamente durante a crise global, pela queda dos investimentos, não? E aumentou em 2010, com crescimento de 7,5% puxado pelo aumento de bens de capital. Então, isso não é consistente.


Valor: A sra. comunga ou não da ideia de que é possível ter um pouquinho mais de inflação para obter um pouco mais de crescimento?
Dilma: Isso não funciona. É aquela velha imagem da pequena gravidez. Não tem uma pequena gravidez. Ou tem gravidez ou não tem. Agora, não farei qualquer negociação com a taxa de inflação. Não farei. E não acho que a inflação no Brasil seja de demanda.


Valor: Não?
Dilma: Pode ser que essa seja a divergência que nós temos com alguns segmentos. Nós não achamos que ela é de demanda. Achamos que há alguns desequilíbrios em alguns setores, mas é inequívoco que houve nos últimos tempos um crescimento dos preços dos alimentos, que já reduziu. Teve aumento do preço do material escolar, dos transportes urbanos, que são sazonais.


Valor: E a inflação de serviços que já passa de 8%?
Dilma: Há crescimento da inflação de serviços e isso temos que acompanhar. Mas o que não é possível é falar que o Brasil está crescendo além da sua capacidade e que, portanto, tem um crescimento pressionando a inflação. O mundo inteiro, na área dos emergentes, está passando por isso. Houve um processo de pressão inflacionária que tem componente ligado às commodities e, no Brasil, tem o fator inercial. Mas é compatível segurar a inflação e ter uma taxa de crescimento sustentável para o país. Caso contrário, é aquela velha tese: tem que derrubar a economia brasileira.


Valor: Derrubar o crescimento?
Dilma: Nós não vamos fazer isso. Não vamos e não estamos fazendo. Estamos tomando as medidas sérias e sóbrias. Estamos contendo os gastos públicos. Tanto estamos que os resultados do superávit primário de janeiro e fevereiro vão fechar de forma significativa para o que queremos. Vamos conter o custeio do governo. Estamos esfriando ao máximo a expansão do custeio. Agora, não precisamos expandir o investimento para além do maior investimento que tivemos, que foi o do ano passado. Vamos mantê-lo alto. Olhe quanto investimos em janeiro: R$ 2,5 bilhões pagos. O pessoal fala dos restos a pagar. Ninguém faz plano de investimento de longo prazo no Brasil sem fazer restos a pagar.


Valor: São mais de R$ 120 bilhões. Não está muito alto?
Dilma: Por quê? Ou nosso investimento é baixo ou é alto. Eu levei dois anos - 2007 e 2008 - brigando para fazer a BR-163, entre o Paraná e o Mato Grosso. É todo o escoamento da nossa produção e agora ela decolou. Está em regime de cruzeiro. Estamos nos preparando para ter uma forte intervenção nos aeroportos.


Valor: Intervenção como?
Dilma: Vamos fazer concessões, aceitar investimentos da iniciativa privada que sejam adequados aos planos de expansão necessários. Vamos articular a expansão de aeroportos com recursos públicos e fazer concessões ao setor privado. Não temos preconceito contra nenhuma forma de expansão do investimento nessa área, como não tivemos nas rodovias. Porque não fizemos a BR-163 quando eu era chefe da Casa Civil?


Valor: Por quê?
Dilma: Quando cheguei na Casa Civil havia um projeto para privatizá-la completamente. Esse projeto virou projeto de concessão e eu o recebi assim. Fomos olhá-lo e sabe quanto era o cálculo da tarifa média? R$ 900. Isso mostra que essa rodovia não era compatível com concessão. Talvez no futuro, quando tivesse que duplicar, fosse por concessão porque ela já teria se desenvolvido e criado fontes geradoras para si mesma. A Regis Bittencourt dá para fazer concessão, pois ela se mantém. O que não é possível é usar o mesmo remédio para todos os problemas.


Valor: E como será para os aeroportos?
Dilma: Vamos fazer concessão do que existe - fazer um novo terminal, por exemplo. Posso fazer concessão administrativa com cláusula de expansão. Posso fazer concessão onde nada existe, como a construção de um aeroporto da mesma forma que se faz numa hidrelétrica. É possível que haja necessidade de investimentos públicos em alguns aeroportos. O Brasil terá que ter aeroportos regionais. Nós vamos criar a Secretaria de Aviação Civil com status de ministério, porque queremos uma verdadeira transformação nessa área. Para ela irá a Anac, a Infraero e toda a estrutura para fazer a política.


"Nós não achamos que ela [a inflação] é de demanda. Achamos que há alguns desequilíbrios em alguns setores."


Valor: Quando a sra. vai mandar para o Congresso a medida provisória que cria a secretaria?
Dilma: Estou pensando em mandar até o fim deste mês.


Valor: Quem vai ocupar a pasta da Aviação?
Dilma: Ainda estamos discutindo em várias esferas um nome para a aviação civil.


Valor: O nome do Rossano Maranhão não está confirmado?
Dilma: Nós sempre pensamos no Rossano para várias coisas. Não só eu. O presidente Lula também. Nós o consideramos um excepcional executivo.


Valor: Eu gostaria de voltar à questão da inflação. A sra. disse que não vai derrubar a economia e vai derrubar a inflação. É isso?
Dilma: Não é só isso. Eu não negocio com inflação.


Valor: Há quem argumente, na ponta do lápis, que não é possível reduzir a inflação de 6% para 4,5% e crescer 4,5% a 5% ao ano.
Dilma: Você pode fazer várias contas. É só fazer um modelo matemático. Agora, se ela é real...


Valor: Mesmo com o corte de R$ 50 bilhões nos gastos públicos, a política fiscal do governo não é contracionista de demanda. Ela é menos expansionista do que foi no ano passado.
Dilma: Ela é uma política de consolidação fiscal.


