Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_
Desconfiai de gente muito áspera e dura que nunca tem
tempo a perder, que acha que só ela faz política e que o resto do mundo faz
corpo mole e ainda olha de cara feia para quem se encanta com uma poesia, uma
música, uma plantinha, um livro, o doce barulho e o frescor de uma fonte
ornamental. Tais pessoas nem fazem política como deveriam, a busca do bem-estar
comum, nem são boas companhias. Fujo delas!


“O Brasil pegando fogo, a democracia em risco, sendo
destruída, eu precisando conversar sobre política porque estou muito
angustiada, pergunto o que está fazendo, e a resposta é que está limpando sua
fonte! Morri! Além da simplicidade voluntária de cuidar de seu mundo de cactos,
só falta agora ser seguidora do feng shui!”.
Repeti o que estou lembrando porque as recriminações
preconceituosas foram longas e chatas. Respirei. Indaguei se havia terminado.
Minha cabeça estava a mil. Como se não bastasse a onda fascista em curso no
país, aparece uma amiga babaca com dor de consciência. Que fase!
E enveredei, colocando na vitrine que ela fazia um
discurso antigo e carcomido, típico de uma visão política que não vai além do
uso da política para fins eleitoreiros; que estava sendo antidemocrática ao
extremo e discursando que está preocupada com o ataque à democracia que estamos
vivenciando!
E lacrei: “O que você fez durante tantos anos para que
não chegássemos aonde estamos, fora arrotar que a luta de classes havia
acabado, só porque o objetivo final de vocês era gerenciar a crise do
capitalismo no Brasil?”.
Estou onde sempre estive desde que comecei a fazer
política: ao lado do povo, defendendo suas demandas mais prementes por
cidadania – por justiça racial/étnica, por justiça de gênero, enfim contra
todas as opressões, incluindo a de classe!

“Ah, vai ter de apelar para o feng shui” – cultura
milenar chinesa de harmonização de ambientes – e toda a sua teorização sobre a
conservação das energias positivas e o redirecionamento das energias negativas,
que afirma que as fontes de água corrente têm o poder de neutralizar energias
negativas e atrair energias positivas. Se bem não fizer, mal não fará.

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