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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Você é o que você come: a dieta pode afetar a mente humana

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   (DUKE)
Fátima Oliveira
Médica – fatima.oliveira1953@gmail.com @oliveirafatima_ 


“Você é o que come” é uma frase-mantra da nutrição que encerra verdades científicas e é instigante para quem entende a alimentação como uma questão cultural, incluindo tabus alimentares e interdições religiosas temporárias e perenes. Há comidas sagradas, profanas e de preceito!”
Se “você é o que você come”, como dizem nutricionistas e muitas pesquisas da área, a dieta pode afetar a mente humana também! Vide gerações perdidas de crianças, no mundo, pela desnutrição!


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Sabe-se que “uma dieta rica em azeite de oliva aumenta a quantidade disponível de serotonina”. “A maioria dos antidepressivos age para manter mais serotonina no cérebro”. Quando o nível de serotonina aumenta, a dopamina diminui, e vice-versa. Suplementos nutritivos podem ter efeito positivo nos níveis de dopamina do cérebro, melhorando o foco, resultando em melhora da concentração e do controle de impulso...
Pesquisas demonstraram: a depressão é ligada ao baixo consumo de peixe – rico em ômega 3, essencial para o bom funcionamento do cérebro; há evidências epidemiológicas de que esquizofrênicos apresentam baixos níveis de ácidos poli-insaturados, mas não sabemos ainda que mudanças na dieta seriam necessárias; alguns estudos sugerem que a doença de Alzheimer pode melhorar com grande consumo de legumes e verduras, que protegem contra enfermidades cerebrais; e sobre a Síndrome do Déficit de Atenção (SDA) há dados que mostram que crianças portadoras apresentam baixos níveis de ferro e de ácidos graxos.
Na Grã-Bretanha, a Sustain e a Fundação de Saúde Mental estudam os efeitos das mudanças na alimentação sobre o cérebro e o comportamento humano. Conforme o Relatório Sustain (“Mudança de Dieta, Mudança nas Mentes”, 2006): “A comida pode ter um efeito imediato e duradouro na saúde mental e no comportamento pela maneira como afeta a estrutura e a função do cérebro”.
Sabe-se que as gorduras saturadas, cujo consumo vem sendo ampliado pela ingestão de comida pronta congelada, deixam os processos cerebrais mais lentos. E Andrew McCulloch, diretor executivo da Fundação de Saúde Mental, informa que “as pessoas estão conscientes dos efeitos da dieta na nossa saúde, mas mal começaram a entender como o cérebro é influenciado pelos nutrientes (...); o tratamento de doenças mentais a partir de mudanças na alimentação está mostrando melhores resultados em alguns casos do que drogas ou terapia”.
Uma pesquisa realizada por cientistas espanhóis, das universidades de Las Palmas e Navarra, constatou que pessoas que seguem a dieta mediterrânea têm 30% menos chances de desenvolver depressão. Eles pesquisaram 10.094 adultos saudáveis durante quatro anos.


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A dieta mediterrânea consiste de alimentos tradicionalmente consumidos na região do mar Mediterrâneo: grãos integrais, hortaliças, oleaginosas, azeitonas, azeite de oliva extravirgem e menos carnes vermelhas e um consumo maior de peixe. É uma dieta rica em ácidos graxos monossaturados, como o azeite de oliva; consumo moderado de álcool e laticínios; e alto consumo de legumes, verduras, frutas, castanhas, cereais e peixe. Estudos informam que essa dieta “protege contra doenças cardíacas e o câncer e pode ajudar a prevenir a depressão”.
Sou de uma família que preserva a gastronomia religiosa, as ditas “comidas de preceito”, na Semana Santa, no São João e no Natal. Defendo a filosofia “slow food”. Comer bem é um direito humano fundamental, da qual decorre a ecogastronomia – “a responsabilidade de defender a herança culinária, as tradições culturais que tornam possível esse prazer”.


Resultado de imagem para http://www.slowfoodbrasil.com/slowfood/filosofia  PUBLICADO EM 03.01.17
FONTE: OTEMPO
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

No sertão sem Missa do Galo e sem ceia no Dia do Nascimento


1  (DUKE)
Fátima Oliveira
Médica – fatima.oliveira1953@gmail.com @oliveirafatima_ 


Na Palestina, onde nasci, hoje Graça Aranha (MA), não falávamos Dia de Natal, mas Dia do Nascimento. Após ler “Um Cântico de Natal” (1843), de Charles Dickens (1812-1870), vi que a data era a mesma. Ter lido um clássico natalino universal num lugar no meio do nada, onde quase ninguém sabia ler, há quase meio século, deixa-me emocionada.


