Não há o que pague o bem que me faz aquele fuzuê!
Fátima Oliveira
Médica – fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_
Sou fascinada por Carnaval e são João (leia-se quadrilha e bumba-meu-boi). E não sei dançar, para desgosto da vovó Maria, que dizia: "Moça que não dança não gozou a vida". Pode ser. Mas não aprendi, fora os treinos da valsa de formatura em medicina. Ah, sim, dancei, mas fiquei uma semana doente dos pés. O sapato era de "salto alto", o tal Luís XV! Tragédia total. Não sei andar de "salto alto"!
Até conhecer o Carnaval de Sabará eu nem tinha ideia do que era pular Carnaval na rua!
Havia apenas duas tradições carnavalescas, só para adultos: o "baile da sociedade", dos remediados do lugar, num salão qualquer, pois nem clube havia naquele cafundó; e o desfile, pelas principais ruas da cidade, das putas do cabaré do Derivaldo, vestidas a rigor: na seda! Saia curtinha pregueada, barriga de fora, sutiã de seda, cara com muito rouge e batom vermelhão cheguei. Um encanto brega! Desfilavam na tarde da terça-feira gorda. Sucesso total! Era comum, durante o dia, duplas de fofões fazendo graça pelas ruas. E mais nada!
E a criançada
fantasiada,
acompanhando os blocos, ao som das
marchinhas de bandinhas que
encantam serpentes...
Não há o que pague o bem que me faz aquele fuzuê!
Publicado no Jornal OTEMPO em 21.02.2012