Fátima Oliveira
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_
Abril passado sinaliza perdas de direitos arduamente conquistados no Brasil. A impressão é que uma trupe da maldade, da qual o povo é refém, se aboletou na Câmara dos Deputados e de lá toca terror.
Primeiramente, foi aprovado em 22.4.2015 o PL 4.330, de Sandro Mabel (PMDB-GO), que amplia a terceirização e aprofunda a precarização do trabalho – configurando derrota dos direitos trabalhistas. No Senado, nem dá para atinar o que ocorrerá!
Em 28 de maio passado, foi aprovado “o PL 4.148/2008, de Luís Carlos Heinze (PP-RS), que acaba com a exigência do símbolo da transgenia nos rótulos dos produtos com organismos geneticamente modificados (OGM)”.
O citado PL tem fortes possibilidades de aprovação no Senado. Diferentemente das terceirizações, não há uma mobilização popular capaz de acuar senadores. O povo não tem domínio do que é um alimento transgênico e nunca tivemos um governo consciente o bastante para informá-lo. O governo Lula “adotou” os transgênicos sem chiar.

A aprovação do PL 4.148/2008 usurpa os direitos de saber e de escolher – não é apenas uma imoralidade, mas um crime contra os direitos do consumidor! Sou uma militante contra os transgênicos há muitos anos, focada nas questões de biossegurança.

Os transgênicos são obtidos por uma biotecnologia denominada transgênese ou transgenia – manipulação genética que rompe as fronteiras entre as espécies: adição de um gene estrangeiro (animal ou vegetal) ao genoma (conjunto dos genes de uma espécie) de um ser vivo qualquer, animal ou vegetal.
Os impactos dos transgênicos no meio ambiente e na saúde humana ainda são uma incógnita. Faltam pesquisas que provem se são “do bem” ou “do mal”. Fiquemos alertas, pois, como os cientistas estão divididos em pró e contra os transgênicos, nós, as pessoas comuns, devemos ter medo. Não é possível ter segurança sobre o que nem cientistas sabem!


E, agora, os “vendilhões da pátria” buscam solapar o direito à informação. É infâmia demais! A rotulagem dos transgênicos assegura sabermos o que estamos comprando e se desejamos comer aquele alimento, mas não garante nem substitui questões pertinentes à segurança alimentar.



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