Valor: O que significa isso?
Dilma: É porque achamos que o que estamos fazendo não é... É como cortar as unhas. Vamos ter que fazer sempre a consolidação fiscal. Na verdade, temos que fazer isso todos os anos, pois se você não olhar alguns gastos, eles explodem. Se libera os gastos de custeio, um dia você acorda e ele está imenso. Então, você tem que cortar as unhas, sempre. Nós estamos cortando as unhas do custeio, vamos cortar mais e vamos fazer uma política de gerenciar esse governo. Estamos passando em revista tudo o que pode ser cortado e isso tem que ser feito todos os anos.


Valor: O que significa não negociar com a inflação do ponto de vista de cumprimento da meta?
Dilma: Significa que a meta é de 4,5% e nós vamos perseguir 4,5%. Tem banda para cima, banda para baixo (margem de tolerância de 2 pontos percentuais), mas nós sempre tentamos, apesar da banda, forçar a inflação para a meta até tê-la no centro.


Valor: Os mercados não estão acreditando nisso. Acham que o Banco Central foi frouxo no aumento dos juros, até porque o Palácio do Planalto teria autorizado um aumento de 0,75 ponto percentual e o presidente do BC (Alexandre Tombini) não usou essa autorização...
Dilma: Eu não vejo o Tombini há um mês, não vejo e não falo. Aproximadamente... eu lembro uma vez que ele viajou e a última vez que falei com ele foi antes dessa viagem.


Valor: O Tombini é "dovish" [neologismo inglês derivado de 'dove', pombo, que indica um defensor de juros mais baixas e com postura mais tolerante com a inflação]?
Dilma: E eu sou arara (risos).


Valor: Preocupa a descrença dos mercados na política antiinflacionária?
Dilma: O mercado todo apostou que esse país ia para o beleléu em 2009. E no fim de 2009 a economia já tinha começado a se recuperar. O mercado apostou numa taxa de juro elevadíssima quando o mundo já estava em recessão. Então eu acho que o mercado acerta, erra, acerta, erra, acerta. Não acho que temos que desconsiderar o mercado, não. A gente tem que sempre estar atento à opinião dele, que integra um dos elementos importantes da realidade. Um dos principais, mas não o único. Eu vou considerar essa história de "dovish" e "hawkish" (pombo ou falcão) uma brincadeira, um anglicismo.



"Eu acredito num Banco Central extremamente profissional e autônomo. E esse Banco Central será profissional e autônomo."


Valor: Mas o BC, no seu governo, tem autonomia?
Dilma: O Banco Central tem autonomia para fazer a política dele e está fazendo. Tenho tranquilidade de dizer que em nenhum momento eu tergiverso com inflação. E não acredito que o Banco Central o faça. Eu acredito num Banco Central extremamente profissional e autônomo. E esse Banco Central será profissional e autônomo. Não sei se não estão tentando diminuir a importância desse BC.


Valor: Por quê?
Dilma: Porque não tem gente do mercado na sua diretoria.


Valor: Mas pode vir a ter?
Dilma: Pode ter, sim. Falar que tem que ser assim ou assado é um besteirol. Desde que seja um nome bom, ele pode vir de onde vier.


Valor: A opção por fazer uma política monetária diferente, mesclada de juros e medidas prudenciais, pode estar criando um mal-estar?
Dilma: O mercado tem os seus instrumentos tradicionais, mas tem também os incorporados recentemente, no pós-crise. Você tem que fazer essa combinação. Não pode ser fundamentalista, não é bom. Conte com os dois que o efeito ocorre.


Valor: A sra. reiterou a meta de inflação de 4,5%, mas não mais para este ano, não é?
Dilma: Sobre isso, tem um artigo interessante escrito pelo Delfim (na edição de terça-feira do Valor), a respeito de que não existe uma lei divina que diz que a taxa de crescimento será de 3% e que a inflação será de 6%. Eu acho que isso é adivinhação.


Valor: As condições para o ano de 2011 não estão dadas?
Dilma: Não, depende da gente. Nós mostramos que não estava dado na hora da crise e vamos mostrar que não está dado também na hora da inflação e do crescimento sustentado da economia brasileira. Quando eu digo que tenho firme convicção de que não se negocia com a inflação, é para você saber que nós passamos todo o tempo olhando isso. Por isso eu acredito no que faz o Banco Central, no que faz o Ministério da Fazenda.


Valor: Tem um elemento já dado para 2012 que preocupa os analistas: a superindexação do salário mínimo no momento em que o país estará em plena luta antiinflacionária. Não seria hora, depois de 17 anos de plano de estabilização, de se desindexar tudo?
Dilma: No futuro nós vamos ter uma menor preocupação com a valorização do salário mínimo. Quando? Quando houver um crescimento sustentado nesse país.


Valor: Isso não dificulta o combate à inflação?
Dilma: O que aconteceu com o salário mínimo ao longo do tempo? Uma baita desvalorização. Seja porque ele não ganhava sequer a correção inflacionária, seja porque vinha de patamares muito baixos. Acho que o processo de valorização do salário mínimo ainda não se esgotou. Foi isso que nós sinalizamos aquele dia na Câmara (na votação da proposta de correção pela inflação e pelo PIB até 2015). Nós não fazemos qualquer negócio. Quando a economia vai mal, nós não vamos dar reajuste, ele será zero. Vamos dar a inflação. Quando a economia vai bem, com um atraso de um ano, nós damos o que a economia ganhou ali, porque acreditamos que houve um ganho global de produtividade e de crescimento sistêmico. O prazo de um ano (o reajuste é dado pelo PIB de dois anos anteriores) amortece, mas transfere ao trabalhador um ganho que é dele, é da economia como um todo.


Valor: Esse é um assunto resolvido até 2015, portanto?
Dilma: Dar ao trabalhador o direito de receber o ganho decorrente do crescimento do país, com o cuidado de não ser automático para você poder ter acomodação necessária, é fundamental. Acho que o acordo feito entre as centrais e o governo do presidente Lula dá conta dessa época que estamos vivendo, em que estamos valorizando o salário mínimo.