 “Um Cântico de Natal” não é a rigor um livro infantil, mas é encantador. Charles Dickens conta que o avarento Ebenezer Scrooge detestava o Natal. Mudou de ideia depois das visitas do Espírito dos Natais Passados; do Espírito dos Natais Presentes; e do Espírito dos Natais Futuros.
Na Palestina do meu tempo de criança, nada de Missa do Galo (não havia padre!) e ceia de Natal. Nem presentes. No Ano-Novo havia o pagamento de alvíssaras: prenda que se dá a quem traz boas novas. O almoço do Dia do Nascimento na casa dos meus avós maternos era um banquete com leitoa e peru devidamente engordados em casa.


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Resultado de imagem para presépio    No sertão, “o centro da comemoração era o Menino Jesus, daí a imperiosa presença dos presépios e da ‘tiração de reis’ – apresentação de reisados, autos natalinos de uma beleza indescritível... Não havia a cultura de Papai Noel nem de presentes. Isso era lá no sertaozão bravo, porque na capital, São Luís do Maranhão, o Natal já era infestado de Papai Noel, ceia de Natal e que tais, embora até hoje os presépios sejam venerados” (“Os rituais gastronômicos do Natal celebram o Menino Jesus?”, O TEMPO, 22.12.2009).
Na adolescência, li sobre os mercados de Natal na Alemanha e fiquei fascinada. Quando morei em São Paulo, tive uma vizinha alemã cujo maior desejo era voltar à Alemanha para visitar os mercados de Natal, que ela descrevia como um mundo mágico, relembrando que, anualmente, sua família visitava três mercados, que em nada se pareciam com a comercialização do Natal a que assistimos hoje. No sul da Alemanha, recebem o nome de Mercado de Natal do Menino Jesus; no essencial, “nada mais é do que uma feira ao ar livre com comidas e bebidas típicas. Também tem artesanato, uma árvore de Natal bem grande e um presépio em tamanho real” (Maracy, do blog “Pequenos pelo Mundo”).
O Mercado de Natal é tradição cristã alemã que remonta à Idade Média. Em 2013, foram realizados 1.450 em toda a Alemanha, instalados pouco antes do Domingo do Advento e encerrados no dia 23 ou 24 de dezembro. O mercado de Frankfurt existe desde 1393; o Striezelmarkt, em Dresden, desde 1434; o de Nuremberg, o mais famoso, desde 1628. Há mercados de Natal de grande expressão em Copenhague, Dinamarca; Bolzano, Itália; Helsinque, Finlândia; Talin, Estónia; e Barcelona, Espanha.


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Mercado de Natal em Frankfurt (Mercado de Natal de Frankfurt)Mercado de Natal de Nurnberg (Mercado de Natal de Nuremberg)


Nos centros urbanos brasileiros há algo similar: bazar de Natal, sem a dimensão de feira/mercado de Natal, com produtos a preços baixos; e, em geral, são eventos cuja renda tem fins caritativos. “O bazar teve origem em tempos antigos, chegando a se tornar cenário de muitas histórias clássicas, como em ‘As Mil e Uma Noites’”.


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Quando li que um caminhão carregado de aço atingiu intencionalmente uma multidão no mercado de Natal em Berlim (19.12), no qual morreram 12 pessoas e 48 ficaram feridas, senti um misto de espanto e dor. E de imediato entendi que o que restava de espírito natalino seria enterrado com as vítimas. Dizem que o atentado não tem sentido religioso, porém a escolha da data e do evento dizem muito.
Cada atentado com a marca do terror é um escárnio à visão de paz, que não prescinde da compreensão de que a Terra e tudo que nela há nos foi dada para usufruto coletivo; logo, a paz não será alcançada num mundo de desigualdades sociais.



