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terça-feira, 6 de março de 2012

Cuidando dos encantadores ‘peu-peus’ da Clarinha...


Revolucionei meu jardim com comedouros e casinhas
Fátima Oliveira Médica – fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_


Acordo com o canto de passarinhos e, após o almoço, é doce cochilar ao som de suas melodias. Ensinei ao neto Lucas e às netas Luana e Maria Clara o encantamento de passarinhos livres, leves e soltos em nosso jardim-quintal.

 Em "A Magia de ‘Passarinhar’ com Clarinha na Cidade Jardim", disse que sou passarinheira desde criança. O encanto com passarinhos é minha herança para a netaiada. Não vejo a hora de o Inácio, da minha filha Débora, estrear na vida para ensiná-lo a ouvir "peu-peus" ("piu-pius") e ter com ele o aconchego de registrar também que, "após o almoço, ouvimos uma sinfonia e Clarinha, que já apurou o ouvido, detecta imediatamente que é ‘passarim’... Pede silêncio: põe o dedinho na boca e murmura: ‘xiiiiiiiiii’... E dorme embalada pelo chilrear dos nossos passarinhos...".


[Pássaros e Flores (Hora do banho!)]
MARÇO 2011 319aMARÇO 2011 053a [Pássaros e Flores (No Chafariz)]

Atrair pássaros é uma
arte a aprender.
Podemos estabelecer convívio
com pássaros
até mesmo via
uma floreira na janela!
É um prazer manhoso.


(Casinha de passarinho da casa da escritora Maria Benedicta Lima Della Torre)
O DONO DA CASA(Blog da Lourdes Figueiredo) Após quase um mês passarinhando com Clarinha, em setembro passado, quando ela foi embora, decidi ser mais acolhedora com seus "passarins", como uma parte dela que ficou comigo. Revolucionei meu jardim-quintal com comedouros e casinhas-ninho - não há bebedouros nem banhadouros (ai, como é lindo um pássaro fazendo estripulias na água!) por causa da dengue. Apesar da recomendação de lavá-los com esponja ou bucha e trocar a água semanalmente, melhor não arriscar! Estou astuciando um chafariz, pois água corrente não é arriscada... E sorrio sonhando: ai, ai, Clarinha vai endoidar aqui! E, se aparecer o bem-te-vi gago da Cecília Meireles: "Bem-bem-bem... te-te-te... vi-vi-vi?" ("Histórias de Bem-Te-Vi") .


  E digo os versos de Cecília Meireles, que tanto alumbravam a minha filha Lívia (mãe da Clarinha), quando criança, quem, certa noite, quando pedimos que lesse para nós uma poesia do seu livro "Ou Isto ou Aquilo", que ganhou da sua professora Márlia, no 2º ano do Pandiá Calógeras, disse: "Ai, não fala em Cecília Meireles, não, que nem durmo!". Mas emendou: "Quem me compra um jardim/ com flores?/ borboletas de muitas/ cores,/ lavadeiras e passarinhos,/ ovos verdes e azuis/ nos ninhos?"... ("Leilão de Jardim", Cecília Meireles).
 Atrair pássaros é uma arte a aprender. Um jardim, e/ou quintal, com árvores, arbustos, flores, comida e bebida é o bastante. Podemos estabelecer convívio com pássaros até mesmo via uma floreira na janela! É um prazer manhoso, mas basta saber alimentá-los - sementes, frutas, verduras, legumes frescos e limpeza cuidadosa e diária dos comedouros para evitar doenças, e, sobretudo, fungos. Os bebedouros de beija-flor merecem atenção especial: açúcar na água fermenta muito com o sol, podendo causar doenças; use néctar de beija-flor.

 Ser cuidadora de pássaros sobreviventes da selva de pedras tem sido um lazer prazeroso que me faz sonhar: "Pássaro da lua,/ que queres cantar,/ nessa terra tua,/ sem flor e sem mar?/ Nem osso de ouvido/ Pela terra tua./ Teu canto é perdido,/ pássaro da lua.../ Pássaro da lua,/ por que estás aqui?/ Nem a canção tua/ precisa de ti!" ("Pequena Canção", Cecília Meireles).

( Pássaros da Liberdade, de Marcelo Prates)
13_passaros_mineiros_sao Dizem que temos em Beagá 347 espécies de aves e que, em determinadas épocas do ano, aparece uma diversidade incomum, a bordo de correntes migratórias: algumas "atraídas pelo clima ou apenas para descansar de uma viagem longa".
Não mais invejo as inspirações passarinheiras de Cecília em seu "Ciclo do Sabiá", nos "Diálogos do Jardim": "Debaixo de tanto calor,/ o pássaro arranjou um ramo verde e fresco,/ e pôs-se a falar./ O pássaro perguntava-me: Lembras-te das grandes árvores,/ com lágrimas douradas de resina?". Tenho os "passarins" da Clarinha em meu jardim-quintal...