Valor: E depois, negocia-se outra regra?
Dilma: É, porque esta não vai dar conta de uma época futura neste país, onde teremos mantido uma taxa de crescimento sistemática, durante um período mais longo, mais de cinco anos, por exemplo. Aí, sim, você terá tido um nível de recuperação da renda que justifica você ter outra meta. Agora, o que nós fizemos e explicamos para as centrais foi manter o acordo que tinha uma sustentação política, uma sustentação de visão econômica da questão do salário mínimo.


Valor: O reajuste de 13,9% de 2012 corrigirá também as aposentadorias?
Dilma: Esse aumento vai para 70% dos aposentados que ganham salário mínimo. Quem ganha mais do que um mínimo não tem indexação. Em 2014 nós teremos que apresentar uma política para os anos seguintes.


Valor: Nessa ocasião ele poderá ser atrelado à produtividade?
Dilma: Não sei. Não acho que isso (a regra atual) seja uma indexação e quem está falando que é uma indexação tem imensa má vontade com o trabalhador brasileiro. Temos que fazer com que algumas regiões do país e alguns setores da sociedade cresçam a uma taxa maior do que a média para reduzir as desigualdades. Isso vale para o Nordeste, para o Norte, para a metade sul do Rio Grande do Sul, para o Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais e o Vale do Ribeira, em São Paulo. O mesmo se aplica a alguns setores da sociedade. Há, aí, uma estratégia que olha para o Brasil. O país não pode ser tão desigual. Isso não é bom politicamente, socialmente, e não é bom para a economia. O que nos aproxima da Índia, da Rússia e da China, os Bric, não é tanto o fato de sermos emergentes.


Valor: O que é?
Dilma: É o fato de que países que têm a oportunidade histórica de dar um salto para a frente, países continentais com toda a sorte de riquezas, quando sua população desperta e passa a incorporar o mercado, isso acelera o crescimento. É o que explica que o nosso crescimento pode ser maior do que o crescimento dos países desenvolvidos. Outro fator é se conseguirmos criar massivamente um processo de educação em todos os níveis para a população, e formação de pessoas ligadas à ciência e tecnologia que permita que o país comece a gerar inovação. Essas três coisas explicam muito os Estados Unidos e é nelas que temos que apostar para o Brasil dar um salto. Nós temos hoje uma janela de oportunidade única. Além disso temos petróleo, biocombustível, hidrelétrica, minério e somos uma potência alimentar. Não queremos ser só "commoditizados". Queremos agregar valor. Por isso insistimos em parcerias estratégicas com outros países. Agora mesmo vamos propor uma para os Estados Unidos.


"Vamos mandar medidas tributárias e não uma reforma. Vamos mandar várias para ter pelo menos uma parte aprovada."


Valor: Na visita do presidente Obama? Qual?
Dilma: Na área de satélites, especialmente para avaliação do clima, e parcerias em algumas outras áreas. Vou lhe dar um exemplo: acho fundamental o Brasil apostar na formação no exterior. Todos os países que deram um salto apostaram na formação de profissionais fora. Queremos isso nas ciências exatas - matemática, química, física, biologia e engenharia. Queremos parceria do governo americano em garantia de vagas nas melhores escolas. Nós damos bolsa. Vamos buscar fazer isso não só nos Estados Unidos, e de forma sistemática.


Valor: O que a sra. espera de fato dessa visita?
Dilma: Acho que tanto para nós quanto para os Estados Unidos o grande sumo disso tudo, o que fica, é a progressiva consciência de que o Brasil é um país que assumiu seu papel internacional e que pode, pelos seus vínculos históricos com os Estados Unidos e por estarmos na mesma região, ser um parceiro importantíssimo. Isso a gente constrói. Agora, essa consciência é importante. Nós não somos mais um país da época da "Aliança para o Progresso", um país que precisa desse tipo de ajuda. Não que a aliança para o progresso não tenha tido seus méritos, agora não é isso mais que o Brasil é. O Brasil é um país que os EUA tem que olhar de forma muito circunstanciada.


Valor: Como assim?
Dilma: Que outro país no mundo tem a reserva de petróleo que temos, que não tem guerra, não tem conflito étnico, respeita contratos, tem princípios democráticos extremamente claros e uma forma de visão do mundo tão generosa e pró-paz? Uma questão é fundamental: um país democrático ocidental como nós tem que ser um país que tenha perfeita consciência da questão dos direitos humanos. E isso vale para todos.


Valor: Para o Irã e para os EUA?
Dilma: Se não concordo com o apedrejamento de mulheres, eu também não posso concordar com gente presa a vida inteira sem julgamento (na base de Guantânamo). Isso vale para o Irã, vale para os Estados Unidos e vale para o Brasil. Também não posso dar uma de bacana e achar que o Brasil pode ficar dando cartas e não olhar para suas próprias mazelas, para o seu sistema carcerário, por exemplo, sua política com relação aos presos. E isso chega ao direito de uma criança comer, das pessoas estudarem. Isso é direito humano. Mas é também, no sentido amplo da palavra, o respeito à liberdade, a capacidade de conviver com as diferenças, a tolerância. Um país com as raízes culturais que nós temos, que tem uma cultura tão múltipla, e que tem esse gosto pelo consenso, pela conversa, tudo isso caracteriza uma contribuição que o Brasil pode dar para a construção da paz no mundo. Acho que o mundo nos vê como um país amigável.


Valor: A sra. disse recentemente que não fará reforma da previdência social. Mas a regulamentação da reforma da previdência do setor público que está parada no Congresso, será feita?
Dilma: Isso é outra coisa. Já está no Congresso e vamos tentar ver se ele vota. Mas não vamos tirar direitos do trabalhador, não. Nem vem que não tem!.


