Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_
Hildegard Angel tuitou: “Lo Prete comandando ‘Painel
na TV’ em que discutem fórmulas variadas para arrancar Dilma do cargo, mesmo
que não haja motivo legal para isso!” (2.1.2016). Eis o sexismo/machismo
explícito! Respondi: “É impressionante a impregnação de sexismo que alicerça o
‘querer’ tirar @dilmabr do cargo! Pode analisar os mil e um desejos”.
A presidenta Dilma entende que sofre preconceito de
gênero: “Alguma vez você já ouviu alguém dizer que um presidente do sexo
masculino coloca o dedo em tudo? Eu nunca ouvi falar disso. Eu acredito que há
um pouco de preconceito sexual ou um viés de gênero. Sou descrita como uma
mulher dura e forte que coloca o nariz em tudo e estou cercada de homens
meigos” (“The Washington Post”, 25.6.2015).
“A burguesia
brasileira e seu apêndice cecal, os novos-ricos, evidenciam uma fixação
vitoriana degradante na sexualidade da presidenta”, como eu disse em “A burguesia sem charme, sem finesse, machista e despudorada” (O TEMPO, 7.7.2015).

Há um contexto de exacerbação de ódio de classe, de
racismo e de horror aos pobres no Brasil, pari passu ao minguar do exército de
reserva para trabalhos servis a preços vis desde quando Lula declarou: “O
Brasil só será uma nação minimamente justa quando todos os brasileiros tiverem
o direito de fazer três refeições por dia”, o que, para os partidários da
filosofia da miséria, é uma heresia!
Relembro: “Extinguir a fome foi o eixo político que
inspirou Lula a criar o projeto Fome Zero, em 16.10.2001, pelo Instituto da
Cidadania, por ele coordenado. Quando Lula assumiu a Presidência da República,
o projeto virou o programa Fome Zero, que em 20.10.2003 recebeu um aporte
vigoroso: o Bolsa Família, com decisões visionárias que retiraram o Brasil do
Mapa da Fome da ONU em 2014. (...) o Bolsa Família investe apenas 0,8% do PIB e
contempla 50 milhões de brasileiros (um em cada quatro cidadãos está no Bolsa
Família), e sem tal dinheiro mais de 25% dos brasileiros ainda estariam
passando fome (Disse Maiakóvski: gente é pra brilhar com brilho eterno!” (O TEMPO,
11.8.2015).
Escrevi em “Por que o programa Bolsa Família desperta tanto ódio de classe?” e sou incansável em repetir que ele “é o maior e mais
importante programa antipobreza do mundo e foi copiado por 40 países – é uma
‘transferência condicional de renda’ que objetiva combater a pobreza existente
e quebrar o seu ciclo” (O TEMPO, 11.6.2013). E Dilma honra o compromisso, o que
ensandece ainda mais o ódio de classe que “quer porque quer” expurgá-la da
Presidência da República. O ódio de classe recebe aportes de fôlego do
machismo/sexismo, já que os “contra” ousam fazer com Dilma o que jamais fariam
com um homem na Presidência da República, a começar pelo derrotado nas eleições
de 2014. A birra renitente em não aceitar a derrota até agora é o inconformismo
de perder pra mulher!


PUBLICADO EM 05.01.16
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