Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_
Um país como o Brasil, que não defende a maternidade voluntária – o direito a ter os filhos que desejar e a não ter os indesejados/inesperados –, fortalece o fundamentalismo religioso de todos os matizes e joga água no moinho do patriarcado.
Dilma em entrevista à France Media Monde no Palácio do Planalto
Causa desconforto a entrevista da presidente Dilma ao canal francês France24, afirmando que o Estado não deve entrar na questão do aborto (8.6.2015). Ao France24, ela declarou ainda: “Hoje, no Brasil, a lei permite em alguns casos importantíssimos. Quando há má-formação ou quando há violência contra a mulher... Se você fizer hoje uma enquete, é possível que nem todas as mulheres defendam isso. Eu acho que é uma questão na qual o Estado não tem de entrar agora. Nós temos de guardar o que pensamos para nós, não temos que entrar nessa área”.
O que estarrece quem apoia a republicana liberdade reprodutiva é que ela perdeu uma ótima oportunidade de ficar calada, já que foi incapaz de defender o Estado laico! Repito: “No atual governo, o Brasil patina quando instado a referendar sua laicidade e a agenda republicana, e o faz às custas dos corpos das brasileiras, não fugindo à regra fundamentalista de santificar a maternidade e de satanizar as mulheres. Ai, meus sais!” (“O dom ou o carma de assuntar peripécias na encruzilhada”, O TEMPO, 3.1.2012).
A PEC 29/2015 foi assinada pelos senadores Acir Gurgacz, Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, Álvaro Dias, Antonio Anastasia, Antônio Carlos Valadares, Ataídes Oliveira, Blairo Maggi, Cássio Cunha Lima, Delcídio do Amaral, Elmano Férrer, Eunício Oliveira, Fernando Ribeiro, Flexa Ribeiro, Garibaldi Alves Filho, Gladson Cameli, José Agripino, Lasier Martins, Luiz Henrique, Paulo Paim, Paulo Rocha, Raimundo Lira, Reguffe, Ricardo Ferraço, Roberto Requião, Romário, Rose de Freitas e Walter Pinheiro. Eis proposta da PEC 29/2015: “Altera a Constituição Federal para acrescentar no art. 5º a explicitação inequívoca ‘da inviolabilidade do direito à vida, desde a concepção’”.
E agora, Dilma? “A gente tem a eternidade para descansar” (Tancredo Neves) ou “nós sempre teremos Paris” (Humphrey Bogart)?
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