Valor: A regulamentação da previdência pública, com a criação dos fundos de previdência complementar, não seria apenas para os novos funcionários?
Dilma: É. Mas aí temos que ver como será feito. Não estamos ainda discutindo isso.


Valor: E a reforma tributária? Há informações que a sra. enviará quatro projetos distintos, mudando determinados tributos. É isso mesmo?
Dilma: Estão entrando no Brasil produtos importados com o ICMS lá embaixo. É uma guerra fiscal que detona toda a cadeia produtiva daquele setor. Mas não vou adiantar o que vamos enviar ao Congresso porque não está maduro ainda. Vamos mandar medidas tributárias e não uma reforma. Vamos mandar várias para ter pelo menos uma parte aprovada. Mandaremos também o Programa Nacional de Ensino Técnico (Pronatec) e o programa de Erradicação da Pobreza.


Valor: Como serão esses dois?
Dilma: Não posso lhe adiantar porque também não estão fechados. O Pronatec vai garantir que o ensino médio tenha um componente complementar profissional, de um lado, e, de outro lado, garantir que tenha uma formação para os trabalhadores brasileiros de forma que não sobre trabalhador numa área e falte em uma outra. Isso é um pouco mais complicado e não posso dar todas as medidas por que elas interferem em outros setores. Já a questão do ICMS é uma regulamentação que já está no Senado.


Valor: E a desoneração de folha salarial sai?
Dilma: Não posso lhe falar sobre as medidas tributárias.


Valor: São para este ano?
Dilma: Na nossa agenda é para este semestre.


Valor: Qual a proposta para a erradicação da pobreza?
Dilma: É chegar ao fim de quatro anos mais próximo de retirar da pobreza os 19 milhões de brasileiros que ainda faltam.


Valor: O instrumental é o Bolsa Família?
Dilma: Nos já começamos a mexer no Bolsa Família, aumentando a parte de crianças. É com isso, com uma parte do Pronatec, que vai ajudar, é com microcrédito, incentivo à agricultura familiar de uma outra forma. Estamos passando as tropas em revista e mudando muita coisa. E tem que ter sintonia fina. Há profissionais dedicados ao estudo da pobreza que diz que se você não focar, olhando a cara dela, você não consegue tirar as pessoas. E nós queremos, desta vez, estruturar portas de saída.


Valor: Para todos e não só para os 19 milhões a que a sra se referiu?
Dilma: Para todo mundo.


Valor: Uma porta de saída será o Pronatec?
Dilma: Também. As saídas estão aí e estão em manter a economia crescendo.


Valor: A reunião anual da Assembleia de Acionistas da Vale será dia 19 de abril. Nessa reunião deve se decidir sobre a permanência ou não do presidente Roger Agnelli, cujo contrato de trabalho termina dia 30 de abril. Ele será substituído ou pode ser reconduzido?
Dilma: Não sei.


Valor: A sra. não sabe?
Dilma: Você vai ficar estarrecida, mas não sei.
 
FONTE: www.valoronline.com.br/impresso/primeira-pagina/3021/398421/dilma-garante-guerra-a-inflacao

terça-feira, 8 de março de 2011

Mensagem da presidenta Dilma Rousseff por ocasião do Dia Internacional da Mulher

Presidenta Dilma Rousseff participa da soltura de cem tartaruguinhas no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (PRN). Foto: Marcelo Garrido/Agência Força Aérea
Meu objetivo fundamental, como Presidenta da República, é a erradicação da pobreza extrema. No Brasil, a pobreza tem cara: ela é muito feminina, está ligada às mulheres. Quanto mais pobre a família, maior a chance de que ela seja chefiada por uma mulher. Estou convencida de que uma política bem-sucedida de eliminação da miséria deve ser focada na mulher e na criança. Programas como o Minha Casa Minha Vida, o PRONAF Mulher ou o Bolsa Família – que acaba de ser reajustado em até 45,5% e que terá impacto proporcional à quantidade de filhos da família beneficiada – são eficientes porque privilegiam as mulheres.
No Dia Internacional da Mulher, quero ressaltar que a eliminação da discriminação de gênero e a valorização das mulheres e das meninas são estratégias indispensáveis para alcançarmos êxito em nossa luta contra a pobreza. Com base em iniciativas como a Lei Maria da Penha, temos alcançado progresso no combate à violência contra as mulheres, mas ainda há muito por fazer. Temos o compromisso sagrado de enfrentar essa questão, intensificando e ampliando as medidas adotadas no governo passado. O Brasil que queremos, e que vamos ter, é um país sem violência. É um país com água, com luz, com saneamento, com educação de qualidade e emprego digno para todos. É um país rico, em que as mulheres e os homens têm as mesmas oportunidades e privilégios, contribuindo juntos para o desenvolvimento e o criando seus filhos com dignidade e com orgulho.


Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil





Não compete só ao governo dar as condições de mudança, a sociedade precisa participar
No mês do Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã (8/3), o Blog do Planalto traz uma série especial dedicada às brasileiras que ajudam a construir um país melhor. Para falar sobre as ações que o governo da presidenta Dilma Rousseff tem empenhado em prol da equidade de gêneros e da promoção dos direitos e proteção às mulheres, conversamos com a ministra-chefe da Secretaria de Política para as Mulheres, Iriny Lopes, que, em entrevista exclusiva, afirmou que não compete só ao governo dar as condições de mudança para a promoção dos direitos das mulheres; a luta deve ser contínua e com participação de toda a sociedade.
“A sociedade como um todo precisa participar disso. Os nossos companheiros, os homens de uma forma geral, as mulheres de uma forma geral, as famílias também deem condição de ascensão, deem apoio, sem medo, decidida e decisivamente às mulheres que querem participar da vida política”, frisou.

Selo da série especial Dia internacional da Mulher
Para ver os outros posts da série clique no selinho acima.


