Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_
As festas de fim de ano lembram-me muito minha avó
materna, Maria Andrelina, e sua mala de “cortes de tecidos”. Além de
previdente, era uma sábia de nascença e com certeza jamais entupiria um
shopping atrás de presentes no Natal.
Quando eu era criança, as “roupas de carregação” eram
roupas baratas, compradas feitas. Diante de uma roupa mal-ajambrada, vovó não
se calava: “Isso é roupa de carregação”, que hoje são as “sulancas” – baratas,
feitas de aproveitamento de sobras de tecidos, inicialmente de helanca (vinda
do Sul) na década de 60, em Santa Cruz do Capibaribe, no agreste de Pernambuco.

Vovó mantinha uma mala especial para guardar cortes de
tecidos – da chita à seda pura e “outras sedinhas”, passando pelas musselines e
pelos “chiffons”, de seda e de algodão, tafetá, brocado, organza e “pele de
ovo”. Eu era fascinada por aquela mala trancada à chave! Era nela que vovó
encontrava que presente dar a alguém e também era o celeiro para fazer uma
roupa às pressas.
Quando dou um presente, estou dando também um pedaço
de mim. Há algum tempo, seja para criança ou adulto, só presenteio com cacto
e/ou até um pequeno jardim de minicactos, cultivados por mim. Não conheço quem
não se derreta diante do encanto de um minicacto, objeto de decoração que dá
uma personalidade especial a qualquer ambiente.

Especula-se que o poder da energia dos cactos muda
ambientes positivamente. Ademais, um cacto, para mim puro sertão, é companhia
de fácil cuidado e quase não exige nada: pouquíssima água – basta regar uma vez
por semana no verão e uma por mês no inverno; gosta de quietude, pois é
bastante sensível, portanto evite manusear muito ou até mesmo balançá-lo para
não prejudicar o seu ciclo vital. Boa luminosidade é essencial para a
sobrevivência de um cacto, então, se dentro de casa, é necessário colocá-lo
perto de janelas.


Quando damos um ser vivo a alguém, estamos dando uma
companhia. No caso dos cactos, nativos de regiões áridas, estamos presenteando
com exemplares de perseverança, adaptabilidade e integração.
PUBLICADO EM 22.12.15
FONTE: OTEMPO
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