 DUKE
Publicado no Jornal OTEMPO em 06.03.2012
[Vila do Artesão e tem o passo a passo AQUI.] 
[casinhas_emb_sorvete2.jpg]  (Casinha de passarinho com potes de sorvete: Artes Leca, como fazer: passo a passo)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um dilema brasileiro: a Saúde da Mulher na encruzilhada



No puxa-encolhe, o vaso da confiabilidade se quebrou
Fátima Oliveira
Médica –
fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_

Como espaço de concertação e definição de rumos, chegou a hora da 2ª Conferência Nacional de Saúde e Direitos da Mulher, um pouco mais de um quarto de século após a primeira (10 a 13.10.1986). Viajei? Há uma frase, esqueci a autoria, que uso muito: "A Terra nos foi dada em usufruto, e é um dever legá-la saudável para as gerações futuras". O mesmo vale para direitos conquistados. É covardia perdê-los sem chiar.

bode   Há quase um ano, vivenciamos descaminhos na saúde da mulher. É fato: há um bode fedido numa sala qualquer do Ministério da Saúde a empestear tudo! Há uma disputa política, não bem conduzida pelo governo, desde o anúncio da Rede Cegonha (28.3.2011), que ferveu com a edição da MP 557/11 (26.12.2011). Eis a encruzilhada!

Imagens engraçadas - Encruzilhada.


Há controvérsias de relevante interesse público, numa conjuntura em que os canais de democracia participativa foram obstruídos, numa arrogante demonstração de complexo de Incrível Hulk, motivo número um de termos chegado a uma encruzilhada profundamente dolorosa. Explico-me.
É de domínio público que, tal qual a minha personagem Dona Lô, "sou uma mulher com Dilma"; em segundo, suei nas discussões online para que o ministro da Saúde fosse Alexandre Padilha, uma aposta diante de outras cartas, velhas conhecidas (Ai, meus sais!). Sem arrependimentos da opção Padilha, apesar do desassossego político que ele nos dá. Por ser dinâmico, com todas as trepeças, apostar nele foi correto - "pero", nunca imaginamos retrocessos -, considerando que, num governo de coalizão nacional, a regra é disputar cotidianamente.




 As forças políticas da atenção integral à saúde da mulher tiveram voz e vez nas gestões Humberto Costa (1.1.2003/8.7.2005), que elaborou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Pnaism); Saraiva Felipe (8.7.2005/31.3.2006) e Agenor Álvares (31.3.2006/16.3.2007). E começaram a perder espaço na gestão José Gomes Temporão (16.3.2007/31.3.2010), que deu um "chega pra lá" na visibilidade política da área técnica da Saúde da Mulher, sem verbalizar recuos; na prática, a Saúde da Mulher hibernou e não encontrou oposição à altura, nem no governo, pois a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) emudeceram no processo que as desemponderou!


Cabe exigir uma
concertação para definir políticas
à luz da diretriz nacional,
laica e republicana,
na qual cabem todas as brasileiras!



A bordo de um erro político monumental, chegamos - ativistas, SPM e Seppir - à gestão Padilha (1.1.2011) estilhaçadas o suficiente para que a Saúde da Mulher ficasse ao bel-prazer de personalismos de matizes fundamentalistas aboletados no MS, que, sob a ótica conservadora, reconstruíram a primazia do ministério na saúde da mulher, um "nicho tripartite", de três ministérios (Saúde, Mulher e Seppir), como sabiamente foi se definindo no governo Lula!

 Reagimos aos retrocessos da Rede Cegonha, a visão de saúde materno-infantil; e à "joia da coroa": a MP 557/2011, que conferia personalidade civil ao nascituro, materializando o desmanche dos alicerces da Pnaism! No puxa-encolhe, o vaso da confiabilidade se quebrou. Confiança não se remenda, gesta-se uma nova.



Há um novo contexto político. Cabe ao "batalhão da mata", as "prendas do Rosário" - às ministras da Mulher, Eleonora Menicucci, e da Igualdade Racial, Luiza Bairros - sangrar nos cacos: exigindo uma concertação, não para monitorar políticas de saúde, mas para defini-las em pé de igualdade com o MS, à luz da diretriz nacional em vigor, a Pnaism, que é laica e republicana, na qual cabem as necessidades de todas as brasileiras!

 (DUKE)
Publicado no Jornal OTEMPO em 28/02/2012