Iriny Lopes afirmou que a presidenta Dilma irá conduzir um governo “que está imbuído de atuar conjuntamente na intersetorialidade das políticas e dos programas para aprofundar os projetos que farão a igualdade das mulheres no mundo do trabalho, no mundo da educação, saúde e infraestrutura”.
“É uma oportunidade não só para as mulheres, é uma oportunidade para o conjunto da sociedade, para fazer uma sociedade diferente, igual, mais feliz, com mais possibilidades e oportunidades para todos e todas.”

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Equidade de gênero
Ela [a presidenta Dilma Rousseff, enquanto ministra de Minas e Energia] constituiu o programa de equidade de gênero junto a empresas como a Eletronorte, Petrobras, entre outras, buscando fazer com que a participação das mulheres fosse equânime. Não só o acesso, mas também a igualdade de salário e a chegada aos postos de chefia e decisão das empresas. Hoje nós queremos ampliar para o mundo privado (…). Vamos conversar com as grandes federações, vamos envolver o empresariado brasileiro, buscando apoio e ampliação do projeto de equidade de gênero.

Infraestrutura de apoio à mulher
A presidenta Dilma cumprirá integralmente o seu compromisso de campanha com a construção das 6 mil creches. Já no mês de março inicia-se a criação de algumas creches.
São muitas as ações do governo federal, sob o comando da nossa presidenta. A construção de restaurantes populares, onde as famílias podem se alimentar, principalmente as famílias com a capacidade financeira menor, elas podem se alimentar com dignidade (…); os investimentos nas lavanderias comunitárias (…); a constituição de mais delegacias, para que as mulheres vítimas de violência possam apresentar as suas queixas, os núcleos de atendimento às mulheres, as casas abrigo (…); as praças do PAC, que irão contemplar a questão do gênero (…); investimentos na qualificação profissional das mulheres para que elas possam disputar o mercado de trabalho(…); e o governo ampliar os investimentos na área dos equipamentos sociais.

Educação
Na educação, nós pretendemos ampliar o número de professores na área de gênero e diversidade para que na escola a gente esteja formando uma nova geração, uma nova concepção de igualdade, de respeito, começando na escola um tratamento igual entre meninos e meninas, para que as novas gerações não reproduzam uma cultura atrasada de desigualdade.

Erradicação da extrema pobreza
A mulher terá muito destaque [no programa de erradicação da extrema pobreza] porque a população mais empobrecida do nosso país majoritariamente é de mulheres; entre as mulheres majoritariamente é de negras e acompanhando as mulheres pobres – negras ou brancas – estão os seus filhos, adolescentes e crianças. Combater miséria é fazer um conjunto de políticas articuladas que deem oportunidade a todos e todas, mas com o destaque da questão feminina.

Enfrentamento à violência
Nós estaremos trabalhando dentro PPA e do Orçamento para ampliar os recursos para instalação das nossas delegacias, dos nossos núcleos de atendimento a mulheres, das nossas casas abrigo, e isso, obviamente, em convênio com os governos dos estados e prefeituras. Assim como atuando mais politicamente junto às instâncias do Judiciário (…). Nós não podemos ter mais casos em que as mulheres denunciam, abrem o processo e elas morrem no meio assassinadas pelos seus agressores, que dividem com ela os seus lares.

Primeira presidenta mulher
É a primeira oportunidade que nós mulheres brasileiras temos de ter uma presidenta, e isso faz uma diferença e vai aprofundar o legado positivo que o presidente Lula nos deixou. Então a presidenta Dilma vai conduzir um governo que está imbuído de atuar conjuntamente na intersetorialidade das políticas e dos programas para que a gente possa aprofundar os projetos que farão a igualdade das mulheres no mundo do trabalho, no mundo da educação, saúde e infraestrutura.
Nós temos que ver como um momento de oportunidades a eleição da presidenta Dilma, para que as políticas para as mulheres sejam aprofundadas, para que homens e mulheres enxerguem que as mulheres – e se convençam definitivamente – que as mulheres podem sim, têm competência sim, têm capacidade sim (…). É uma oportunidade não só para as mulheres, é uma oportunidade para o conjunto da sociedade, para fazer uma sociedade diferente, igual, mais feliz, com mais possibilidades e oportunidades para todos e todas.

Reforma política
A reforma política que está em curso no Legislativo brasileiro, no nosso Congresso Nacional, deve contemplar mecanismos que garantam uma condição de igualdade entre homens e mulheres na disputa de espaços de poder. E que essa reforma política venha no sentido de fortalecer a presença das mulheres, porque a democracia brasileira não estará completa enquanto as mulheres estiverem sub-representadas tanto no Executivo quanto no Legislativo.
FONTE: http://blog.planalto.gov.br/
Ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Política para as Mulheres. Foto: Elza Fiúza/ABr-Arquivo

terça-feira, 1 de março de 2011

O primeiro Dia Internacional da Mulher do governo Dilma


Edição 620

[18114_des_imagem_dilma-sorrindo[4].jpg]


“Eu nunca imaginei ser presidente da República, sempre fui uma servidora pública” - Dilma Roussef (PT).