Resultado de imagem para Mercado de Natal em Berlim  (Mercado de Natal em Desdrem)
PUBLICADO EM 27.12.16
default  [Por volta das 20h (hora local) de 19/12 um caminhão avançou contra uma feira de Natal na praça Breitscheidplatz, no bairro de Charlottenburg, em Berlim]
Resultado de imagem para presépio rústico   FONTE: OTEMPO

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Aleppo é a expressão cruenta e sangrenta da brutalidade humana

w  (DUKE)
Fátima Oliveira
Médica – fatima.oliveira1953@gmail.com @oliveirafatima_ 


Para entender Aleppo e a guerra civil na Síria, que, segundo a ONU, ceifou a vida de mais de 400 mil pessoas e obrigou mais de 4,5 milhões a fugir, localizemos a “República Árabe da Síria, no Oriente Médio, no Sudoeste da Ásia, com fronteiras com o Líbano e o mar Mediterrâneo a oeste, a Jordânia no sul, Israel a sudoeste, Iraque no leste e Turquia ao norte. Em 2013, a Síria contava com 22,85 milhões de habitantes.


Resultado de imagem para damasco siria  “Damasco é a cidade mais importante e capital do país. Aleppo é a segunda mais significativa. Os sírios não cultivam a religião islâmica e o governo é laico. A maioria do povo é muçulmana, particularmente sunitas, embora não seja difícil encontrar grupos de cristãos ortodoxos” (Ana Lúcia Santana).
A Síria moderna remonta ao pós-Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Os conflitos territoriais, sempre bélicos, datam de séculos, embora a Síria seja um “país-chave do equilíbrio geopolítico do Oriente Médio”. “O Partido Baath comanda esse país desde 1963, cuja liderança é o presidente Bashar al-Assad, 51 anos, filho do antigo líder Hafez al-Assad (1930-2000), que ocupou o poder de 1970 até 2000, quando morreu” (Ana Lúcia Santana).



Resultado de imagem para damasco siria  (Presidente da Síria presidente Bashar al-Assad)


A guerra civil atual na Síria data de janeiro de 2011 e é parte da Primavera Árabe. Desde então, o povo tem sido massacrado impiedosamente. O que mais tocou muita gente, eu inclusive, foi o vídeo recente de um grupo de 47 crianças órfãs pedindo para sair da Síria. O governo diz que até o vídeo das crianças órfãs é obra mentirosa dos “terroristas”, como denomina a todos que se opõem a seu governo. Isto é, há duas versões para a guerra civil na Síria!


Vista aérea de Aleppo Aleppo já foi “a maior cidade da Síria, com 2,3 milhões de habitantes, e o centro financeiro e industrial do país”; é um campo de batalha entre forças do governo e quem luta para depor Assad. Os EUA são contra a permanência de Assad no poder, e a Rússia o apoia. Hoje, “70% da população não tem acesso à água potável, uma em cada três pessoas não consegue suprir as necessidades alimentares básicas, mais de 2 milhões de crianças não vão à escola, e um em cada cinco indivíduos vive na pobreza”. Pagam o maior tributo crianças, mulheres e idosos!


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Resultado de imagem para aleppo   Em todas as guerras, as pessoas mais vulneráveis do ponto de vista da sexualidade são as crianças e as mulheres. Não é à toa que, desde tempos imemoriais, o estupro é uma arma de guerra comum, tanto que devastou a vida de mulheres e famílias em conflitos recentes em Ruanda, Camboja, Libéria, Peru, Somália, Uganda, na ex-Iugoslávia e agora na Síria. Isto é, todas as mulheres, em regiões de guerra, são sobreviventes de violência sexual, de fato ou psicologicamente – um trauma de proporções incomensuráveis.


Resultado de imagem para ‘O Rapto das Sabinas’ (O Rapto das Sabinas, de  Jacques-Louis David)


Garcia, em “O Estupro como Arma de Guerra”, relembra que há a lenda (?) de que “a história de Roma, por exemplo, foi marcada pelo episódio denominado ‘O Rapto das Sabinas’, em que Rômulo, o então governante do Império, determinou o rapto de mulheres sabinas para servirem de esposas aos homens que chegavam para ocupar aquelas terras. Por óbvio, seguido ao rapto veio o estupro, como um instrumento viável e determinante de poder e do povoamento da região”.
Lina Shaikhouni, em “Aleppo antes da guerra: ‘A cidade mais bonita e elegante do mundo’” (BBC, 16.12.2016), evidencia a destruição brutal da cidade, que desde a semana passada é controlada pelo governo. Há frágeis acordos de cessar-fogo, e a Cruz Vermelha realiza o resgate, em ônibus e ambulâncias, previsto para durar dias.
Jamais conhecerei a Aleppo que a brutalidade humana destruiu...


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 PUBLICADO EM 20.12.1
6Resultado de imagem para aleppo  FONTE: OTEMPO