 

Não se concebe mais uma conferência atrás de outra

Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br

Será inesquecível?
Depende. Pense na manchete: "Dilma anunciará prioridade máxima para as mulheres", no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O que é prioridade máxima para as mulheres no governo da primeira presidenta do Brasil? A opressão de gênero está encerrada num nó górdio. Para desatá-lo (ou cortá-lo?), urge que o governo saiba que necessidades imediatas e estratégicas de gênero são demandas igualmente importantes. Como na música dos Titãs: "A gente não quer só comida/ A gente quer comida/ Diversão e arte". Falo impropérios?
As "necessidades imediatas de gênero" - dizem respeito às condições materiais de existência (moradia, saneamento, transporte, equipamentos sociais etc) e acesso aos direitos legais; e "necessidades estratégicas de gênero" - são os aportes indispensáveis às perspectivas de equidade entre os gêneros. Inquieta-me pensar que o governo Dilma decida atuar apenas no viés economicista das necessidades imediatas de gênero, insuficiente para superar as muitas nuances da cidadania de segunda categoria das mulheres.
Exemplo paradigmático é a violência contra as mulheres. Pesquisa nacional (Fundação Perseu Abramo e Sesc), divulgada em 21.2.2011, estima que, a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil - evidência de que o tema se enquadra nas necessidades imediatas de gênero, exigindo equipamentos públicos de apoio à mulher em situação de violência, como delegacias de mulheres e casas abrigo, e aplicação de leis - tudo agindo sobre fatos consumados.
A prevenção da violência de gênero exige estratégias de mudanças dos padrões culturais patriarcais, machistas e racistas, que consideram a mulher propriedade privada do homem, incluindo a versão reeditada por vertentes religiosas contemporâneas, apoiada por parlamentares conservadores que, não tendo mais em quem mandar, aspiram a legislar sobre os corpos femininos.
Do dito até agora sobre a "prioridade máxima para as mulheres" não aponta para investimentos na mudança de padrões culturais patriarcais, a não ser que esteja embutido nos eixos da 3ª Conferência de Políticas para as Mulheres (12 a 15.12.2011): "Autonomia das mulheres e combate à pobreza", que, usando de honestidade intelectual, é aquém do necessário sem o direito ao aborto.
Uma coisa é o que o governo acha que deve fazer e se dispõe a fazer. Outra bem diferente é pautá-lo para avançar na trilha de mais cidadania feminina. É a hora e a vez de indagarmos sobre o papel de uma conferência nacional de políticas para as mulheres hoje. É o instrumento privilegiado da luta feminista para a interlocução com o governo? Por que ainda não foi feita uma avaliação do impacto das conferências e dos planos delas decorrentes na vida das mulheres?
É da alçada do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, já que referendou o formato de conferência nacional, inovar quanto às preparatórias municipais e estaduais, pois o modelito delas de há muito está esgotado: reedição do Muro de Lamentações (ai, que fadiga!). Não se concebe mais, pela solene inutilidade delas, uma conferência atrás da outra sem avaliar o que resultou do definido nas anteriores nos âmbitos municipais, estaduais e federal. Conferência para cumprir cronograma governamental de concertação social e, não, de diálogo em pé de igualdade, e fazer proselitismo político é fora de propósito e um modo de dizer, acriticamente, amém ao governo.
É preciso honrar o centenário Dia Internacional da Mulher!


Publicado no Jornal OTEMPO em 01/03/2011
www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdColunaEdicao=14430







Uma campanha para comemorar o “Dia Internacional da Mulher”

Para comemorar o “Dia Internacional da Mulher”, o governo federal começou a divulgar desde ontem campanha publicitária. As peças de comunicação, que incluem TV, rádio, internet, revistas e cartazes, foram criadas para elevar o sentimento de autoestima da mulher, destacando suas conquistas, seu potencial, sua capacidade e sua força transformadora. A campanha fica no ar até o fim de março.
“Quando as mulheres transformam a sua história, o Brasil inteiro se transforma com elas,” diz.
A campanha deste ano se reveste com um enfoque bem especial, já que é o primeiro ano da presidenta Dilma Rousseff no mais alto cargo do país. Tomando este e tantos outros exemplos espalhados Brasil afora, a mulher é posicionada como protagonista de suas conquistas e do exercício dos seus direitos.
“Ela ainda não sabe, mas o que realmente importa é que no Brasil de hoje ela tem a oportunidade de ser o que quiser”, destaca.
As peças de comunicação também reforçam o papel da mulher como agente transformador no processo de desenvolvimento econômico e social do país, já que representa a maior parte da população, 41% da força de trabalho, e chefia cerca de 35% das famílias.


28 de fevereiro de 2011 às 11:37
FONTE: Blog do Planalto
http://blog.planalto.gov.br/

PARABÉNS A DILMA ROUSSEFF, PRIMEIRA MULHER ELEITA PRESIDENTE DO ...

Dilma Rousseff grava com Ana Maria Braga

Presidenta toma café da manhã com a apresentadora na casa do “Mais Você”
Ana Maria Braga recebe Dilma Rousseff no estúdio da Globo

Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo

Nesta terça-feira (01), o programa “Mais Você” terá uma entrevista especial com Dilma Rousseff. A Presidenta esteve na manhã desta segunda-feira (28) no estúdio da atração, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde foi recebida por Ana Maria Braga.

Dilma chegou de helicóptero e visitou as instalações da emissora ao lado da apresentadora. Durante a entrevista, a dupla conversou sobre a política no Brasil e a aceitação dos brasileiros pela nova representante do país, embora muitos a vejam como uma pessoa dura. “É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural. As pessoas vão se acostumar com cada vez mais mulheres conquistando espaço”, afirmou Dilma.

Dilma Rousseff e Ana Maria Braga
Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo


O câncer, doença vencida pelas duas, também foi assunto no bate-papo. O fim da entrevista aconteceu na cozinha, onde a convidada mostrou seus dotes culinários e preparou uma omelete de queijo.

Presidente Dilma Rousseff grava Mais Você e prepara omelete com Ana Maria Braga

Renato Rocha Miranda / TV Globo 

Em homenagem ao mês das mulher, Ana Maria Braga recebe a presidente Dilma Rousseff no estúdio do Mais Você nesta terça-feira. Dilma chegou de helicóptero à Central Globo de Produção, pela manhã, e foi direto para a casa do Mais Você. Durante o trajeto, Ana Maria acompanhou os passos da presidente.

Dilma falou sobre o trabalho nos primeiros meses de seu governo, a relação com a família, o convívio com o ex-presidente Lula e a paixão por obras de arte. E agradeceu a solidariedade de Ana Maria quando recebeu o diagnóstico de câncer, doença que a apresentadora também teve - e vencida pelas duas. Ana comentou o fato de verem a presidente como uma pessoa dura. “É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural. As pessoas vão se acostumar com cada vez mais mulheres conquistando espaço”, disse a presidente.
Dilma Rousseff também conversou com a ex-candidata à presidência Marina Silva, por vídeo, e ambas falaram sobre políticas de inclusãopara mulheres. A propósito, Dilma esclareceu que prefere ser chamada de "presidenta", para ressaltar o fato de pela primeira vez uma mulher ocupar a presidência do Brasil. “É para enfatizar que a agora existe uma mulher no mais alto cargo do país, que nós podemos sim chegar longe”, explicou Dilma.
Ana Maria aproveitou o papo para convidá-la a mostrar os segredos de seu omelete favorito, na cozinha do programa. As duas garantiram que fica uma delícia. “E não engorda”, disse Dilma, que contou ter emagrecido 6 Kg desde que assumiu.


Dilma toma café da manhã com Ana e justifica fama de durona
Renato Rocha Miranda

Nesta terça, 1º de março, Ana Maria Braga recebeu a ilustre presença de Dilma Rousseff no Mais Você. Em homenagem ao mês da mulher, a presidenta falou sobre sua rotina de trabalho nos primeiros meses de seu governo, a relação com a família, o convívio com o ex-presidente Lula e a paixão por obras de arte. “Sempre gostei de MPB, cinema, de sentar num barzinho e conversar com as pessoas”, contou a mineira que está quebrando um paradigma social para as mulheres. “Quando a mulher assume alguma posição de autoridade, ela é vista como estando um pouco fora de seu papel. Mas isso era até agora. Daqui pra frente as meninas podem querer ser presidentas e vai ser visto como uma coisa normal. Quando você quebra um paradigma a primeira reação é de estranheza, depois as pessoas acostumam”, disse.

Ana Maria vê Dilma como uma pessoa amiga, longe da fama de durona que ela conquistou na carreira política.“A Dilma é agradável, sorridente, conhecendo mais de perto você percebe a pessoa humana que é e como é”, disse Ana sobre a presidenta, como a mineira prefere nomear o seu posto de maior autoridade política do país. Ela atribui a fama de durona ao fato de ser uma mulher em uma posição de autoridade. “Você já viu algum homem que chega à direção do país chegar lá e ser chamado de duro? É porque são homens. A mulher pode ser frágil fisicamente, mas não necessariamente é menos forte do que o homem por dentro”, disse.
Força ela já mostrou que tem de sobra. Há dois anos, venceu um câncer e seguiu firme na vida política. Na época, a presidenta recebeu o apoio de Ana Maria, que também superou a doença. Dilma agradeceu a solidariedade e disse que aprendeu muito com a apresentadora. “No fim, o que importa é lutar pela vida. Ao lutar pela vida você a valoriza. A solidariedade é um gesto fundamental”, disse. “E o cabelo ficou lindo agora”, brincou Ana. “Eu disse que ele ia crescer, não disse?”, respondeu a presidenta, que tem sido tratada de igual pra igual pelos brasileiros.
“O Brasil é um país especial. No Brasil não tem uma relação de submissão, de se achar menos que as pessoas. Sinto uma relação de igualdade. Me tratam intimamente, conversam como antes e falam com sinceridade, sem querer agradar, fazem sugestões, reclamam, elogiam, contam histórias pessoas... É um país republicano. A relação de igualdade está sempre presente. Não é uma relação de desigualdade”, contou.

VIDA NORMAL FORA DA POLÍTICA
Dilma garante que fora da política, leva uma vida normal. A mineira é apaixonada pela família e tem orgulho da filha, que tem a personalidade forte da mãe. “Ela é zelosa com o que conquistou. É procuradora do Ministério Público do Trabalho, tem os valores dela e preza muito esses valores. Ela prefere se manter mais discreta e mais afastada”, disse. “Tenho sorte porque ela já está na fase de independência. Quando ela era pequena, ligavam pra mim quando eu estava trabalhando. Ela tinha asma e eu tinha que cuidar dela. Hoje tem a família dela. Quando nasce o primeiro filho, a gente fica mais mulher, mais gente”.
Com a agenda lotada, a presidenta mal tem visto o neto Gabriel. “Tenho o visto sistematicamente. É uma relação em que você não tem responsabilidade, mas tem um carinho, um amor infinito”, contou a presidente que no carnaval vai matar a saudade do netinho. “Como eu disse, sou normal. Tenho vontade enorme de ver o meu neto. Não entendia quando as pessoas diziam que tinham que ir pra ficar com o neto. Agora entendo perfeitamente, eu quero ficar com ele. E tudo pode! Se ele quiser que eu carregue, eu carrego. Se tiver que tirar da cama, eu tiro. Não tenho a menor responsabilidade de educar como tinha com minha filha. Uma avó normal...”, contou Dilma, que está sempre acompanhada da mãe. “Minha mãe foi muito solidária em todas as minhas dificuldades, inclusive quando eu fiquei na cadeia”, lembrou.

HERANÇA BÚLGARA E EXPERIÊNCIA MINEIRA
Foi do pai, búlgaro, Dilma herdou o interesse pela cultura e pelas causas sociais. “Meu pai veio para o Brasil porque a Bulgária teve um período de fascismo. Um pouco antes da 2ª Guerra Mundial ele foi pra Europa e depois para América Latina. Primeiro Argentina e depois Brasil. Minha grande influência veio via família da minha mãe, mineira, com experiência de Minas, do Brasil profundo. De falar uai, aquele jeito mineiro de ser”, contou. “Tenho relação afetiva com a Bulgária. Meu pai era bastante forte e achava que todos tinham que estudar.
Gostava de ler aqueles livros que as meninas liam, a Coleção das Moças. Meu pai fazia uma trocá-la pelo Dostoievsky”, lembrou a presidenta, que aos 14 anos ganhou do pai a coleção do Jorge Amado. “Ele foi muito importante na minha vida, valorizou uma coisa que todos os pais e mães devem valorizar nas crianças e jovens, o estudo. É uma forma de conhecer o mundo e ser uma pessoa melhor tanto pra você quanto pros outros”. Dilma contou que tem paixão por livros e adora cheirá-los. “Se quiser me dar imenso prazer, me deixa numa livraria. Faço outras compras como todas as mulheres, mas amo livros. Aquele cheiro da página nova, aquela imensa surpresa quando você lê um livro. É como conhecer o mundo, conhecer um lugar em que você nunca esteve”, contou com brilho nos olhos. A militância também foi herança do pai, que queria justiça no mundo. “Ele transferiu isso pra mim, os pobres são iguais a gente, tem que ter ética em relação às pessoas que mais precisam”.

ROTINA PRESIDENCIAL
Na segunda parte da entrevista, Dilma Rousseff falou sobre a rotina presidencial. Ela contou que nem sentiu os 60 dias de seu governo e que não trabalha menos de 12 horas por dia. “Passa rápido, parece que começou ontem. Tem momentos em que entro muito cedo e saio muito tarde. Geralmente trabalho de 9 às 21h. Mas já saí depois dessa hora. Já saí 1 da manhã. Chega uma hora no final que estou tão cansada que fico conversando pra descontrair antes de ir embora”, revelou a presidenta, que emagreceu 6 kg desde que assumiu a presidência.
Sobre o dia da posse, ela lembra da sensação que teve quando Lula passou a faixa para seus ombros. “Foi um momento muito especial porque você tem sobre si todo o peso e a responsabilidade de dirigir o país debaixo daquela faixa levinha de seda. Pensei ‘agora é a minha vez’”, lembrou. Para ela, o momento também teve uma enorme carga afetiva. “Trabalhei com o presidente Lula depois de junho de 2005 todos os dias. Tarde da noite a gente trabalhava. Também estava comovida por ele ir embora, fiquei triste por ele sair. Então foi uma duplicidade”, revelou.
A presidenta definiu Lula como uma pessoa competente na administração, mas também muito doce, suave, afetiva. “Ele cria isso, cria um envolvimento com as pessoas muito forte. Além disso, tem uma qualidade que é um enorme senso de humor. Isso tem um requisito, que é ser inteligente pra rir de si mesmo. Apesar de ser extremamente exigente, também é muito afetivo. Fica muito fácil trabalhar com ele”.

PRESIDENTA COM A
Não poder mais andar na rua como antes é a parte ruim da presidência. “É muito bom andar na rua, ver as pessoas, compartilhar do mundo o que as pessoas desfrutam quando vão à rua. Isso não posso mais fazer”, lamentou. Para ela, ser presidente é sobretudo um grande desafio, que nunca acaba. “Você não resolve o problema um dia, você resolve todos. É como se todos os dias eu tivesse que escalar o Everest”, revelou. “Isso é bom porque esse é o desafio que pode transformar o Brasil, como tudo na vida tem dois aspectos”, analisou. Mas até a responsabilidade de escalar o Everest todos os dias é efêmera. “Por isso é bom a democracia, ninguém fica pra sempre no governo. De 4 em 4 anos renova. No máximo são 8 anos. Então presidente volta a ser uma pessoa normal, a viver como sempre viveu”, refletiu Dilma, que há muito tempo lida com grandes responsabilidades.
Presidenta é como ela prefere nomear o seu cargo de maior autoridade política do país. O motivo? Enfatizar o fato de ser a primeira mulher a ser presidente do Brasil. “Não estou cometendo nenhuma barbaridade querendo ser presidenta do ponto de visto gramatical”, brincou. “Quero enfatizar o a, o signo do feminino. E não é errado. Acho que a primeira mulher tem a obrigação de ser presidenta”, explicou. “Cheguei a presidenta porque uma porção de mulheres saíram de suas casas e foram estudar, trabalhar. Viraram enfermeiras, professoras, apresentadoras de televisão, engenheiras, médicas, vereadoras, empregadas domésticos. Começaram a construir o Brasil de forma anônima. Mas cada vez mais, passaram a construir o país de forma muito clara e explícita. Devo isso as mulheres brasileiras... de ser presidenta”, agradeceu.
FONTE: http://maisvoce.globo.com/MaisVoce/0,,MUL1650594-18173,00.html







De mulher para mulher: Hebe entrevista Dilma Rousseff

Presidenta recebe apresentadora da RedeTV! no Palácio da Alvorada, em Brasília

Hebe Camargo: “Hebe, na Rede TV!, toda terça-feira, às 22h, sempre no mesmo horário”

Dilma Rousseff não estará no jantar de gravação do primeiro programa de Hebe Camargo para a RedeTV!, mas uma entrevista com ela fará parte da estreia da atração, no dia 15 de março.

A apresentadora esteve no Palácio da Alvorada, em Brasília, e conversou durante 40 minutos com a Presidenta do Brasil. “Foi um papo leve com um clima descontraído. De mulher para mulher”, afirmou a assessoria do canal.
Durante a entrevista, Dilma falou sobre música, vaidade, dieta e contou para Hebe como é seu dia-a-dia.
Dilma Rousseff não estará no jantar de gravação do primeiro programa de Hebe Camargo para a RedeTV!, mas uma entrevista com ela fará parte da estreia da atração, no dia 15 de março.

A apresentadora esteve no Palácio da Alvorada, em Brasília, e conversou durante 40 minutos com a Presidenta do Brasil. “Foi um papo leve com um clima descontraído. De mulher para mulher”, afirmou a assessoria do canal.
Durante a entrevista, Dilma falou sobre música, vaidade, dieta e contou para Hebe como é seu dia-a-dia.